Jornal do Commercio
CARNE FRACA

Consumidores com receio de comprar carne no Recife

A falta de informação sobre quais marcas estão comprometidas causa dúvidas na hora da compra

Publicado em 18/03/2017, às 15h16

Nas gôndolas dos supermercados do Recife produtos investigados pela PF continuam expostos / Foto: Marcela Balbino/JC
Nas gôndolas dos supermercados do Recife produtos investigados pela PF continuam expostos
Foto: Marcela Balbino/JC
JC Online

“Alô, qual a carne posso levar? Qual a marca que disseram que estava estragada?”. O diálogo por telefone era entre uma consumidora e o esposo em um supermercado no Recife. As dúvidas com a falta de informaçãos transpareciam na hora da escolha e ela acabou levando peixe ao invés da carne vermelha.

O sentimento é reflexo imediato da operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal anteontem, que atingiu os maiores frigoríficos do País e levantou suspeitas sobre o pagamento de propina a fiscais do Ministério da Agricultura para liberar produtos estragados e com certificados sanitários adulterados.

A reportagem do JC percorreu três supermercados de redes diferentes e os produtos das marcas envolvidas na investigação – JBS, dona da marcas Friboi, Seara e Big Frango, e a BRF, à frente da Sadia e da Perdigão – continuavam expostos nas gôndolas.

Segundo os gerentes das lojas, que conversaram com a reportagem sob a condição de não terem os nomes divulgados, não foi repassada nenhuma orientação sobre a retirada dos produtos. Eles acreditam que a fiscalização dos órgãos de controle deve aumentar a partir da segunda-feira.

No setor de embutidos a desconfiança é ainda maior e alguns clientes faziam várias perguntas para os funcionários antes da compra. A aposentada Severina Alves, 64 anos, preferiu não arriscar e levou peixe ao invés da charque.

“Eu fiquei com medo, vou pensar antes e depois vou comprar. Vou ver quais estão liberadas. Por ora, comprei peixes e ovos. Fiquei com medo ao ver a cor da carne, a qualidade”, disse ela, acrescentando que uma das favoritas na hora da feira era a charque da Friboi.

A professora Hilda Santos, 59 anos, percorria o setor de frios de um supermercado na Zona Norte e olhava os preços e as marcas dos itens. Ela passou pelas carnes, pegou e preferiu levar o frango.

“Não sou a maior fã de carne e agora é que vou ficar um tempo sem comprar mesmo. São muitas marcas envolvidas e, às vezes, você compra e não vê claro o nome da empresa”, afirmou. “É um absurdo, indiretamente eles são assassinos por fazerem isso. Eles brincam com a saúde dos outros”, criticou.

A solução encontrada pela administradora Fátima Cabral, 60 anos, foi procurar uma marca que não estava citada na investigação da Polícia Federal. “Vi a lista e tentei comprar uma que não tivesse sido citada, porque não quero deixar de comer carne”, comentou. 

CADÊ INFORMAÇÃO?

A falta de explicações sobre as marcas investigadas e os malefícios que podem trazer à saúde do consumidor também se estende para os órgãos de controle. Nos sites dos órgãos nacionais de fiscalização, como o da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não há qualquer referência sobre os casos.

A operação Carne Fraca investiga 30 empresas, incluindo fornecedoras de grandes frigoríficos. Suspeita-se que elas estavam envolvidas em organização criminosa formada por fiscais agropecuários federais e as próprias empresas que, entre outros atos ilícitos, colocam à venda nas gôndolas dos supermercados carnes podres maquiadas com ácido ascórbico, um produto potencialmente cancerígeno.

No âmbito nacional, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) orientou seus associados a dar prioridade à “qualidade e à segurança na comercialização dos alimentos vendidos em todas as lojas do Brasil”.

Recomendados para você


Comentários

Por leandro,22/03/2017

um vez comprei 5 pacotes carnes há vácuo quando foram abertos pacotes,todas crnes cheiro podres tomei o prejuízo e joguei fora as carnes.

Por ED1960,19/03/2017

Na verdade as carnes bovina,aves.já causam problema faz muito tempo. a quantidade de hormônios, que as empresas colocam para a engorda é o suficiente para causar problemas no organismo humano.e não nos esqueçamaos da carne de porco. outra totalmente perigosa.

Por Valderico Venancio da silva ,19/03/2017

E uma vergonha porque pagamos tão cara essa carne e eles fazem uma covardia com nosso povo

Por socram,18/03/2017

Srs. do JC: obrigado pela informação. os SRS. fazem a diferença...



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

A crise que adoece A crise que adoece
Além dos índices econômicos ruins, a recessão iniciada em 2014 no Brasil cria uma população mais doente, vítima do estresse causado pela falta de perspectivas. A pressão gera problemas psicológicos e físicos, que exigem atenção.
Agreste seco Agreste seco
A seca colocou de joelhos uma região inteira. Fez o Agreste sertanejar. Os cinco anos consecutivos sem chuva em Pernambuco ganharam aqui a dimensão de uma tragédia. Silenciosa e diária.
#PeloCaminhar #PeloCaminhar
Mais do que mobilidade, caminhar também é apropriar-se da cidade. Mas o caminhar está difícil. A mobilidade a pé necessita de uma infraestrutura própria, decente, que eleve o pedestre ao posto maior. Por isso o JC lança a discussão #PeloCaminhar.

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM