Construídos, reformados e mantidos com o dinheiro do povo do Recife, os 21 mercados públicos da capital operam à margem da lei. Os 4.195 boxes (aqui incluídos os espaços dos chamados Centros de Comércio Popular) são “repassados” a preços que variam de R$ 30 mil a R$ 130 mil. Prática ilegal, porém comum, em vigor há décadas, oficializada em cartório e aceita sem contestações pela Companhia de Serviços Urbanos do Recife (Csurb). É o patrimônio público da cidade do Recife vendido como mercadoria por alguns particulares.
O Artigo 11 do Decreto municipal nº 25.479, de outubro de 2010, legislação mais recente para os mercados, é claro: “em estando vago ou disponível espaços ou boxes nos Mercados Públicos ou nos Centros de Comércio Popular, a Csurb dará publicidade por meio do Diário Oficial do Município, a convocação dos interessados”. Diz também que, no Art. 12, que “a permissão de uso é outorgada a título precário, oneroso, intransferível”. O “intransferível”, no Recife, fica só no papel. Tem mais: a Lei Federal 8.987, de 1995, no inciso IV do seu Art. 1º, reforça que a permissão só pode ser concedida por meio de licitação. E licitação é outro instrumento que não ocorre na prática dos mercados da capital.
A farra é escancarada. Sem se identificar, a reportagem do JC iniciou uma negociação de seis boxes em três mercados diferentes. Não existe cuidado em ocultar a ilegalidade. Basta chegar em um dos locais e perguntar a qualquer pessoa se ela conhece alguém interessado em “repassar o ponto” – eufemismo para a venda. No Mercado de Água Fria, a permissionária de dois boxes avisa que é preciso desembolsar R$ 30 mil pelos espaços. O interessado tem ainda que levar a mercadoria, que seria avaliada posteriormente, no desenrolar da transação. Confira:
“Você deu azar. Esse aqui (o box de nº 20) foi repassado há uma semana”, lamenta um comerciante no Mercado de Casa Amarela. O espaço citado, em vez de abrigar uma atividade econômica ou alguém disposto a ganhar a vida honestamente no comércio popular, não passa de um depósito de entulhos. A cem metros dali, ainda no mercado, uma permissionária confirma o interesse em vender suas permissões e pede R$ 60 mil em dois boxes, hoje utilizados como restaurante. Há até espaço para pechincha. “Vou falar com meu marido se dá para baixar.”
A terceira e última transação é referente a dois boxes no Mercado de Afogados. O pedido é de R$ 130 mil.
Para selar a transação todos os permissionários afirmaram não haver nenhuma dificuldade na Csurb, que deveria fazer cumprir a lei. Basta “oficializar” a venda em um cartório e se dirigir ao órgão. Lá, o atual dono da permissão informa a desistência e manifesta o desejo de repassá-la para o comprador. O servidor público só assina, sem questionar, sem informar que outras pessoas esperam por uma oportunidade no mercado há meses, sem lembrar que a lei proíbe esse tipo de negociação.
Conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Leonardo Accioly explica que a prática é um desrespeito às leis municipais e federais por parte dos agentes públicos, no caso a equipe da Csurb. “Moralidade, segurança e eficiência são princípios que precisam ser obedecidos pelo servidor público. Desconfiar de práticas irregulares e não coibi-las é faltar com seu dever. As permissões no Brasil exigem a realização de um processo licitatório para que sejam outorgadas. A ausência desse processo, ou seja, conceder a permissão a ‘x’ e não a ‘y’ sem qualquer critério é prevaricação. É condenável e ilegal”, resume.
Em 2011, a Csurb recolheu R$ 1.595.252,00 dos seus permissionários (os valores são pagos por mês e variam de R$ 5,48 a R$ 11,28 por metro quadrado de box, a depender do mercado). O valor é apenas 8,7% das despesas administrativas do órgão, segundo Balanço Patrimonial divulgado em abril deste ano. A maior parte dos gastos com pagamento de pessoal, manutenção regular e reformas dos mercados saem do bolso do cidadão. Aquele que confiou no poder público da cidade para cuidar do seu patrimônio. Mas este, o poder público, ao fechar os olhos para as irregularidades, só beneficia uma pequena minoria.
Comentários
BOM DIA , É SÓ UMA PERGUNTA , O QUE ACONTECE COM A PESSOA QUE COMPRA O BOX , JUDICIALMENTE FALANDO.
FELIPE LIMA , PARABENS . Seu comentaio foi excelente mostrou a realidade e a verdade do que ocorre em um orgao da Prefeitura do Recife, a CSURB. Embora, os demais setores , tambem existam muitas roubalheiras, alem de ineficiencia, incompetencia ,arrogancia e falta de gentileza. Muito "funcionarios" sao afilhados de maus politicos. E o "prefeito" ? E o Secretario de Financas ? E o Diretor da CSURB ? NAO sabem do que ocorre ? Quanta "inocencia" . POR QUE , o autor desta materia , nao OS entrevistou ? Devia ter investigado , o assunto e muito serio ,muito importante, para os contribuintes e o povo em geral . ROUBAREM nosso dinheiro ? EU nao aceito. MAS , os contribuinres e o povo, aceitam tudo calado . E inaceitavel ,aceitarem caldo roubarem nosso dinheiro. Alem do absurdo, de nao respeitarem o Decreto Municipal 25.479 , Artigo 11 , ainda os Cartorios colaboram com o roubo. Que pais e esse ??? E o que irrita mais e , esta roubalheira ( nao e farsa, como escreveu o autor da materia) e ESCANCARADA. Para selar a transacao todos os permissionariosafirmaram ,NAO haver nenhuma dificuldade na CSURB . Conivencia com o roubo. Por que ? a CSURB, devia cumprir a LEI. E o pior , basta oficializar a venda em um CARTORIO e se dirigir a CSURB . O Conselheiro Federal da OAB -BRASIL , sr.Leonardo Accioly , declarou que, MORALIDADE , SEGURANCA e EFICIENCIA , sao principios que precisam ser OBEDECIDOS pelo servidor publico . E CONDENAL e ILEGAL. MAS , no BRASIL, e ACEITAVEL E LEGAL. Moralidade , seguranca e eficiecia , os funcionarios publicos brasileiros OBEDECER ? NUNCA , JAMAIS. Deve haver contribuintes e clientes dos Mercados publicos ,no BRASIL, que confiam no poder publico da cidade ,para cuidar do seu patrimonio , so se for os otarios ,os babacas . Os poderes publicos fecham os olhos para as constantes irregularidades . E, abrem para receber as propinas e outras maneiras ilicita de ganhar dinheiro. Roubar as verbas publicas , nao sao so os politicos que fazem. A maioria do roubos, acontecem nos orgaos publicos. A campea mundial e a previdencia social. MUDAR ? JAMAIS . A culpa ? Da maioria dos "eleitores" que perpetuam os politicos ladroes e mentirosos . E o retrato do BRASIL e da maioria dos brasileiros. Esta no sangue, esta enraizado. ISTO E BRASIL. EU "confio" no " trabalho " dos orgaos publicos brasileiros. EU " confio " na "honestidade " dos orgaos publicos brasileiros. EU tenho " orgulho " de ser brasileiro. EU "confio" na "cultura" ,na "educacao" , na "moral" , da maioria dos recifenses. EU " confio" que nao existem recifenses invejosos ,despeitados, difamadores e "caranguejos" . " Gosto muito " da maioria dos recifenses. ENTENDAM , eu escrevi , MAIORIA . Por que ? Os "genios" que escrevem seus "comentarios" , devido NAO entenderem ,ficam me agredindo. Considero NORMAL, por que , conheco os recifenses, sou recifense. A cidade e linda ,mas o povo ,em sua maioria e uma lastima. Comentario Cadastardo com SUCESSO ! Assim Seja. GRATO. SUCESSOS. ABRACO SINCERO. , porque sou sincero. ITO CAVALCANTI CALIFORNIA, U.S.A. .
O PODER PUBLICO NÃO QUER PERDER TEMPO ADMINISTRANDO NADA, ESSES MERCADOS SÃO VERDADEIRAS POSSILGAS,ONDE É QUE SR $ 10,00 REAIS DE CADA PERMISSIONÁRIO IRÁ MANTER UM SERVIÇO DESCENTE E ORGANIZADO, POR QUE NÃO CALCULAR UM REAJUSTE E ELEGER UM SINDICO P/ ADMINISTRAR ESSA VERGONHA.
Comentar
Prédio em Água Fria cede, apresenta rachaduras e moradores saem às pressas
Esperança na melhora do desempenho rubro-negro
Ney Matogrosso traz Atento aos sinais, espetáculo com proposta dançante
PCdoB questiona Eduardo Campos
Ciclista que perdeu braço em atropelamento receberá implante biônico
Grand Siena ganha série especial caprichada
Torreão é opção para famílias Especiais JC