O governo federal usou a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil para induzir a queda do custo no mercado financeiro. Mas, na prática, quando o consumidor pede dinheiro emprestado no balcão, termina sendo empurrado para financiamentos mais caros. Esses e outros resultados aparecem em uma pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que alerta o cidadão para as “armadilhas dos bancos”, como empurrar cliente para opções de crédito mais caras e informações inadequadas do Custo Efetivo Total (CET), obrigação legal imposta às instituições financeiras.
O Idec realizou a pesquisa de campo entre os meses de março e maio, com os seis maiores bancos brasileiros: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, HSBC e Santander. O Instituto buscou agências supostamente para contratar empréstimos de R$ 300 e avaliou não apenas o crédito em si, mas se debruçou sobre os contratos oferecidos pelas empresas.
“Em três instituições, HSBC, CEF e Itaú, o atendente sugeriu o cheque especial, opção bem mais cara para o consumidor. No Itaú, por exemplo, os juros para o empréstimo pessoal são de 4,5% ao mês, enquanto os do cheque especial são de 8,89% ao mês, quase o dobro”, explica, no texto da pesquisa, o Idec.
“Nenhum banco atingiu 100% da adequação, como deveriam, já que foram avaliados aspectos legais, itens que os bancos são obrigados a cumprir”, afirma, em nota, o gerente de Testes e Pesquisa do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira.
Após avaliar os dois aspectos (dos empréstimos e dos contratos), o Idec concluiu que o Santander teve a pior classificação entre as seis instituições financeiras, com 26% de adequação às exigências legais. O melhor, de acordo com a análise do Idec, foi o Bradesco, com 66%.
O Idec apontou irregularidades dos bancos quanto ao Custo Efetivo Total (CET) das operações de crédito, com informações incompletas ou incorretas.
“Essa negligência impacta no bolso do consumidor, como exemplificado: no Santander, os juros para o empréstimo pessoal são de 4,79% ao mês. Entretanto, o custo pago pelo cliente salta para 9,24% ao mês, de acordo com o valor calculado pelo Idec. Isso porque o banco obriga o cliente adquirir um seguro no valor de R$ 27, o que configura venda casada, prática ilegal de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC)”, diz o texto da pesquisa do Instituto.
O Idec recomenda atenção não apenas para o custo do crédito, como também orienta o consumidor a checar o prazo de pagamento – quanto mais tempo entre a data de contratação e a última parcela do empréstimo, mais caro será o valor desembolsado pelo cliente.
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