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Bancos empurram produtos mais caros para clientela

Pesquisa divulgada pelo Idec alerta sobre práticas desleais de instituições financeiras, como indicar opções de financiamento mais caras para seus correntistas

Publicado em 06/07/2012, às 15h27

Da editoria de Economia

O governo federal usou a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil para induzir a queda do custo no mercado financeiro.  Mas, na prática, quando o consumidor pede dinheiro emprestado no balcão, termina sendo empurrado para financiamentos mais caros. Esses e outros resultados aparecem em uma pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que alerta o cidadão para as “armadilhas dos bancos”, como empurrar cliente para opções de crédito mais caras e informações inadequadas do Custo Efetivo Total (CET), obrigação legal imposta às instituições financeiras.
O Idec realizou a pesquisa de campo entre os meses de março e maio, com os seis maiores bancos brasileiros: Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, HSBC e Santander. O Instituto buscou agências supostamente para contratar empréstimos de R$ 300 e avaliou não apenas o crédito em si, mas se debruçou sobre os contratos oferecidos pelas empresas.

“Em três instituições, HSBC, CEF e Itaú, o atendente sugeriu o cheque especial, opção bem mais cara para o consumidor. No Itaú, por exemplo, os juros para o empréstimo pessoal são de 4,5% ao mês, enquanto os do cheque especial são de 8,89% ao mês, quase o dobro”, explica, no texto da pesquisa, o Idec.
“Nenhum banco atingiu 100% da adequação, como deveriam, já que foram avaliados aspectos legais, itens que os bancos são obrigados a cumprir”, afirma, em nota, o gerente de Testes e Pesquisa do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira.
Após avaliar os dois aspectos (dos empréstimos e dos contratos), o Idec concluiu que o Santander teve a pior classificação entre as seis instituições financeiras, com 26% de adequação às exigências legais. O melhor, de acordo com a análise do Idec, foi o Bradesco, com 66%.
O Idec apontou irregularidades dos bancos quanto ao Custo Efetivo Total (CET) das operações de crédito, com informações incompletas ou incorretas.
“Essa negligência impacta no bolso do consumidor, como exemplificado: no Santander, os juros para o empréstimo pessoal são de 4,79% ao mês. Entretanto, o custo pago pelo cliente salta para 9,24% ao mês, de acordo com o valor calculado pelo Idec. Isso porque o banco obriga o cliente adquirir um seguro no valor de R$ 27, o que configura venda casada, prática ilegal de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC)”, diz o texto da pesquisa do Instituto.
O Idec recomenda atenção não apenas para o custo do crédito, como também orienta o consumidor a checar o prazo de pagamento – quanto mais tempo entre a data de contratação e a última parcela do empréstimo, mais caro será o valor desembolsado pelo cliente.

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