Jornal do Commercio
Monumento

Casa do Carnaval da Bahia é um templo à sua folia

Espaço interativo quer atrair turistas e moradores para mostrar a história da festa

Publicado em 11/02/2018, às 05h00

A Casa do Carnaval da Bahia, em Salvador, mescla tradição com elementos da modernidade. / Foto: Valter Pontes/SECOM
A Casa do Carnaval da Bahia, em Salvador, mescla tradição com elementos da modernidade.
Foto: Valter Pontes/SECOM
Robson Gomes

SALVADOR – O Centro Histórico da capital soteropolitana ganhou mais um monumento para chamar de seu. Localizado ao lado da Catedral Basílica de São Salvador, entre o Terreiro de Jesus e a Praça da Sé, um prédio histórico datado de 1911, que antes abrigava a Casa do Frontispício, agora se torna a habitação de sua maior representação cultural, Brasil e mundo afora: a Casa do Carnaval da Bahia.

Após a restauração do espaço pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a “residência fixa” do Carnaval da Bahia foi concebida em setembro do ano passado, sendo executada em apenas quatro meses. A ideia é contar a história da folia de Momo naquele Estado nos quatro ambientes do prédio: o térreo, o primeiro andar, o terraço e o subsolo.

Quem está à frente da curadoria e concepção cenográfica da Casa do Carnaval da Bahia, porém, não é um baiano. E, sim, um gaúcho de Uruguaiana. Seu nome? O designer Gringo Cardia, que justifica sua ligação com o Estado: “Sou baiano de coração desde muito tempo. Eu acho a cultura da Bahia muito rica, e a música do Brasil é da Bahia. Minha ligação com o Estado nasceu através da música: Carlinhos Brown, Maria Bethânia, Gilberto Gil, quando comecei a fazer os visuais dos discos e dos shows deles”.

A afetividade de Gringo com a Bahia, somada à sua experiência e o auxílio de profissionais locais, foram a gênese do espaço que une a tradição do Carnaval à tecnologia e a interatividade, propiciando mais que uma mera visita, uma divertida experiência sensorial.

Logo no térreo, o visitante tem à disposição uma biblioteca de livros virtuais relacionados ao Carnaval, a Salvador, suas artes e tradições. No mesmo nível, a sala Origens do Carnaval apresenta os temas que compõem os primórdios da folia até os dias atuais. Sem falar nos 200 bonecos feitos em cerâmica que representam figuras típicas da festa na cidade. Para assistir aos vídeos do térreo, o visitante recebe tablet com headphones para ouvir os áudios dos conteúdos audiovisuais reproduzidos por ali.

No segundo compartimento do térreo, a Sala de Criatividade e Ritmos expõe os instrumentos, fantasias, figurinos emprestados ao museu por celebridades do Carnaval (Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Saulo, Daniela Mercury estão entre eles) e elementos cenográficos com luzes vibrantes, fitas de LED e refletores com efeitos especiais ajudando na imersão da folia.



Temperando o colorido da sessão, hits do Carnaval de todas as épocas podem ser ouvidos neste departamento tais como Metralhadora (Banda Vingadora), Dandalunda (Margareth Menezes), Rapunzel (Daniela Mercury), A Roda (Sarajane), entre outros.

No primeiro andar, a teoria se torna prática no cinema interativo. O visitante escolhe o filme que quer ver, com 10 minutos cada, e outros 5 para fazer fotos com os ornamentos disponíveis para a caracterização. As duas salas possuem efeitos de luz, ventos, aromas e som de alta qualidade, com acústica isolada. Nele, os participantes aprendem a história do ritmo contadas por grandes artistas e dançam coreografias de sucessos de É o Tchan, Olodum e muito mais.

“Falar de Carnaval sem pular, sem botar uma fantasia, sem brincar, não é válido. Tinha que ter uma experiência assim, e foi isso que nós fizemos”, justificou Gringo.

No terraço, além de contemplar uma das mais belas vistas da Baía de Todos os Santos, o ambiente de cores fortes traz um teto coberto de fitas até o final do terraço. O espaço também pode servir de lounge com locais para sentar, mesas altas para bares volantes e um pequeno palco para pocket shows acústicos.


Galeria de imagens

Legenda
Anteriores
Próximas

 

TESTES

A Casa do Carnaval da Bahia foi inaugurada oficialmente na última segunda-feira (5). A partir do dia 15 e em todo o mês de fevereiro, o espaço funciona apenas para grupos agendados, em esquema soft opening. A partir de março, será aberto ao público das 11h às 19h. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).

*O repórter viajou a convite da Prefeitura de Salvador.


Recomendados para você


Comentários

Por Joel Siqueira,11/02/2018

Com esse preço de entrada R$ 50,00, só os turistas estrangeiros terão coragem de conhecer, por isso que os espaços desse tipo no Brasil são todos vazios, precisa cobrar valores acessíveis aos brasileiros, no máximo R$ 10,00 inteira e R$ 5,00 meia.



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Reinventar Reinventar
A velocidade na criação de novidades tecnológicas nos faz pensar que o futuro é todo dia. E nós também precisamos sair do lugar. No mercado de trabalho, o impacto dessas transformações exige a capacidade de se reinventar. Veja o que o futuro lhe reserva
Rodoviários: ''máquinas'' sem manutenção Rodoviários: ''máquinas'' sem manutenção
Carga horária excessiva, más condições de trabalho, terminais sem estrutura apropriada e os riscos ocupacionais aos quais estão submetidos. O transporte rodoviário está em quarto lugar entre as profissões com mais com comunicações de acidentes de trabalh
#UmaPorUma #UmaPorUma
Existe uma história para contar por trás de cada assassinato de mulher em Pernambuco. Uma por uma, vamos contar todas. Mapear onde as mataram, as motivações do crime, acompanhar a investigação e cobrar a punição dos culpados. Um banco de dados virtual.

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2018 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM