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PREÇOS

Donos de postos querem ampliação de investigação do CADE

Os donos de postos vão pedir ao governo que toda a cadeia do petróleo seja investigada, e não apenas os postos

Publicado em 10/02/2018, às 10h00

Presidente do Sindcombustíveis -PE diz que existem cerca de 160 distribuidoras de petróleo no País, mas três delas detêm cerca de 70% do mercado nacional / Foto: Leo Motta/JC Imagem
Presidente do Sindcombustíveis -PE diz que existem cerca de 160 distribuidoras de petróleo no País, mas três delas detêm cerca de 70% do mercado nacional
Foto: Leo Motta/JC Imagem
Editoria de Economia

Os donos de postos de combustíveis resolveram reagir em relação a decisão do Governo Federal em acionar o CADE (Conselho de Administrativo de Defesa Econômica) e a Polícia Federal para que investiguem postos de combustíveis suspeitos de manipulação de preços e formação de cartel.

O anúncio foi feito pelo ministro Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência da República, na última quarta-feira (7), e confirmado nessa sexta-feira (9) pelo Presidente Michel Temer, em entrevista a uma rádio do Rio Grande do Sul. “Vamos nos reunir com o ministro Moreira Franco no próximo dia 19, em Brasília, e pedir que o governo adote uma política mais abrangente em relação a fiscalização”, diz Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindcombustíveis-PE.

Os donos de postos vão pedir ao governo que toda a cadeia do petróleo seja investigada, e não apenas os postos. Isto inclui a própria Petrobras e, principalmente, as distribuidoras. A reunião com o ministro vai acontecer por solicitação da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), que representa cerca de 40 mil donos de postos em todo o Brasil.



Alfredo Ramos diz que existem cerca de 160 distribuidoras de petróleo no País, mas três delas, a BR Distribuidora, a Ipiranga, e a Raízen, detém cerca de 70% do mercado nacional. Alfredo Ramos provoca: - Quem tem o poder de definir preços, já que o mercado é aberto? São as distribuidoras ou nós, donos de postos? O presidente do Sindcombustíveis-PE alega que desde o mês de julho do ano passado, quando a Petrobras adotou a nova política de acompanhar o mercado internacional de petróleo, com reajustes semanais dos combustíveis, o preço da gasolina já aumentou 30% e o do óleo diesel 28%. “As reduções de preços, quando acontecem, quase nunca são repassadas pelas distribuidoras aos postos”, argumenta Alfredo.

O presidente do Sindcombustíveis -PE afirma ainda que a pesada carga tributária sobre os combustíveis também colabora para que o consumidor pague caro pela gasolina que consome. “Em Pernambuco, somente o ICMS representa 29% do preço da gasolina. Juntando a CIDE, PIS e Cofins, a carga tributária é de 44,70%”, esclarece Ramos. Segundo ele, menos de 20% do preço final da gasolina é o que sobra de remuneração para as distribuidoras, postos revendedores e transportadoras.

Distribuidoras

Para a Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural), "Não é positivo para o País que o governo interfira em questões referentes ao preço dos combustíveis, prática comum durante os governos anteriores e que teve como resultado a quase quebra da Petrobras". De acordo com a Associação, que detém junto a suas associadas aproximadamente 80% do volume de distribuição de combustíveis do País, "o mercado nacional de combustíveis é extremamente organizado, funcionando de maneira exemplar no que diz respeito a suprimento".


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