Jornal do Commercio
Investimento agrícola

Título de agronegócio pode ficar mais acessível a investidor

Nos primeiros quatro meses, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) elevaram o estoque para mais de R$ 20 bilhões

Publicado em 19/06/2017, às 11h04

Mercado aquecido contribui para a acessibilidade dos títulos / Ministério da Agricultura/Divulgação
Mercado aquecido contribui para a acessibilidade dos títulos
Ministério da Agricultura/Divulgação
Estadão Conteúdo

Os títulos corporativos ligados ao setor agrícola caíram no gosto do investidor pela isenção do Imposto de Renda e pela escassez das já familiares Letras de Crédito Agrícola (LCA) no mercado. Esses papéis, chamados de CRA, hoje estão restritos a investidores qualificados, mas discussões em curso podem torná-los mais acessíveis - o que divide opiniões, uma vez que oferecem mais riscos.

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) são títulos privados de dívida emitidos por uma empresa para captar recursos no mercado.

A maioria desses investimentos ainda está disponível somente para investidores que têm mais de R$ 1 milhão. No entanto, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está com uma audiência pública aberta até o dia 14 de julho que busca, entre outras propostas, delimitar os CRAs que podem ser adquiridos por investidores menores - bem como os critérios de proteção.

Motivos

Um dos motivos para o CRA ficar mais acessível é o mercado aquecido. Nos primeiros quatro meses de 2017, foram registrados mais de R$ 3 bilhões em CRAs na B3 (antiga BM&F Bovespa), elevando o estoque desses papéis para mais de R$ 20 bilhões - mais que o dobro dos R$ 9 bilhões verificados no mesmo período do ano passado.

Para André Lassance, chefe de Renda Fixa da XP, a abertura para os investidores em geral vai depender da estrutura de cada certificado. "Estamos analisando a consulta pública da CVM. A abertura poderia ocorrer sob determinadas características", diz



A XP coordenou a oferta de CRA da empresa de fast-food Burguer King no ano passado. A decisão da CVM de permitir a oferta de uma empresa que não faz parte da cadeia produtiva do setor ajudou no aumento de emissões.

Risco

Myrian Lund, professora da FGV, explica que, apesar de a operação ter risco reduzido, já que a emissão tem garantia do grupo do qual a emissora faz parte, existe ainda o risco de mercado e o de liquidez, que exigem um investidor mais atento. "Quem tem R$ 1 milhão se preocupa mais sobre o destino do dinheiro. Já o pequeno investidor vai na onda."

A principal diferença em relação às LCAs é não ter cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Michael Viriato, professor de Finanças do Insper, explica que o CRA pode não ser pago, por isso, não deveria representar uma parcela significativa do portfólio, "no melhor dos casos, 3%".

Marcio Cardoso, da Easynvest, acredita que os CRAs são um bom ingrediente para a sopa de letras que compõe a carteira do investidor. "Se ele pode ter LCI, LCA e COE, porque não o CRA?"

Cardoso lembra que esses investimentos até pouco tempo também eram desconhecidos.Os CRAs se destacam por ter menos risco que fundos multimercado, por exemplo, diz Maria Eugênia, da área de Private do Santander. Para ela, com a queda da taxa Selic os CRAs têm aparecido como boa alternativa.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

O Mundo de Rafa O Mundo de Rafa
Rafael foi diagnosticado com síndrome de Asperger apenas aos 11 anos. Seus desenhos contam pedaços muito importantes da sua história. Exprimem momentos de alegria, de comemoração e também de desabafo, de dor
Gastos dos parlamentares pernambucanos Gastos dos parlamentares pernambucanos
Os deputados federais da bancada pernambucana gastaram, no 1º semestre deste ano, R$ 5,1 milhões em verbas de cotas parlamentares. Já os senadores gastaram R$ 692 mil. Os dados foram coletados com base no portal da transparência da Câmara e do Senado
Um metrô ainda renegado Um metrô ainda renegado
São 32 anos de operação e uma eterna luta por sobrevivência. Esse é o metrô do Recife

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM