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John Le Carré lança novo livro com seu espião mais famoso

John Le, britânico mestre da literatura de espionagem, traz de volta, 27 anos depois, seu herói George Smiley para seu novo romance, A Legacy of Spies

Publicado em 08/09/2017, às 16h25

John Le Carré / (Foto: AFP/ Divulgação)
John Le Carré
(Foto: AFP/ Divulgação)
AFP/ Anne-Laure Mondesert e Claude Casteran

O escritor britânico e mestre da literatura de espionagem John Le Carré traz de volta, 27 anos depois, seu herói George Smiley para seu novo romance, A Legacy of Spies.

A obra foi lançada esta semana no centro cultural Southbank de Londres, onde Le Carré comemorou "uma noite com Smiley", um personagem que é para ele "parceiro", quase um amigo e um alter ego.

"Não se pode criar um personagem sem deixar algo de si mesmo", disse ele ao público durante o evento, que foi transmitido ao vivo para mais de 200 salas de cinema no Reino Unido, para angariar fundos para a organização Médicos Sem Fronteiras.

Ambos têm muito em comum, começando pela espionagem.

Le Carré, cujo nome real é David Cornwell, trabalhou para os serviços de Inteligência britânicos entre 1950 e 1964 e se dedicou à literatura inteiramente após o sucesso de "O espião que saiu do frio", o primeiro papel importante de Smiley, em 1963.

Além disso, John completará 86 anos em outubro, e seu personagem fictício tem em torno dessa idade. Os dois atuaram na Guerra Fria que opôs o bloco comunista aos países ocidentais, uma mina para romances de espionagem.

A inspiração de Le Carré não sofreu com a queda do Muro de Berlim. Seu próximo romance sobre o comércio de armas, "The Night Manager" (O gerente noturno), em 1993, foi adaptado para uma série de televisão de sucesso.

John e George compartilham certos traços de caráter.

"É difícil para ambos lembrar momentos felizes. Não é algo que acontece comigo naturalmente, eu tenho que me esforçar", explicou o escritor ao Times neste fim de semana.



Eles compartilham a discrição, e é inútil procurar Le Carré nas colunas sociais. Nem há nada de chamativo sobre Smiley, um anti-James Bond, cada vez mais taciturno com a idade e, certamente, um exemplo mais acurado de um espião do que o 007 dos Dry Martinis, das mulheres belíssimas e das geringonças incríveis.

O contraste entre o sex symbol e o mestre dos espiões é manifesto, por mais que os dois sejam britânicos.

- Smiley anti-Brexit -

Uma introspecção incorporada às várias adaptações ao cinema deste anti-herói. A última foi em 2011, em "O espião que sabia demais" (1974), em que Gary Oldman encarnou um Smiley à caça de um infiltrado.

As ideias políticas de ambos também são próximas.

"Eu escrevi o livro em uma espécie de frenesi durante [Donald] Trump e o Brexit. Odeio toda essa operação do Brexit, assim como Smiley", desabafou Le Carré ao Times, referindo-se à decisão britânica de deixar a União Europeia.

"Todos os governos culpam a Europa por seus próprios fracassos, porque nunca se envolveram com a ideia de uma Europa unida", critica.

Embora as difíceis negociações para a saída da UE dificilmente inspirem um romance de espionagem, o Smiley de "A Legacy of Spies" se mostra profundamente europeu.

Quando seu ex-assistente Peter Guillam lhe pergunta se o espião trabalhou toda sua vida para o Reino Unido, ele responde: "não, para a Europa".

Le Carré abordou a questão, explicando que a Guerra Fria consistiu, para Smiley, na luta pela "alma da Europa".

"Foi, para ele, a frente de batalha da Guerra Fria. Foi onde lutou pela alma da Europa. Então, quando olha para trás - como eu faço, neste caso -, ele vê a futilidade de tudo isso", narrou o criador de Smiley.


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