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Jogos 2012

Anti-heróis olímpicos. O importante é competir

História olímpica já viveu momentos bastante peculiares com atletas sem chance de medalhas

Publicado em 24/07/2012, às 16h51

AFP

LONDRES - A anos-luz da briga por medalhas e do brilho de grandes campeões, os Jogos Olímpicos proporcionaram momentos emocionantes com atletas convidados através de cotas para garantir a representação do seu país apesar de terem resultados muito abaixo da elite do esporte mundial.

O exemplo mais marcante foi o nadador Eric Moussambani, da Guiné Equatorial, que nos Jogos de Sydney-2000 teve até que recorrer ao estilo cachorrinho e por pouco não se afogou na piscina quando completou a prova dos 100m nado livre em 1min52s72, mais de um minuto acima dos demais competidores.

Ele tinha aprendido a nadar apenas alguns meses antes da competição. Com sua façanha em Sydney, virou celebridade e ganhou até o patrocínio de uma marca de equipamentos de natação.

Na mesma edição, sua compatriota e Paula Barila Bolopa também chamou atenção ao obter o pior tempo da história nos 50m nado livre, em 1min03s97.

Esses atletas representam o ideal de um dos lemas do Barão Pierre de Coubertin, o pai dos Jogos Olímpicos modernos, que disse num discurso que "o importante não é vencer, mas competir", inspirado num sermão do Bispo da Pensilvânia, Ethelbert Talbot, durante uma missa celebrada durante os Jogos Londres-1908.

No entanto, os mais críticos rejeitam o sistema de convites baseado em cotas por países, alegando que contraria outro lema olímpico, "Citius, Altius, Fortius (Mais rápido, mais alto, mais forte).

Até o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), o belga Jacques Rogge, chegou a declarar que era contra a participação de atletas que não têm o nível desejado para competir com os demais.

"Queremos evitar o que aconteceu na natação em Sydney (com Moussambani e Bolopa). O público adorou, mas eu não gostei", declarou o dirigente na época.

Além dos nadadores da Guiné Equatorial, outro atletas se 'destacaram' por ter completado provas de fundo muito acima do tempo dos melhores, como o afegão Abdul Baser Wasiqi (último colocado na maratona olímpica de Atlanta-1996 em 4h24min17.

Já o haitiano Charles Olemus correu a prova dos 10.000 metros dos Jogos de Montreal-1976 em mais de 42 minutos. Outro momento memorável foi a participação de uma jamaicana de bobsled na Olimpíada de inverno de Calgary-1988. Os Rasta Rockett atraíram a atenção da mídia e inspiraram até um filme, Jamaica abaixo de zero, de 1993. Os jamaicanos foram imitados pelos brasileiros, que nos Jogos de Turim-2006 participaram da mesma modalidade com o Frozen Banana Team (Bananas Congeladas).

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