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FINANÇAS

Como fica a poupança com a queda da Selic?

Com a Selic abaixo dos 8,5%, foi acionado o dispositivo que reduz a rentabilidade da poupança. O JC procurou saber o que muda no mundo da renda fixa

Publicado em 14/09/2017, às 07h15

Poupança perdeu atratividade e só é interessante para quem tem investimentos abaixo de R$ 5 mil e precisa de liquidez / Foto: Fotos Públicas
Poupança perdeu atratividade e só é interessante para quem tem investimentos abaixo de R$ 5 mil e precisa de liquidez
Foto: Fotos Públicas
LUIZA FREITAS

Após a última redução da taxa básica de juros, a Selic, na semana passada, os novos depósitos em poupança estão rendendo menos. Com os juros a 8,25%, foi acionado um dispositivo criado em 2012 para evitar uma fuga de investimentos em outros fundos de renda fixa para as cadernetas. Assim, essa forma conservadora de aplicação financeira deixou de ter o rendimento de cerca de 6,17% ao ano e passou ganhar o equivalente a 70% da Selic (o que hoje corresponde a 5,78%). Para quem tem aplicações acima de R$ 5 mil em outros meios, a poupança se torna cada vez menos atrativa.

A caderneta é a opção da maior parte dos investidores mais conservadores por sua alta liquidez, não sofrer cobrança de Imposto de Renda (IR) e não cobrar uma taxa de administração. “Mesmo assim, um investidor que tem mais conhecimento sobre aplicações, a última coisa para a qual ele vai recorrer é a poupança, porque o rendimento dela ainda fica abaixo das demais na maioria das situações”, explica o coordenador do MBA do Cedepe, Tiago Monteiro, que afirma que a questão cultural ainda é o principal motivo que atrai os investidores brasileiros para a poupança.

Considerando apenas a frieza dos números, a caderneta tradicional só é atrativa para quem tem valores abaixo de R$ 5 mil reais, deseja manter esse valor por no máximo um ano e precisa que ele fique disponível para ser sacado em qualquer eventualidade. Em outras palavras, ela é uma opção de fundo para situações emergenciais, não de investimento no sentido mais puro da palavra.



Mesmo assim, em 2012, durante o governo Dilma Rousseff, quando foi praticada uma série de reduções da Selic, criou-se uma nova regra de remuneração da poupança para evitar que houvesse uma mudança em massa das aplicações. “O governo tem uma grande dívida pública e vai no mercado procurar recursos para financiá-la com a venda de títulos. Se houvesse essa migração, o governo não conseguiria mais se financiar”, lembra o diretor de Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Assim, sempre que a Selic ficar igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a poupança deixa de render os 6,17% e passa a ser calculada a 70% da Selic vigente.

INFLAÇÃO

No momento atual, outro elemento faz com que, mesmo com a política de redução de juros, outros investimentos em renda fixa continuem interessantes: a inflação. Com uma variação de preços muito baixa este ano, a remuneração real (que desconta a inflação) das aplicações acabou não sendo tão afetada pela Selic em queda. O contexto diferente e os novos percentuais ainda permitem que o investidor mais arrojado negocie condições melhores com seus bancos. “Cada banco tem sua remuneração. Com essa mudança de cenário, é um bom momento para renegociar taxas e melhorar os rendimentos”, sugere o professor de economia da Faculdade Boa Viagem Bruno de Sá Menelau.


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