Se para crianças e adolescentes as férias são sinônimo de muita diversão, para os pais podem significar um certo desespero. Com mais tempo livre, os filhos requerem mais atenção e mais dinheiro para o lazer. E não é barato. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o preço dos principais produtos e serviços consumidos nessa época subiram acima da inflação. Toda a “brincadeira” acaba pesando no orçamento: de acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), o aumento das despesas familiares com o recesso das aulas pode chegar a 30%.
Para a professora Josilene Gonçalves, 30 anos, o pequeno alívio com o fim dos gastos diários com os lanches da escola não compensam, nem de longe, o salto das despesas. Ela calcula que, considerando somente o lazer, os valores dobram, chegando a R$ 600 no mês de julho com seus dois filhos, João, 3 anos, e Letícia, 7.
O impacto no bolso independe da disponibilidade da renda. Pais com diferentes orçamentos não fogem à regra. “Se eu fosse pensar quanto vou gastar, acho que eu não gastava”, comenta a agente de saúde Silvana Moura, 44 anos. Ao lado de Kalline, 6 anos, e Kelton, 10, ela acredita que vai gastar R$ 140 este mês. “Quando eles estão tendo aula a gente não sai”, conta a mãe, que divide o esforço do gasto entre pagamentos à vista e no cartão de crédito.
Além do valor individual para cada filho e cada adulto responsável nos passeios, o bolo dos gastos das férias cresce com a compra de mais comida para casa e com o aumento do preço dos produtos e serviços. O levantamento da FGV mostra que os itens alimentícios comumente consumidos pelas crianças encareceram, em média, 6,6%. Nos serviços, esse percentual foi de 5,61%. O índice geral, cuja medição inclui o Recife, foi de 5,37% (junho de 2011 a julho deste ano). As altas mais significativas ficaram com refrigerantes e água mineral (9,36%), cinema (8,18%) e hotel (11,72%).
“Isso fora estacionamento, gasolina e outros gastos que a gente tem”, lembra a empresária Angélica Pontual, 36 anos, que tem três filhos pequenos. Ela calcula que gasta cerca de R$ 90 por saída quando vai ao cinema. “Já defini que não tem mais pipoca na hora do filme. Espera o lanche que vem depois”.
ALTERNATIVAS - Vendo o volume de dinheiro investido nas férias aumentando ano a ano, desta vez Angélica montou uma colônia de férias no próprio condomínio para equilibrar diversão e contenção. Durante este mês, 32 crianças de dois a 12 anos participam das atividades vespertinas, três vezes por semana, por R$ 170 o mês. Uma equipe especializada foi contratada para o serviço. “Nos outros dias, sempre que dá, a gente sai para passear, mas a economia com a colônia é muito boa”, comemora a empresária.
Professora de economia doméstica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Fátima Macena aconselha que os pais não precisam abrir mão de programas mais caros, como o cinema, mas que sempre procurem alternativas baratas. Entre elas, opções gratuitas em parques e museus; fazer almoços e sessões de filmes na casa de amigos e parentes; e levar o lanche de casa quando for possível. “Na verdade, o que a criança quer é brincar, não o passeio caro ou o brinquedo supermoderno como a mídia a faz acreditar”, comenta a especialista.
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