Jornal do Commercio
EMPREGO

Brasil tem 243 demissões por hora, diz economista

Economista Alexandre Cabral criou o Índice de Contratações por Hora, que pretende fazer todo mês

Publicado em 10/01/2017, às 09h15

Economista avalia que 1.472.619 postos de trabalho foram fechados nos últimos 12 meses / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Economista avalia que 1.472.619 postos de trabalho foram fechados nos últimos 12 meses
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem
Da Editoria de Economia

A cada hora, 243 pessoas perdem o emprego no Brasil. Em Pernambuco, um dos Estados com maior fechamento de vagas no País, são oito pessoas saindo do mercado a cada 60 minutos. Os números refletem a maior recessão brasileira, trazendo consequências como redução do consumo, aumento da inadimplência e avanço da informalidade. O cálculo foi realizado pelo economista Alexandre Cabral, que pretende tornar o indicador mensal. O índice nacional de emprego/desemprego por hora será batizado de ICH – Índice de Contratações por Hora.

“Resolvi popularizar a estatística porque a informação que se tem hoje é de que 11% da população brasileira está desempregada, mas existem muitas nuances nessa conta. Eu usei o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para fazer o cálculo, tomando como base os últimos 12 meses (de dezembro de 2015 a novembro de 2016) para evitar a sazonalidade”, explica Cabral. O cadastro monitora admissões e demissões de trabalhadores com carteira assinada pelo regime da CLT. Nesse intervalo, o Brasil fechou 1,47 milhão de vagas de emprego formal. 

“Parto da informação que, nos últimos 12 meses, foram fechados 1.472.619 postos de trabalho, divido esse número por 252 dias úteis (padrão de um ano), uma vez que o número de pessoas contratadas e demitidas em um fim de semana não é muito relevante. Finalmente, pego esse resultado e divido por 24 horas, pois temos trabalhadores em vários turnos ao longo do dia”, detalha o economista.

O fechamento de 243 vagas por hora não foi o maior já registrado pelo indicador. Entre janeiro de 2015 e novembro de 2016 o ICH foi de 306 demitidos por hora. Na avaliação de Alexandre Cabral, as demissões vão continuar em 2017 e o PIB deverá ser negativo ou zero. “Janeiro e fevereiro são, tradicionalmente, meses demissionários. Em março e abril a situação melhora um pouco, mas nada com consistência para alterar o cenário. A atividade econômica deverá continuar em baixa porque 60% do PIB brasileiro está baseado no consumo das famílias. Com o desemprego, as famílias continuam freando o consumo”, afirma.

PERNAMBUCO

No período analisado pelo economista, o Estado perdeu 50.282 vagas de emprego. Isso é o equivalente a oito pessoas demitidas por hora. A maior concentração está no Recife, com sete desligados por hora e 39.849 vagas fechadas. Por conta da seca, que já completa cinco anos, a agropecuária foi o setor com maior fechamento de vagas no Estado (-2,749). A construção civil aparece em seguida (-2,386), puxada para baixo tanto pelo desaquecimento do mercado imobiliário quanto pela paralisação de grandes obras. 

Na contramão do que acontece no Estado, em âmbito nacional, Cabral acredita que um setor que poderá ajudar na recuperação do emprego é o agronegócio. “A atividade pode destinar parte de sua produção para o mercado externo. Dos dez principais produtos embarcados pelo País, nove são do agronegócio. Por outro lado, não há sinal de recuperação para a construção civil”, analisa.

Cabral acredita que o governo Temer vai conseguir aprovar algumas das reformas, porque detém maioria no Congresso, mas será a custa de muita negociação. No caso da Previdência, por exemplo, ele acredita que a proposta exagera para ter margem de negociação. Na reforma trabalhista, a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS não deverá representar aumento de consumo. “As pessoas devem usar os recursos para pagar dívidas e isso não vai significar aquecimento da atividade econômica”, conclui. 

Recomendados para você


Comentários

Por Alanmo,10/01/2017

Se isto continuar assim com o Dólar e o Euro a baixar todos os dias para a semana vão mais 71mil para a rua ,vale mais estar fechado do que com o coração nas mãos , ganho muito dinheiro fechado



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Agreste seco Agreste seco
A seca colocou de joelhos uma região inteira. Fez o Agreste sertanejar. Os cinco anos consecutivos sem chuva em Pernambuco ganharam aqui a dimensão de uma tragédia. Silenciosa e diária.
#PeloCaminhar #PeloCaminhar
Mais do que mobilidade, caminhar também é apropriar-se da cidade. Mas o caminhar está difícil. A mobilidade a pé necessita de uma infraestrutura própria, decente, que eleve o pedestre ao posto maior. Por isso o JC lança a discussão #PeloCaminhar.
20 anos do novo cinema pernambucano: de Baile Perfumado a Aquarius 20 anos do novo cinema pernambucano: de Baile Perfumado a Aquarius
Nos últimos 20 anos, o cinema pernambucano ganhou em diversidade e número de filmes produzidos

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM