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DEBATES

Veja como a Revolução Russa influenciou as diversas expressões artísticas

Evento completa cem anos em 2017 e é debatido esta semana na UFPE e Fundaj

Publicado em 13/08/2017, às 09h00

Quadro do pintor russo Wassily Kandinsky / Imagem: Reprodução
Quadro do pintor russo Wassily Kandinsky
Imagem: Reprodução
Valentine Herold

Da princesa Anastasia, imortalizada e romantizada pela Disney, à própria figura de Lenin, passando pelos icônicos cartazes de cunho partidário, a Revolução Russa vem despertando os mais diversos sentimentos e reações ao longo dos anos por parte da indústria cinematográfica, do campo literário e da academia, entre outras áreas de atuação – sem esquecer, claro, das eminente questões políticas. Apesar do próprio (e polêmico) presidente russo, Vladimir Putin, ter afirmado recentemente que o ocorrido que mudou o país em 1917 não deveria ser celebrado, o centenário da revolução vem sendo comemorado ao redor do mundo este ano. No Recife, a próxima semana será justamente de festejos e debates sobre os 100 anos do acontecimento na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

A distância aproximada de nove mil quilômetros que separa a capital pernambucana da Rússia parece não ter atenuado tanto a influência que a revolução centenária teve no Estado – e que vai além da militância política comunista. Para Michel Zaidan, professor da UFPE e coordenador do Núcleo de Estudos Eleitorais, Partidários e da Democracia, NEEPD, o realismo socialista reverberou na produção artística local. “Aqui em Pernambuco, figuras como Abelardo da Hora, João Claudio, Hermilo Borba Filho e Souza Barros se destacaram”, exemplifica. É justamente o NEEPD, com o Departamento de História da universidade, que promove de amanhã até sexta um ciclo de mesas-redondas, uma exposição e três lançamentos de livros ao longo do seminário O Centenário da Revolução Russa. Na mesa de abertura serão debatidos os impactos da revolução na América Latina e no Brasil, enquanto a terça-feira é dedicada à estética e quais inovações foram propiciadas a partir de 1917 na arte.

Influências em diversos campos

“Por um lado, tinha o que podemos chamar de linha ‘direitista’ da vanguarda russa, que eram os artistas que, mesmo se chegaram a produzir inovações formais muito importantes, permaneceram no domínio específico e tradicional da arte”, explica o professor de estética na Universidade Federal de Campina Grande, Jordi Hurtado, que participa do evento na terça. “Por outro lado, existia uma tendência ‘esquerdista’ na vanguarda soviética, que chamava à abolição das formas tradicionais da arte”, complementa. Kandisky e Malevich, dois grandes e renomados pintores, se enquadram no primeiro aspecto destacado por Jordi: apesar de não haver uma representação realista em suas pinturas, o objetivo era desvelar que os indivíduos poderiam construir algo novo a partir deles mesmos.



Levando em consideração a “tendência esquerdista” destacada pelo professor, é possível citar o poeta Vladimir Maiakovski e o escritor Sergei Tretyakov. Muito traduzido por Augusto dos Campos no Brasil, Maiakovski é o autor dos famosos versos “Eu/à poesia/só permito uma forma: concisão,precisão das fórmulas matemáticas/ Às parlengas poéticas estou acostumado, eu ainda falo versos e não fatos/ Porém se eu falo “A”/ este “a” é uma trombeta-alarma para a Humanidade/ Se eu falo “B” é uma nova bomba na batalha do homem.”

“A ideia era realmente criar formas novas de expressão artística, que supunham uma fusão das velhas formas da arte, e que levavam a arte a todos os lugares da vida social, e o colocavam ao serviço das massas e da construção da nova sociedade emancipada”, explica Jordi. “Finalmente, é preciso dizer que a arte soviética conservou sua vitalidade enquanto manteve sua independência em relação ao Estado. Isso acabou em 1932, com decreto que proibiu as associações artísticas e culturais independentes e quando foi desenvolvido o realismo socialista, uma forma de arte da contra-revolução.”

Todos os debates acontecem das 14h às 18h, no auditório da Adufepe, e são abertos ao público. E ainda na terça e na quarta, a Fundaj recebe dois especialistas e tradutores em literatura russa, Rubens Figueiredo e Priscilla Marques, às 15h. Os debates vão girar em torno das temáticas dos prenúncios da revolução e de Dostoiévski.


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