Não precisa de sala grande nem de secretária. Investir alto na compra de equipamento muito menos. O elemento mais valioso aqui é o cérebro. Cerca de 20 jovens se juntaram em Boa Viagem para tocar o próprio negócio e apostar num trabalho resultado da mistura de ideias. A maior distância entre duas das seis empresas é de apenas duas quadras. Para algumas, dá até para se comunicar pelo que eles apelidaram de “rádio corredor”. Aurora, Medula, Bateu Castelo, Valsinha Filmes, Mooz, Golarrolê. A criatividade começa no nome e se estende na forma de fazer negócio.
Entre as atuações do grupo que fica na Ernesto de Paula Santos, uma das ruas mais movimentadas da Zona Sul, estão design, campanhas digitais multiplataformas, brand thinking e produção de áudio, vídeo e eventos. “Ninguém aqui quer ser uma coisa só. Talvez isso seja o ponto que nos une”, explica Dui Aguiar, um dos três fundadores da Aurora Creative Business, agência de branding digital, projetos mobile e design thinking. Foram eles que primeiro se instalaram no empresarial Nestor Rocha, há três anos, quando ainda eram um estúdio de ilustração. As seis empresas chegam a funcionar nos moldes de um coletivo em alguns momentos. “Somos movidos pela polivalência. Nos arriscamos mesmo é nos produtos próprios. Prestamos serviços um para os outros e vamos trocando experiência e ideias”, conta Filipe.
Atualmente a Aurora Creative Business cria e desenvolve projetos cross-media (que vão do off ao online) para Vis Research Institute, Odebrecht, Kipling, The North Face, Baterias Moura, Prefeitura do Recife, Hotel Armação e Editora Globo. Também têm projetos próprios de aplicativos para mobile e web. Eles não revelam faturamento, mas garantem que o valor já quadruplicou desde a abertura. Os números são fruto também de contratos com clientes da Alemanha e EUA e quatro prêmios internacionais.
A Bateu Castelo é uma produtora de vídeo para internet, “em que o diretor se confunde com o entrevistado, as câmeras se perdem no meio das pessoas e a edição trata de transmitir da forma mais honesta o espírito da coisa”. É formada por quatro pessoas e tem apenas um ano e meio. Mas o tempo não quer dizer muita coisa. Entre os clientes, estão Vivo Nordeste, RGA Comunicação, Coquetel Molotov e Dona Santa. Malu Donanzan e André Hora são dois dos fundadores e se juntaram para criar a Valsinha Filmes, voltada exclusivamente para casamentos. “Se for para filmar casamento, que seja algo bonito e real, sem que convidados e noivos precisem sempre posar. Queremos manter a coisa bem artesanal”, defendem. Prova disso é que não fazem mais de dois casamentos por mês. Cobram, no mínimo, R$ 4 mil.
A Medula é uma empresa de música e conteúdo, formada por três pessoas. Existe há um ano e trabalha com trilha, cinema, publicidade, games, propaganda. A formação de Vina Lima e Rafael Borges vem de São Paulo. “Cheguei a fazer trabalhos grandes lá, mas me senti na obrigação moral de retornar para fazer diferente no mercado de onde saí”, diz Rafael. “Nosso diferencial está no atendimento. Não investimos apenas na compra de equipamentos complexos porque isso podemos ter em estúdios da cidade. Queremos esse pessoal como parceiro, e não como concorrente”, esclarece Vina.
A Mooz Branding & Design, formada por três pessoas, retornou há apenas dois meses depois de uma pausa e oito anos de experiência. A proposta não é vender mídia. “Queremos conhecer o cliente, entender seu problema e propor soluções”, definem. Os clientes? Grupo Pontes, Cidade da Copa, Santander, Dela Expresso. A Mooz ficou bastante conhecida pelas ilustrações dos festivais Virtuosi, Coquetel Molotov e Recbeat.
A Golarrolê começou como uma brincadeira e já vai completar seis anos. É especializada em festas. Quem curte o circuito mais alternativo conhece: Brega Naite, Odara Ôdesce, Putz!, Neon Rocks, Maledita, Que Putz Sem Loção é Essa?. A intenção de Allana Marques e Lucas Logiovine é lançar uma festa a cada ano. E tem sido sucesso. Algumas chegam a unir mais de mil pessoas e já acontecem em outros Estados. “Abrimos o escritório para nos organizar e atender demanda de eventos corporativos”, afirma ela.
Fica até difícil distinguir a qual empresa pertence cada um. Pedro Alexandria é da Aurora e também fundou a Bateu Castelo, juntamente com André e Malu, a dupla que integra a Valsinha. Daniel Edmundson assina trabalho da Bateu e também da Mooz. Dui entrou recentemente na Medula. Estão todos juntos. E misturados.
Comentários
ACHEI TUDO ISSO UM SACO!!!
Parabéns pela iniciativa. O mercado pernambucano precisa de talentos, criatividade e ousadia para vencer os desáfios que surgem. Só espero que eles apareçam também nos esportes. No ano passado participei de uma apresentação num hotel de Boa Viagem realizada pela Petrobras e o Ministério dos Esportes para incentivo ao esporte e na ocasião eles falavam da falta de projetos no Nordeste, fazendo com que quase toda verba destinada a esses programas fossem para o eixo Sul - Sudeste. É lastimável quando vemos tantas crianças precisando desse tipo de incentivo e não temos empresas especializadas nessa captação. Em 2011 o Recife sediou o mundial de Rollersoccer, esporte que tem crescido bastante na Europa e praticamente não obteve apoio na realização. Valeu pessoal.
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