Jornal do Commercio
DIA DAS CRIANÇAS

Festas infantis: um mercado sem medo de crise

Em Pernambuco, o setor passa pelo empreendedorismo de quem está em busca de melhores rendimentos, super-heróis e festas de aniversário de quase R$ 15 mil

Publicado em 12/10/2017, às 08h30

Opções não faltam para quem quer investir no mercado / Foto: Reprodução
Opções não faltam para quem quer investir no mercado
Foto: Reprodução
JC Online

Com um mercado inteiro voltado para elas, as crianças já representam cerca de 20% da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foco de um segmento que já movimenta bilhões em todo o País, seja através da alimentação, vestuário ou educação, os pequenos também têm feito com que os pais sejam generosos quando o assunto é festa. Em Pernambuco, o setor que parece não sentir qualquer sinal de crise, passa pelo empreendedorismo de quem está em busca de melhores rendimentos, super-heróis e festas de aniversário com 'conceito prime' que podem chegar a quase R$ 15 mil.

Há 12 anos no ramo, a Jungle, recepção para eventos, começou com apenas duas lojas pequenas em shoppings do Grande Recife. Com as solicitações contantes de pais que, além de deixar os filhos no espaço enquanto iam às compras, queriam fazer aniversários, a empresa abriu o primeiro salão de festas infantis em meados de 2007. A partir do novo empreendimento, a marca chegou a contar com 6 unidades na capital."Sempre houve muita solicitação para fazer festa. Em 2015 - no ápice da crise -, tivemos que aprimorar. Foi preciso enxugar os custos para manter o mesmo lucro. Dos estabelecimentos, comecei a reduzir e chegamos a uma única unidade com o 'conceito prime'", afirma a empresária Mariana Castro e Silva, 43.


Galeria de imagens

Legenda
Anteriores
Próximas

Apesar dos cortes, a receita da empresa conseguiu seguir estável. Se antes havia pacotes de festas que atendiam as classes A, B e C, o foco passou para o público A e B, com a redução de 200 funcionários, entre fixos e diaristas, para cerca de 20. "Escolhemos focar em quem quer o melhor. Uma festa na Jungle chega a custar R$ 9 mil, valor que pode ser encarecido em cerca de R$ 5 mil caso os pais queiram filmagens ou lembrancinha", atesta. A casa já começou a fechar festas para 2018, com direito a chefe de cozinha para produzir um cardápio que vai desde os tradicionais salgadinhos a gratinados, frutos do mar e filé."Agora dispomos de rodízio de pizzas, tirolesa, mesa de crepes e até um circuito de arvorismo. Vivemos um melhor momento, com reservas até sete meses antes", explica Mariana.

Foto: Sacafoto/Divulgação

 

Super-heróis

Também antenado nas oportunidades do mercado infantil, Fábio Batista, 42, abandonou o trabalho como segurança e abraçou o mundo da animação em eventos."Comecei há cinco anos e não consigo mais ter folgas aos fins de semana, mas o retorno financeiro foi bem melhor. Fiz capacitações na área de marketing e recreação; montei uma equipe com cerca de 22 pessoas que fazem 60 personagens", comenta.



Vestido de Batman, uma fantasia importada que custou R$ 6 mil, ele comanda a Heróis-PE, que conta com o Super-Homem, Thor, Homem de Ferro, Mulher Maravilha e outras dezenas que mexem com a imaginação da criançada."80% das minhas fantasias são importadas. As mais caras giram em torno dos R$ 8 mil (Homem de Ferro) e R$ 10 mil (Transformers). Este ano, até esta semana do Dia das Crianças, foram 362 eventos só em 2017", conta. Com investimento gradual de mais de R$ 100 mil, Fábio começou com apenas uma fantasia. Atualmente, cada personagem é "alugado" por R$ 400 e passa em torno de 3 horas em cada festa. "Não tenho do que reclamar. Este ano, cheguei a recusar pedido. Os pais fazem o possível e o impossível", comemora.

De acordo com o analista do Sebrae, Vitor Abreu, o empresário que aposta no público infantil precisa, sobretudo, estar atento à nova dinâmica do mercado."Os motivadores do consumo são os desejos das crianças e os pais que são influenciados. É preciso saber dialogar com esses e atender os desejos dos pequenos, sem estar preso a valores de uma época".

Música

Apostando nessa evolução veloz, o musicista Bruno César Andrade Souza decidiu, em 2011, juntar o útil ao agradável da profissão. Popularmente conhecido como o Tio Bruninho, a cada apresentação ele arrasta uma verdadeira legião de crianças nos eventos por onde passa com sua equipe de quase 16 pessoas."Comecei no setor infantil dando aulas e passei a compor porque o que existia na época não era de fácil compreensão dos pequenos. A gente começou com um cachê de R$ 700 e hoje a marca do Tio Bruninho já vale quase R$ 2 milhões", enfatiza. Dentre os produtos, o artista já contabiliza quase 45 mil cópias vendidas entre CDs e DVDs, uma escola de música, uma loja especializada na venda de produtos do Tio Bruninho e, até o ano que vem, um complexo de artes que ofertará aulas de música, teatro e dança. "Eu enveredei por um caminho diferente, foquei no público A e B e tive retorno. O mercado não tem mais espaço para amadores, tudo se profissionalizou", argumenta Bruno.

 

Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Empreendedorismo

Na outra ponta do mercado, contando apenas com a renda do marido para quitar os débitos em casa, Elizabeth Freire, 37, mãe de três filhos, também resolveu empreender e criou a 'Vamos Brincar'. Acostumada a montar aniversários da própria família, ela decidiu investir cerca de R$ 10 mil na compra de cama elástica, máquinas de algodão doce e pipoca visando ao aluguel dos equipamentos em festas."Sempre gostei de trabalhar com crianças. Por mês, tenho festas durante 3 ou 4 fins de semana. Não tinha nenhuma renda em 2012, mas hoje, por baixo, tenho uma média mensal de quase um salário mínimo". Com a ajuda dos familiares, ela utiliza o próprio carro para se deslocar pela Região Metropolitana do Recife para atender aos clientes com serviços a partir dos R$ 100.


Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Prêmio ISS Recife Prêmio ISS Recife
Principal item da receita própria dos municípios, o Imposto Sobre Serviços (ISS) entra no cofre das prefeituras tanto para custear despesas quanto para viabilizar investimentos nas cidades.
#ConexãoPelaVida #ConexãoPelaVida
Há quase dois séculos, o Real Hospital Português mantém a sua atenção voltada para o bem-estar dos pacientes. Conheça um pouco mais sobre a instituição médica que aos 162 não para de se modernizar
Agreste Empreendedor Agreste Empreendedor
O Agreste pernambucano é a região que mais cresce em Pernambuco. E, por incrível que pareça, a força motriz que puxou esse desenvolvimento foi o empreendedorismo.

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM