Ex-funcionários de uma das maiores empresas nacionais da história do Brasil, cerca de 10 mil aposentados da Varig amargam hoje uma rotina de desrespeito. Desde que a empresa quebrou, em 2006, passaram a receber valores até 92% menores de suas aposentadorias complementares, custeadas pelo Fundo de Previdência Aerus. A briga para receber o que lhes é de direito chegou à Justiça, onde saíram vitoriosos no dia 13 de julho: a União foi intimada a pagar os benefícios integrais. A data para o primeiro pagamento já passou (foi na última sexta-feira, dia 02), o governo federal não pagou e restou aos aposentados protestarem na última terça-feira, em cinco capitais brasileiras.
Em Pernambuco, a mobilização ocorreu na área de desembarque do Aeroporto Internacional do Recife - foram registrados atos semelhantes também em Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro e São Paulo. Dezenas de aposentados e parentes de ex-funcionários já falecidos ou em condições graves de saúde empunharam faixas e bradaram “queremos nosso dinheiro”. No Estado, as estimativas do Sindicato dos Aeroviários de Pernambuco são de que 200 aposentados convivem com benefícios complementares que mais ofendem, que ajudam.
O desgosto foi tão grande para Bianor Pessoa Júnior, que já ocupou a cadeira de subgerente nacional e internacional de voos, que seu coração não suportou. Infartou duas vezes. Deveria, além da aposentadoria paga pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), receber R$ 2.000 do Aerus, fundo para qual contribuiu por 32 anos e meio com até o equivalente a 20 salários mínimos em algumas épocas. Hoje, recebe mensalmente R$ 190. Sua saúde está de tal maneira debilitada que não pôde comparecer ao protesto ontem. Foi representado pelos três filhos e esposa.
"Muitos tinha um padrão de vida alto, esperavam estar recebendo R$ 4 mil de previdência complementar e só têm R$ 300. Isso não banca os custos com remédios, por exemplo. São vários casos de pessoas que cometeram suicídio ou sequer conseguiram pagar gastos com internações, vindo a falecer por isso", desabafou o presidente do Sindicato dos Aeroviários de Pernambuco, Luiz Pedro Lucena.
Advogado do escritório Castagna Maia e representante do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Lauro Thaddeu Gomes explica que a 14ª Vara Federal de Brasília reconheceu que a União [/TEXTO]tinha culpa na quebradeira do Aerus, pois, através da antiga Secretaria de Previdência Complementar (SPC), hoje Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), deixou de fiscalizar a saúde do fundo. Assim, determinou que a União pagasse a folha de beneficiários do Aerus, com os valores corretos. A ação civil pública movida pela entidade, em 2004, estipulava como valor total de indenizações, R$ 4,5 bilhões.
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