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PÚBLICO BAIXO

Campeonato Pernambucano não tem torcida e estádios estão as moscas

Estadual tem o menor público desde 2014

Publicado em 15/04/2017, às 15h14

Campeonato Pernambucano não tem mais o brilho de outrora / Guga Matos/JC Imagem
Campeonato Pernambucano não tem mais o brilho de outrora
Guga Matos/JC Imagem
Matheus Cunha
mfacunha@outlook.com

Não é só dentro de campo que o Campeonato Pernambucano está caindo pela tabelas. O movimento declinatório também é visto do lado de fora, nas arquibancadas. Longe de ter um primor de técnica em seus jogos, o Estadual está perdendo a cada ano mais público. Só em 2017, a queda em relação a 2016 foi de 15%. Enquanto que 111.862 pessoas foram aos estádios no ano passado, apenas 94.733 estiveram nas arquibancadas das partidas do hexagonal do título do Campeonato Pernambucano nesse ano, totalizando uma pífia média de 3.157 torcedores por jogo. Mesmo com as baixas, a expectativa que o cenário melhore com o início das semifinais da competição neste final de semana. As decisões são um atrativo a mais para, quem sabe, fazer crescer o número de torcedores em campo.

Estádios vazios, praticamente sem torcida, foi a grande marca do Pernambucano desse ano. Alguns fatores podem ser elencados para tal encolhimento numérico. Preço dos ingressos, insegurança nos estádios, falta de qualidade técnica dos times, regulamento injusto... Tudo contribue para o problema.

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Se compararmos com anos anteriores, a diferença se torna gritante. Esta é a menor média de público em, pelo menos, quatro anos. Para se ter ideia, o total conseguido em 2014 é mais que o dobro do que em 2017. 289.445 pessoas foram aos 30 jogos do hexagonal do título naquele ano, gerando uma média de 9.648 pessoas a cada partida.

O maior público até agora em 2017 foi de 12.408 pessoas, no clássico entre Santa Cruz e Sport, no Arruda, pela quarta rodada. Contudo, a maior receita líquida aconteceu em outro Clássico das Multidões, desta vez na Ilha do Retiro, pela oitava rodada, quando foram arrecadados R$ 120.857.

Já na parte de baixo, o menor público registrado chega a ser irrisório. Aconteceu na partida entre Central e Belo Jardim, pela quinta rodada, quando apenas 107 pessoas compareceram ao estádio Antônio Inácio, em Caruaru. A renda desse jogo também é lastimável, com R$ 390 arrecadados.

Segundo os borderôs de cada jogo, disponibilizados pela própria Federação Pernambucana de Futebol (FPF), sete partidas deram prejuízo nesta temporada. Totalizando um rombo de R$ 18.920. Vale ressaltar ainda que há outras despesas que não entram na conta, como manutenção da praça esportiva e pagamento de funcionários que trabalham no jogo.



“Só para ter ideia, quanto maior a renda, maior o custo. Quanto mais a gente ganha, mais a gente paga para a federação. Nos três últimos jogos no Arruda, tivemos uma despesa média de R$ 51.200 em cada partida. Mas isso engloba tudo, a despesa fixa e a variável. Só de despesa fixa, para abrir o estádio, é algo em torno de R$ 36 mil a R$ 45 mil a cada partida”, disse Alexandre Carvalho, diretor administrativo do Santa Cruz.

Resta saber agora se, com a fase decisiva batendo a porta, o Campeonato Pernambucano resgate o brilho e a torcida de outrora.

PROMOÇÕES PARA ATRAIR TORCIDA

A situação dos estádios vazios preocupa os clubes que estão nas semifinais do Campeonato Pernambucano. O Santa Cruz, por exemplo, lançou uma bilheteria móvel, que irá vender ingressos pelas ruas da Região Metropolitana do Recife para as semifinais do Campeonato Pernambucano e do Nordestão. Outra medida do tricolor foi a de fazer casadinhas dos ingressos, a R$ 15, para os jogos das duas competições.

Já o Salgueiro também tende a apostar nas promoções dos bilhetes. Na última partida do hexagonal, contra o Belo Jardim, em casa, o Carcará colocou os ingressos a R$ 1 para quem era sócio do clube. O resultado foi o maior público dos sertanejos no ano, com 3.179 pessoas no estádio Cornélio de Barros. Agora, para o segundo jogo contra o Santa Cruz, pelas semifinais, semana que vem, o clube colocará os ingressos a R$ 10 para quem comprar de maneira antecipada.

“A gente está tentando de todas as maneiras levar o torcedor para o estádio. Sabemos que o povo está sem condições financeiras para ir a campo e o futebol é um lazer, não é obrigação. A expectativa é que o público aumente agora com as semifinais. Vamos enfrentar um time de grande torcida, que é o Santa Cruz. Acho que teremos entre seis mil a oito mil pessoas no Cornélio de Barros na semana que vem”, frisou José Guilherme, presidente do Carcará.

Náutico e Sport fizeram apenas promoções pontuais. Não há uma campanha constituída, apenas descontos em ingressos comprados de maneira antecipada.


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Comentários

Por GCS,16/04/2017

O POVO NÃO É TÃO TROUXA COMO VCS PENSAM!!! ONTEM O TIME DO CANAL FOI BENEFICIADO DE NOVO COM UM PENLATY ROUBADO, REPITO, ROUBADO....NINGUÉM AGUENTA ESSA PALHAÇADA...SEM FALAR NO NIVEL DO FUTEBOL CHINFRIM...

Por Sérgio Dias,16/04/2017

Começa pelo próprio torcedor que emite comentários discriminatórios. Observei um comentário em que o escritor deve ser torcedor do Náutico, porque ao citar o seu time, o faz em letra inicial maiúscula, ma ao citar o Sport e o Santa Cruz, simplesmente o faz com letras minúsculas. Como o mesmo escreve bem, não acredito em erro de grafia e assim somente resta a possibilidade de ser erro de torcedor. Outra coisa, é o seu desconhecimento, pois na Ilha do Retiro tem sim acesso para deficientes. Passando ao ridículo público, posso afirmar que eu, apesar de morar muito próximo à Ilha do Retiro, não me arrisco a sair de casa às 21:45 hs para assentir uma partida de futebol e principalmente porque a volta será depois da meia-noite. É por demais sabido que as nossas autoridades o que menos têm é exatamente AUTORIDADE e assim o bandido, o marginal faz e desfaz e não lhe acontece NADA. Também não vou assentir jogos de péssima qualidade, onde os times grandes não vão colocar seus jogadores caros para ficarem disputando jogos com times reconhecidamente inferiores, onde para eles o jogo é o da vida e para os grandes é apenas mais um jogo onde tem que se precaver de contusões em razão de terem que jogar outros campeonatos. Enfim, acho que tá na hora de se repensar a continuidade desse campeonato sem sentido.

Por Flávio Ramalho,15/04/2017

Em 2018 temos que descobrir novos talentos, um campeonato c/ os 3 grandes jogando c/ sub-23 e apenas 2 jogadores acima de 23 anos, enquanto os outros clubes poderiam jogar c/ jogadores de qualquer idade, no 1.turno jogos apenas de ida , no 2.turno um quadrangular c/ jogos de ida e volta.

Por Alexandre,15/04/2017

A desorganização começa pela CBF, e chega as Federações que juntos com as empresas de televisionamento mandam no futebol, "é do jeito que eles querem" não estão se importando com o torcedor e o público de um modo geral. Há muito deixei de ir aos estádios como também assistir pela tv jogos seja qual for de onde for, não vejo mais atrativos para perder meu tempo, com um futebol de péssima qualidade, com árbitros fazendo acontecer e sem punição, dirigentes que não pensam no clube e sim quanto vão ganhar com a negociação de jogadores, etc.

Por Alexandre Brito,15/04/2017

O campeonato Pernambucano pode ser batizado de "Torneio da Fome", inspirado no central de caruaru, que veio jogar com o Náutico, com os atletas sem o direito de uma refeição digna para entrar em campo. Mas, a culpa de tudo isso é a FPF: 1) Campeonato Série A-2, atrai cerca de mais 40 cidades que desejariam incluir um time no campeonato. Time este, de origem "sentimental" ou "política" para representar a imagem do município. Após a reunião de esclarecimento do Regulamento, apenas a metade ficam para disputar duas vagas na série A-1 e sonhar em jogar com Náutico, sport e santa Cruz. 2) Após a classificação para a série A-1. A FPF dita o regulamento injusto, porque os times de menor conceito no futebol, terão quue disputar entre si, quais dos três terão direito, mais uma vez falando, em jogar com o "trio de Ferro" do futebol pernambucano. 3) Estádios do interior são vistoriados pela FPF, CREA, CORPO DE BOMBEIROS, POLICIA MILITAR e são aprovados. Ex. O Estádio da Ilha do Retiro não tem rampas para acesso de pessoas com necessidades especiai. 4) Quando passam a ter o direito de jogarem com os grandes da capital, a FPF descobre que os Estádios do interior não tem condições de sediarem os espetáculos e toda uma região é prejudicada, porque não despertarão recursos locais, nem desenvolvimento com o comércio e a indústria local, geradora de empregos e rendas. E aí estes clubes vem jogar na capital, com times reservas, demonstrando, total desinteresse em fazer do torneio uma disputa banal. 4) Os grandes são blindados pela FPF e os pequenos se prejudicam. Conclusão: Estádios vazios, problemas de mobilidade, segurança, jogos tarde da noite e desinteresse geral, par um campeonato que, realmente "passa fome" e vive de esmolas. Minha sugestão, seria transformar o Pernambucano num torneio SUB 23, afim de descobrir talentos e de forma igualitária,todos os clubes, de todo Estado pudesse se transformar num celeiro de craques, torcidas e cidadania



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