Jornal do Commercio
DESIGUALDADE

Como a reforma da Previdência pode ajudar a distribuição de renda

Estudo realizado pelo Santander mostra que o sistema previdenciário atual tem falhas que aprofundam a desigualdade no País

Publicado em 17/09/2017, às 07h15

Brasil ainda é o décimo País mais desigual do mundo e o quarto da América Latina / Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Brasil ainda é o décimo País mais desigual do mundo e o quarto da América Latina
Foto: Diego Nigro/ JC Imagem
Da editoria de Economia

Mesmo com os reconhecidos avanços provocados por políticas de distribuição de renda, como o Bolsa Família, o Brasil ainda é o décimo País mais desigual do mundo e o quarto da América Latina, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Um dos meios de garantir a saída do topo desse ranking no longo prazo é uma medida polêmica, mas pouco abordada sob esse aspecto: a Reforma da Previdência. Dados de 2016 mostram que a média dos valores pagos a beneficiários da União foi de R$ 8,2 mil ao mês, enquanto aposentados e pensionistas da iniciativa privada ficaram com R$ 1 mil. Hoje, o sistema previdenciário não só não cumpre um de seus objetivos – que a redistribuição de renda – como aprofunda a distância entre ricos e pobres.

A redistribuição de renda como efeito de uma reforma que leve em consideração, entre outras falhas, a distorção entre o teto dos benefícios de funcionários públicos e da iniciativa privada foi o foco de um estudo realizado pela economista do Santander, Adriana Dupita, e publicado na última segunda-feira. “A Previdência, claro, ajudou um pouco no processo de diminuição da desigualdade nos últimos anos, mas não tanto quanto se esperava. Uma série de falhas em seu funcionamento impede um efeito mais positivo e, algumas vezes, acaba sendo um elemento concentrador de renda”, diz Adriana.

DISTORÇÕES

Entre as falhas apontadas pelo estudo, além da distorção do teto de pagamento entre o funcionalismo público e o privado está a aposentadoria por tempo de serviço. Adriana mostra que a maior parte das camadas mais pobres da população iniciam suas vidas profissionais no mercado informal, ou seja, sem carteira assinada e, consequentemente, sem contribuição previdenciária. Na prática, são os trabalhadores com melhor nível de renda que se aposentam antes da idade mínima prevista, recebem valores maiores e por mais tempo, já que a expectativa de vida é crescente.



Com a proposta atual de reforma proposta pelo governo, a previsão do Santander é que, após o período de transição para a aplicação integral das regras, haveria um equilíbrio maior entre os pagamentos recebidos por todos os grupos de beneficiários. O cálculo é feito usando-se o Valor Presente Líquido (VPL), fórmula que traz para estimativas atuais valores que serão pagos no futuro, levando em consideração variações como juros, por exemplo.

“Esses valores serão positivos, mas a reforma vai fazer é diminuir a diferença entre os grupos, que hoje é muito grande. Ou seja, deixa mais positivo para quem precisa mais e diminui um pouco de quem já recebe mais durante a vida de trabalho”, explica a economista.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Adriana chama a atenção, ainda, que a diminuição da concentração de renda ainda precisa ser trabalhada sob o ponto de vista tributário, cuja reforma ainda não foi levada adiante. Ela enumera a desatualização da tabela do Imposto de Renda e a aplicação de tributos sobre o consumo como outros elementos que dificultam melhores resultados das políticas de distribuição de renda no País.


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Comentários

Por Jose ,20/09/2017

O banco interessado em ferrar com trabalhador, como sempre. Reportagem lixo.

Por Gessé Lopes,18/09/2017

Essa famigerada reforma da previdência, todos esperavam uma moralização da administração pública, corte de ministérios, corte nos mais de 500 mil cargos de confiança, corte nos 18 mil funcionários do palacio do Planalto, cobrança dos mega devedores, regras rígidas para esses super-salários que chegam a R$ 170 mil por mês e ainda com auxilio moradia de R$ 4.770 - e o que vemos??? nada mais que um aumento abusrdo da carga tributária para a classe média e dos pobres. Não se está pensando uma Previdência para o Brasil. Se quisesse realmente fazer uma reforma da previdência, discutiria primeiramente com a sociedade com a escolha de um modelo que não necessitaria de reformas a cada 4 anos fruto da corrupção, má gestão e uso populista das verbas isso sem falar da desvinculação de receitas Mas para não atingir o "status quo" de uma pequena elite, Temer destrói os planos de aposentadoria de milhões de pessoas que já estão há mais de 20 anos contribuindo. E os nobres Deputados e Senadores que apoiarem esse projeto covarde, serão lembrados para sempre pela infâmia.

Por Jorge Medeiros,18/09/2017

Corrigir distorções mas não reduzir drasticamente o valor das aposentadorias como estão querendo fazer. Quem PAGOU décadas por uma forma não pode assim ir mudando. Onde está a segurança jurídica neste país. Afinal de contas o país está assim não por culpa de quem pagou mas por culpa de quem está conduzindo esta reforma.

Por Thiago,18/09/2017

Dívida dos bancos com a previdência: R$ 1,3 Bilhão. Ah, mas a culpa são dos funcionários públicos né? (Nós servidores) Contribuímos igual a todos mundo, não temos as regalias dos políticos e nem os super salários dos juízes, e nossa aposentadoria está limitada ao teto do INSS.. Só que é mais fácil culpar a gente do que COBRAR A DÍVIDA DAS EMPRESAS com a previdência. Paguem a sua conta primeiro, depois a gente conversa sobre reformar a previdência e que não seja tão cruel quanto esta..

Por Enildo Broetto,18/09/2017

Será que nosso povo ainda acredita em "conto da carochinha" a realidade é "nua e crua", estou com 54 anos e acompanho a economia e a politica brasileira desde que comecei a entender que existia em um mundo gerido por uma raça chamada seres humanos. Mudou-se regimes, atravessamos muitas crises econômicas, mas nada serviu de aprendizado, e continuará não sendo, pois os interesses no caus é maior, podendo se manter o poder nas mão dos que conseguem sobrepor a todas as barreiras que podem levar a raça humana a um patamar de equilíbrio politico, econômico e social. Resumindo, nunca vamos chegar a lugar algum, o pobre vai continuar pagando a conta para manter um pequeno grupo no poder. O povo vive uma falsa liberdade, pois será eterno escravo!



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