Jornal do Commercio
COMÉRCIO

A falta que faz o embalador

Consumidores não se conformam com a prática dos supermercados de “obrigar” clientes a embalar as próprias compras

Publicado em 07/04/2011, às 16h31

Do JC Online

Fazer compras tem exigido do consumidor um esforço cada vez maior. Se antes era a ginástica financeira que tirava o sono do cliente, agora é a infraestrutura oferecida pelas redes que termina fazendo o dia de ir às compras, muitas vezes, num tormento. Atualmente, a falta de embaladores nos caixas das grandes redes e as longas filas têm exigido uma atenção ainda maior na hora de pagar e embalar os produtos.

A aposentada Dulce Violeta Azevedo, de 73 anos, aproveitou o canal oferecido pelo Jornal do Commercio, intitulado de "Voz do leitor", para sugerir a discussão do seguinte tema: a falta de profissionais responsáveis por empacotar as compras nas redes de supermercado. "Eu trabalho para o supermercado? Eu sou embaladora? Tenho 73 anos e sou obrigada a embalar minhas próprias compras quando vou ao supermercado. Isso é um absurdo", reclama. Outro problema muito constante é a existência de longas filas na hora de passar no caixa. "Veja, se o caixa começa a embalar as mercadorias, demora mais para passar as compras e a fila aumenta", lembra.

Entre as redes mais frequentadas pela aposentada estão o Extra, do grupo Pão de Açúcar, e o Carrefour. "Percebi que isso ficou pior de uns três, quatro anos para cá. É uma preocupação a mais que a gente tem que ter na hora de pagar as compras. Sem contar a minha idade”. Ela comenta que, ainda esta semana, esteve em uma loja do Carrefour e questionou ao caixa quem iria embalar as compras. Como resposta, ouviu o seguinte: "o próprio cliente". "Até desculpo o funcionário. Acho que ele vive numa pressão grande, mas eu reclamo porque as empresas lucram mais as nossas custas", destacou. Na opinião da aposentada, a suposta economia gerada pela redução dessa função nos supermercados não chegou na ponta, com a oferta de produtos mais acessíveis.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Supermercados, Carlos Santana, admite que a cultura do próprio consumidor embalar as compras tem sido imposta aqui cada vez mais algo que, segundo ele, já é comum no Sudeste. "Na realidade, a gente fica preocupado até porque o embalador é a função de porta de entrada do trabalhador no setor de spermercado. Muitos que hoje exercem funções de chefia começaram embalando alimentos para o cliente. Há uma discussão na Câmara do Recife sobre o tema, de onde poderá sair um projeto exigindo um embalador para cada caixa", diz. Ele destaca que essa questão de falta de embalador é mais forte nos caixas de pequenas compras das grandes empresas.

Nos cálculos do presidente do Sindicato dos Trabalhadores, hoje no Estado cerca de 32 mil profissionais atuam no segmento. "Antes, a gente tinha uma média de oito embaladores para cada dez check outs (caixas). Hoje, acredito que a média seja de quatro a cada dez", diz ele.

Questionadas sobre o tema, as três principais redes de supermercados enviaram nota ao JC. O Carrefour, por exemplo, informou que, "prezando pelo melhor atendimento aos seus clientes, disponibiliza embaladores de acordo com o fluxo das lojas". O Walmart uma das maiores redes em operação no Estado e detentora da bandeira Hiper Bompreço diz que também preza pela qualidade de seus produtos e serviços e que "adota elevados padrões operacionais relacionados ao funcionamento de seus caixas e demais setores das unidades. A nota dizia, ainda, que conta com empacotadores em todas as suas unidades e, que em dias e horários de maior movimento, "reforça o atendimento com outros colaboradores da própria loja".

O Extra focou sua resposta no fluxo de caixa, argumentando que “caso a fila aumente, a liderança aciona os colaboradores para operação do caixa e adoção de outras medidas que promovam maior agilidade na passagem das compras pelos caixas, como apoio no serviço de empacotares, por exemplo".




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