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Previdência

Depois de entrar no consumo e se endividar, Classe C vai aprender a poupar

Previsão é do economista Eduardo Gianetti, que se mostra otimista com a evolução da economia brasileira neste século

Publicado em 30/10/2012, às 08h30

Leonardo Spinelli

Depois de entrar no mercado de consumo (e se endividar) a nova classe média do Brasil terá de aprender a poupar e o mercado terá de criar produtos para essa nova demanda. Este é o novo desafio da sociedade brasileira depois de uma década em que 40 milhões de pessoas entraram na classe de consumo, conclui o professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), o economista Eduardo Gianetti, em palestra realizada para um público formado por executivos de fundos de pensão em São Paulo.

“Essas famílias registraram um crescimento médio de salários na ordem de 9% ao ano na última década e hoje contam com rendas entre R$ 1.000 e R$ 4.000, formando 52% de nossa sociedade", calcula.
Diante desse quadro, Gianetti compara a realidade brasileira atual com a de países ricos no início do século 20. “Quando surgiu a classe de consumo nos EUA e Europa, essas famílias gastavam 80% de seu orçamento com alimentação, vestuário e moradia. Hoje eles gastam menos de 1/3 de seu orçamento com essas despesas e o que tomou esse lugar foram os gastos com educação, saúde e entretenimento: serviços, qualidade de vida e investimento no amanhã", salientou.

Para o economista, este será o enredo da nova classe média brasileira pelos próximos 20 anos. Ele argumenta que o processo de desenvolvimento brasileiro se dará mais rápido porque a pirâmide etária brasileira passará a ter a maior parte da população no auge da sua capacidade de produção (35 a 65 anos) nas próximas duas décadas.

Pelos números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a nova classe médica gasta 63% de seu orçamento com alimentação, vestuário e moradia. Ao longo do século a tendência é o gasto diminuir no básico, prevê Gianetti, salientando que a moradia, no entanto, ainda ocupará muito da renda por conta do déficit de habitação. “Mas no que se refere à previdência privada, essa nova família vai demandar produtos e serviços ligados à melhoria de seu futuro”, salientou.

Ele destaca que no segundo semestre de 2013, ou no mais tardar em 2014, será o período da prova de fogo para a consolidação da nova realidade. “Em algum momento neste período, quando o mundo não estiver mais em marcha lenta e a economia mundial voltar a crescer, vamos ver como a economia brasileira vai se comportar em relação aos juros”, comentou, salientando que a taxa básica chegando a patamares civilizados agora, tende a se fixar na baixa e não passará dos dois dígitos. “A calibragem (da política monetária) será mais sutil.”

A partir deste ponto, o consumidor da nova classe média se dará conta que a renda que ele conquistou, defende o professor, não deve ser totalmente gasta, como acontece hoje. “Isso ocorreu nos países ricos. As pessoas vão ver que a vida não é total liquidez e total retorno sem riscos. A ficha vai ter de cair e terá de começar cedo para se fazer mais.” A lógica é a de que, com juros baixos, aplicar logo cedo em poupança dá muito mais retorno do que procurar investimentos de maior rentabilidade que, neste cenário, é mais difícil e arriscado.

Mas para isso acontecer, pondera, os bancos e agentes de mercado terão de criar produtos novos que caibam no orçamento desse novo poupador. E com maior nível de investimentos, o País terá mais forças para crescer. “Os fundos terão de ligar o trabalhador brasileiro preocupado com seu futuro ao tomador brasileiro, que espera retorno com produtividade e geração real de riqueza. É assim que eu vejo o momento atual. A queda de juros é uma conquista bem-vinda. Não vai ficar de forma permanente, mas não será como foi. Este é o coroamento do plano real de 20 anos atrás.”




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