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Lanchonete

Come-Come não resite à concorrência e fecha as portas

Reconhecida pelo seu lanche da madrugada, a lanchonete também sentiu a diminuição de clientes por causa da Lei Seca

Publicado em 24/07/2013, às 12h10

Leonardo Spinelli

A forte concorrência no setor de lanchonetes, aliada à Lei Seca, decretaram o fim de uma das marcas mais conhecidas do segmento no Recife. Domingo passado foi o último dia em que a Come-Come recebeu seus clientes. Na segunda-feira, o estabelecimento que criou fama por causa de seu lanche da madrugada anoiteceu fechado, depois de 28 anos de atividades na Avenida 17 de Agosto, em Casa Forte. “Era necessário fazer investimentos para enfrentar a concorrência, que cresceu muito desde que lancei a lanchonete. Eu não estava mais disposto a isso”, explica o proprietário da marca, Cláudio Silveira. 

Ele diz que vai voltar à sua profissão de engenheiro e que pretende vender a marca. O ponto já foi repassado. “A marca Come-Come é muito simpática e tem apelo de um negócio grande. Temos a mascote que é muito querida pelo público e tem um forte recall. É fácil de se fazer, mas precisa investir”, diz. 

Uma amostra de que a marca faz parte da memória afetiva do recifense pode ser vista nas redes sociais. Diversos internautas postaram comentários sobre o fim da lanchonete, que teve seu auge na década de 80 e início dos 90 e chegou a competir em pé de igualdade com gigantes como a Mc Donald’s e Pizza Hut, com ampliações para outros endereços, incluindo uma loja no Shopping Guararapes.

O problema para o empresário é que o sentimento de carinho do recifense pela lanchonete não estava se revertendo em vendas. “Todo mundo conhece a Come-Come, mas se perguntar há quanto tempo não ia lá, a resposta é seis meses, um ano. Quando todo mundo conhece, você perde a visitação para as novidades. Sempre tem loja nova e todo mudo quer conhecer. Isso dificulta a operação”, disse.

O destaque da loja sempre foi o sanduíche Come Milho (hambúrguer de carne com recheio de creme de milho). Mas desde a década de 80 a criação foi copiada por outras lanchonetes e a partir da década de 2000 o setor virou praticamente uma praça de guerra na briga pelo cliente, numa batalha que não respeita nem as altas horas da madrugada. “Quem imaginaria que a Mc Donald’s iria ficar aberta durante toda a noite com o seu drive-thru? Além disso, a concorrência está muito pesada. Num raio de 500 metros, tem Subway, Burguer King, Laça Burguer, Bugaloo.”

O empresário diz que a Lei Seca também diminuiu bastante o número de clientes da madrugada, horário tradicional para matar a fome dos baladeiros, que escassearam com medo das blitze. Pesou também a idade de Cláudio, que está com 54 anos, já é avô e quer se dedicar mais à família. “Cansei de estar ligado mais de 15 horas por dia.” 

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