Nordestinos e especialmente os recifenses gostam de parcelar as compras no cartão de crédito. Na fatura parece caber de tudo: feira no supermercado, conta do bar e do restaurante, celular novo, televisão do último modelo e até remédio. Mas o limite de compras não impediu o consumidor de juntar uma dívida grande e de atrasar o pagamento das contas. Os números mostram uma situação preocupante no Recife.
O Nordeste é o lugar do Brasil onde mais se utiliza cartão de crédito. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 43% dos nordestinos usam esse meio de pagamento, um percentual bem mais alto que os 29% de Sudeste, Norte e Centro-Oeste. No Sul, são 22%.
Mas, além da liderança regional, a preferência do consumidor recifense pelo parcelamento é grande. A CSU Card System trabalha com o processamento de cartões e registrou, ano passado, uma alta de 18% na capital.
O problema é que o recifense gosta de usar o cartão de crédito, mas não tem cuidado com a bola de neve que a fatura pode gerar no orçamento doméstico. O Instituto de Pesquisa da Uninassau fez um levantamento que mostra o quanto a renda do recifense já está comprometido pelas compras e, pior, a dificuldade no pagamento desse pendura.
Segundo o estudo, 31,1% dos recifenses entrevistados declararam ter uma dívida maior ou igual à sua renda, um número mais de 20% superior ao que o instituto registrou em janeiro deste ano. Os economistas ressaltam que o tamanho da dívida é uma coisa, conseguir pagar essa dívida é outra. Mas aqui o recifense também está com problemas, pois 35% dos entrevistados pela Uninassau está em atraso com alguma de suas contas.
O auxiliar de serviços gerais André Araújo, 33 anos, todo mês usa o cartão de crédito. Casado e pai de uma menina, André coloca de tudo no cartão, da feira aos eletrodomésticos que, vez por outra, precisa comprar para casa.
Perguntando se alguma vez já “acelerou os gastos” no cartão, André responde que sim. “Isso aí foi no mês de março”, diz ele, que ficou um pouco apertado por causa disso. “E no próximo mês vou estar um pouco complicado de novo”, conta André.
Ele comenta que, sempre que o “aperto” vem, é preciso cortar os gastos no que for possível para quitar o que ficou no pendura. É uma busca constante pelo equilíbrio do orçamento. O impossível no momento, diz André, é deixar de usar o cartão: “É o quebra-galho da gente no final do mês.”
Coordenador da pesquisa da Uninassau, o economista Djalma Guimarães lembra que o estímulo do governo federal ao consumo foi o que salvou o Brasil na crise global de 2008. Esse apelo às compras veio por duas variáveis, em uma fórmula que volta a ser repetida agora para evitar a maior ameaça da turbulência internacional atingir o País.
Uma das variáveis é o corte de tributos, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e para eletrodomésticos como as geladeiras. A outra é justamente o estímulo do financiamento ao consumo.
Comentários
É O GOVERNO MANDANDO GASTAR E OS OTÁRIOS GASTANDO O QUE NÃO TÊM E NO FINAL DO MÊS FICAM ENFORCADOS. INVENTARAM ATÉ UMA NOVA CLASSE "C" QUE AGORA ESTÁ DEVOLVENDO OS CARROS QUE COMPROU ! GASTA, RECIFE, GASTA !!
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