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História das Copas

Copa de 1930: Uruguaios celebram título em casa

Primeira Copa demorou quase três décadas para acontecer após a sua idealização

Publicado em 14/01/2018, às 11h05

Seleção uruguaia já tinha dois títulos olímpicos e celebrou o fato de ser a primeira equipe campeã de uma Copa / Divulgação
Seleção uruguaia já tinha dois títulos olímpicos e celebrou o fato de ser a primeira equipe campeã de uma Copa
Divulgação
Luana Ponsoni
esportes@jc.com.br

Para os amantes do futebol, a ansiedade costuma ser grande. Afinal, são necessários quatro anos até a chegada da próxima Copa do Mundo. Em meio às expectativas para o torneio deste ano, na Rússia, muitos nem imaginam que a primeira edição do evento demorou duas décadas e meia para deixar de ser uma ideia e virar realidade. Antes da concretização da Copa de 1930, no Uruguai, a Fifa amargou um imenso fracasso ao tentar organizar o Mundial em 1905. Apenas depois que o francês Jules Rimet assumiu a presidência da entidade, em 1920, é que se atingiu o cenário favorável à estreia da competição.

Na primeira tentativa de viabilizar o Mundial, a Fifa, então presidida pelo francês Robert Guerin, viu o prazo de inscrições chegar ao fim totalmente esvaziado. Na época, a entidade tinha 11 seleções filiadas. Todas, porém, de países da Europa. A eclosão da Primeira Guerra Mundial também foi um sério entrave ao prosseguimento da ideia. Dois anos após o fim do conflito, porém, a Federação contava com a adesão de países de outros continentes, como a África do Sul, Argentina e os Estados Unidos. Nesse momento, criar uma competição de futebol aberta entre vários países voltou a fazer todo sentido.

A palavra final para a realização da primeira Copa do Mundo aconteceu no Congresso da Fifa em Amsterdã (HOL), em maio de 1928. A proposição oficial de Jules Rimet recebeu 23 votos favoráveis e três contra. O Uruguai demonstrou grande interesse em receber o torneio. Como argumento, usou a comemoração do centenário de sua independência e o fato de a seleção do país ser bicampeã olímpica, títulos que lhe renderam a alcunha de Celeste Olímpica.

O plano estrutural apresentado pelo Uruguai propunha ainda a construção do estádio Centenário, considerado pela Fifa, anos depois, um monumento ao futebol mundial. Com tantos atrativos, o país sul-americano acabou ganhando a preferência para ser a sede da edição inaugural da Copa do Mundo. Magoada, a Itália, também candidata, liderou um boicote ao evento que acabou sendo seguido por boa parte dos europeus. Do Velho Continente, participaram apenas França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia.

“É uma viagem impraticável, tanto pela distância até Montevidéu, como pelo prejuízo que os clubes vão ter se cederem jogadores, em pleno campeonato, a uma Liga recém-criada”, chegou a justificar o então técnico da Espanha, José María Mateos. Os demais participantes da Copa de 1930 foram Estados Unidos, Argentina, Chile, México, Brasil, Bolívia, Peru e Paraguai, além do país-sede.
Com 13 seleções, a Copa do Mundo de 1930 organizou as equipes em quatro grupos. Apenas um deles, porém, tinha quatro times.



Com uma seleção composta principalmente por cariocas, em razão de disputas entre cartolas das federações do Rio de Janeiro e de São Paulo, o Brasil caiu na mesma chave de Bolívia e Iugoslávia. A Canarinho, porém, não passou da fase de grupos. Na estreia, foi derrotada por 2x1 para os iugoslavos. Naquele jogo, a seleção já perdia por 2x0 quando Preguinho, atacante do Fluminense, fez o primeiro gol do Brasil em Copas do Mundo. No segundo compromisso, o escrete nacional venceu a Bolívia por 4x0 (dois de Preguinho e dois de Moderato, atacante do Flamengo). De nada adiantou. Quem avançou foi o extinto país dos Bálcãs, que também superou a Bolívia por 4x0.

A PRIMEIRA FINAL

Uruguai e Argentina, países onde o futebol se popularizou de forma mais rápida do que no Brasil, decidiram a primeira Copa do Mundo. Anfitriões, os uruguaios queriam coroar a construção do estádio Centenário com o título mundial, repetindo o feito das Olimpíadas de 1924 e 1928. Para isso, contavam com os gols do atacante Cea e a maestria de Scarone, um dos melhores do torneio. Já os argentinos apostavam no faro de gol de Stabile. “O infiltrador”, como era conhecido o atacante do Huracán, acabaria como o artilheiro do Mundial depois de balançar as redes oito vezes. Mas não levaria a taça.

A decisão da primeira Copa atraiu cerca de 30 mil argentinos ao país vizinho. Apenas dez mil tiveram acesso ao Centenário, que registrou um público oficial de 70 mil pessoas, mas havia mais torcedores, pois milhares entraram sem pagar. O clima era tenso. Tanto que o árbitro belga Jan Langenus pediu um seguro de vida e retorno imediato à Europa.

Antes de a bola rolar, outro problema: justamente com a pelota. Cada seleção queria jogar com a sua - a dos uruguaios era mais pesada. A solução foi disputar cada tempo com uma bola diferente. No primeiro tempo, então, as seleções entraram em campo com a da Argentina. Curiosamente, os hermanos venceram o primeiro tempo por 2x1. Na etapa final, foi a vez da do Uruguai e os donos da casa conquistaram a virada por 4x2. A Celeste Olímpica jogou a etapa final com um jogador a mais, uma vez que o argentino Varallo deixou o campo machucado - não havia substituições na época.

O quarto gol do Uruguai, que sacramentou o título, foi anotado por Hector “Manco” Castro. Auxiliar de carpinteiro quando criança, ele havia perdido a mão direita em um acidente com uma serra elétrica. Como prêmio pelo título, o governo uruguaio deu a uma casa a cada jogador, além de medalhas de ouro. O novo torneio chegava para ficar!


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