Jornal do Commercio
Desenvolvimento

Suape é um caldeirão de mudanças econômicas e sociais

Principal polo de atração de investimento do Estado também carrega as dores do crescimento

Publicado em 16/10/2013, às 09h00

Adriana Guarda

Âncora da nova industrialização de Pernambuco, o Complexo de Suape foi escolhido como uma das estações da pesquisa Nordestes Emergentes, da Fundaj. A pesquisadora Helenilda Cavalcanti e a fotógrafa Paula Sampaio realizaram uma expedição para descortinar esse “admirável mundo novo”. Trouxeram os registros de como a avalanche de investimentos influenciou a mudança de identidade da população nativa. 

Nas terras ocupadas secularmente pela cana-de-açúcar brotaram empreendimentos que há uma década pareciam inimagináveis em Pernambuco. “A Petrobras decidiu implantar na região um polo petroquímico integrado por uma refinaria e um complexo industrial. Hoje são cerca de 85 mil homens trabalhando em Suape (o equivalente a população de Ipojuca)”, diz José Henrique Artigas, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal da Paraíba, que substituiu Helenilda ontem na apresentação dos resultados da pesquisa. 

Sem tradição nos setores econômicas nascentes, o Estado precisou importar mão de obra de outras regiões do Brasil e do exterior. Os municípios do Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca (que sofrem influência direta de Suape) se transformaram em território de muitos sotaques e diferenças culturais. A população nativa de agricultores e pescadores foi empurrada para a periferia dos empreendimentos. 

Pelos números da diretoria de Suape, o complexo conta hoje com 105 indústrias instaladas e outras 45 em implantação. Entre 2007 e 2012 o complexo atraiu 80 companhias, com investimento estimado em US$ 26 bilhões. 
Hoje, o Seminário Nordestes Emergentes realiza o seu último dia de discussões. As atividades incluem a elaboração de uma Carta Aberta, o lançamento do Manifesto dos Museus Etnográficos e a conferência de encerramento, de Ana Maria Maud, da Universidade Federal Fluminense (UFF).




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