O dinamismo da economia pernambucana não se limita à Região Metropolitana, ancorado pelo Complexo de Suape. Para além do Grande Recife, as regiões do Agreste Central e Setentrional (integradas por 45 municípios) exibe evolução socioeconômica com crescimento acima da média do Estado, do Nordeste e do País. A constatação está na 10ª Análise Ceplan - estudo de conjuntura realizado trimestralmente pela Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento, que foi divulgado ontem.
“Decidimos tirar um pouco o foco da RMR e tentar entender o que está acontecendo em outras regiões do Estado. E questionamos se o desenvolvimento está se interiorizando”, diz Aldemir do Vale, um dos sócios-diretores da Ceplan. A diferença do dinamismo nas duas regiões analisadas começa pelo crescimento da população, que ficou um pouco acima das médias do País, do Nordeste e de Pernambuco.
“Na demografia, um dos destaques foi a intensificação do processo de urbanização entre 2000 e 2010. No Agreste Central, a população urbana saltou de 69,5% para 77% no período analisado. Já no Agreste Setentrional passou de 54,9% para 66,2%. No resto do Estado e do País, a taxa de urbanização também aumentou, mas não no mesmo ritmo”, compara.
Se o Nordeste e Pernambuco ostentam taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima da média brasileira num corte de 2000 a 2009, o Agreste consegue exibir desempenho ainda melhor. No Agreste Central, a taxa média anual chegou a 4,1% e no Setentrional a 3,8%, enquanto Pernambuco cravou 3,5% . Na avaliação do economista Jorge Jatobá, o avanço é resultado de um conjunto de fatores que também influenciaram a expansão nordestina, a exemplo do aumento real do salário mínimo, crescimento da oferta de crédito, programas de transferência de renda (como o Bolsa Família), investimentos em infraestrutura (a exemplo da duplicação da BR-232) e a atração de empreendimentos industriais. “Essa atração de plantas fabris estava muito direcionada aos setores de alimentos, bebidas, têxteis e móveis, mas já começam a chegar empresas de outros setores, como uma montadora de caminhões (a chinesa Shacman) em Caruaru”, destaca Jatobá.
O mercado de trabalho acompanhou o dinamismo econômico. No Agreste Central, a taxa de desemprego caiu quase pela metade entre 2000 e 2010, saindo de 12,5% para 7,2%. No Agreste Setentrional, o índice de desocupação ficou em 5,8%, quando em 2000 era de 9,7%.
Conhecido pelo alto índice de informalidade, sobretudo no Polo de Confecções (comandado pelos municípios de Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe), as regiões também comemoram o aumento do emprego com carteira assinada, que registrou expansão média de 9%. “Apesar desse movimento, a cultura da informalidade ainda predomina na região. “A taxa de informalidade chega a 72% no Agreste Central e a 78% no Setentrional”, observa Ademir do Vale. Ele diz que apesar da geração de renda, os informais estão fora da chamada rede de proteção social. “Esses profissionais estão ganhando dinheiro, mas não têm a mesma segurança de quem tem carteira assinada”, alerta.
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