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Carne Fraca

Denúncias sobre a carne brasileira: verdades e exageros

Para o ministro da Agricultura, foi criado um alarde desmedido devido à ''narrativa'' utilizada para divulgar os resultados da Operação Carne Fraca

Publicado em 20/03/2017, às 20h54

Ministério da Agricultura afirma que estudará a fundo as denúncias para indicar à população exatamente quais produtos apresentaram problemas / Foto: Marcela Balbino/JC
Ministério da Agricultura afirma que estudará a fundo as denúncias para indicar à população exatamente quais produtos apresentaram problemas
Foto: Marcela Balbino/JC
AFP

Salmonela, ácidos cancerígenos e etiquetas falsas para disfarçar carne vencida ou avariada: o que se sabe até agora -e o que ainda não- sobre as denúncias de adulteração da carne brasileira?

"Inspetores públicos, mediante pagamento de propina, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva", anunciou a Polícia Federal ao lançar a operação na última sexta-feira. 

Com 21 frigoríficos citados na investigação - três deles suspensos preventivamente pelas autoridades-, o Ministério da Agricultura afirma que estudará a fundo as denúncias para indicar à população exatamente quais produtos apresentaram problemas, saber se foram efetivamente comercializados e, se for o caso, retirá-los de circulação. 

O presidente Michel Temer afirmou neste domingo que "destas 21 unidades, apenas seis delas exportaram nos últimos 60 dias".

Para o ministro de Agricultura, Blairo Maggi, foi criado um alarde desmedido devido à "narrativa" utilizada para divulgar a investigação e afirmou que 99% dos produtores faz as coisas direito.  

- Ácidos cancerígenos? -

Em frigoríficos de pequeno porte foi detectado o uso de produtos cancerígenos para maquiar o aspecto físico e o odor do produto estragado, informou o delegado Moscardi Grillo em entrevista coletiva realizada em Curitiba(sul).

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, o fiscal do Ministério de Agricultura Daniel Gouveia Teixeira afirmou que um frigorífico de Curitiba utilizava ácido ascórbico; um descontaminante que se mistura aos produtos para diminuir a contaminação bacteriana e mascarar odores e outras características da carne podre. 

O Ministério afirmou que as substâncias apontadas como "cancerígenas" são na verdade conservantes que, quando utilizados dentro dos limites máximos permitidos, "não representam um risco para a saúde dos consumidores". 

- Etiquetas falsas? -

Em outro frigorífico de pequeno porte, a polícia denunciou a mudança de etiquetas para falsificar a validade de produtos vencidos. 

Em um diálogo com um de seus funcionários reproduzido no despacho judicial, o dono do estabelecimento "não demonstra qualquer surpresa com a substituição de etiquetas de validade em uma carga inteira de carne de barriga" nem com a utilização de carnes vencidas há três meses para a produção de outros alimentos. 

- Salmonela? - 

Os investigadores também apontam que foi identificada a presença de salmonela em produtos da empresa BRF que foram exportados. 

De acordo com a PF, em uma conversa telefônica interceptada pelas autoridades, um diretor da companhia fala sobre a retenção de contêineres da empresa com produtos exportados para Europa e diz que pelo menos em "quatro deles as autoridades sanitárias europeias teriam identificado traços de uma das variações da bactéria popularmente conhecida como salmonela". 

A BRF disse em comunicado que "o tipo de Salmonela encontrado em alguns lotes desses quatro contêineres é o Salmonella Saint Paul, que é tolerado pela legislação europeia para carnes in natura e, portanto, não justificaria a proibição de entrada na Itália. 

"A BRF não incorreu em nenhuma irregularidade", garante. 

- "Mal-entendido" sobre papelão no frango -

Tanto o governo como a BRF afirmaram que a versão de que um funcionário da empresa pretendia misturar carne de frango com papelão de deveu a um "mal-entendido" sobre a conversa telefônica interceptada.

"Não há papelão algum nos produtos da BRF. Houve um grande mal-entendido na interpretação do áudio capturado pela Polícia Federal", informou à empresa. 

"O funcionário estava se referindo às embalagens do produto, não ao seu conteúdo", esclareceu.


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Comentários

Por manoel lima,21/03/2017

Nada de exagero, em dezembro do ano passado comprei carne estragada da FRIBOI no supermercado ASSAÍ de Juazeiro-BA, a princípio imaginei que tivesse sido algum cliente que tivesse deixado a carne em algum lugar e que, depois de horas repositores tivessem devolvido ao frizer. Agora caiu a ficha, deveria ter sido estragada mesmo no frigorífico.



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