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Chapecoense

Rafael Henzel: 'Foi um milagre de Deus'

Um dos seis sobreviventes do desastre da Chapecoense, jornalista abriu o coração na TV JC

Publicado em 13/07/2017, às 07h53

Henzel fez sessão de autógrafos na última quarta (12), na Saraiva do Shopping Recife / Filipe Jordão/JC Imagem
Henzel fez sessão de autógrafos na última quarta (12), na Saraiva do Shopping Recife
Filipe Jordão/JC Imagem
Diego Toscano
Twitter: @diegobmtoscano

No Recife para lançar o livro Viva Como Se Estivesse de Partida, o jornalista Rafael Henzel foi o convidado do Programa Ponto de Entrevista, da TV JC, na última quarta (12). No bate-papo, falou sobre o desastre da Chapecoense na Colômbia, onde foi um dos seis sobreviventes, relatou o carinho do público com a sua história e também comentou o duelo entre Sport e Chape, nesta quinta (13), na Arena de Pernambuco.

LIVRO

A nossa vida é marcada por momentos difíceis. No nosso caso foi ao extremo, com a maior tragédia do esporte mundial. O livro relata como fui trabalhar 40 dias depois e como encarei (a vida). Dos momentos mais felizes aos mais tristes. Da comoção mundial até começar a me recuperar e voltar a narrar jogos.

ACIDENTE

Imagine um acidente aéreo em que você se encontra no meio do mato. Lá, tive uma segurança tão forte que não pensei em morrer. Mas não foi só o Rafael, mas uma força muito maior que me tranquilizou. Descobri que estava vivo e consciente, e isso foi me ajudando muito. A fé ajuda, mas é a nossa disposição de acreditar de perseverar. O livro é um relato daquilo que é possível, independentemente do tamanho do seu problema.

NOVA VIDA

Foram seis sobreviventes e 71 mortos. Depois que visitei o local, cheguei a conclusão que não era pra ninguém estar vivo. Caímos a 250 km por hora, ficamos no frio, poderíamos ter sido atingidos por escombros, demoramos para sermos encontrados... Recebi um milagre de Deus.

A palavra é crer. Mas não é só acreditar que Deus vai resolver nossas vidas. Temos que dar um passo também. Aconteceu algo muito forte lá para seis pessoas. Posso dizer que estou 100% e vivendo minha vida plena. Fui vítima em novembro, não sou mais. Sou um jornalista que escreveu um livro e que está trabalhando muito e curtindo a família.



PÚBLICO

As pessoas se encontram naquilo que está escrito. Me relatam situações e problemas de suas vidas, e isso me traz também uma comoção muito grande. Sempre falo que é importante ser um consolador. A nossa tristeza e pequenas tragédias, independentemente do tamanho delas, tem que ser relatadas para tentar ajudar outras pessoas.

CHAPECOENSE

Tenho uma ligação muito forte com o clube. Uso até uma corrente com o símbolo da Chapecoense perto do coração. Estava junto com o time (no desastre). É uma história que vou levar pro resto da minha vida: estive num voo de uma equipe que desapareceu. Mas, apesar da paixão pelo clube, e lá só temos um, diferente daqui do Recife, sempre tento ser justo. Não é falar só o que o torcedor quer, mas ter suas convicções.

 

(Santa e Sport prestaram homenagens para Henzel no lançamento do livro)

SPORT

A Chape sabe jogar fora de casa, já fez bons jogos no Brasileiro e tem possibilidade de melhorar. É claro que agora vem o Vinicius Eutrópio (ex-técnico do Santa Cruz), um novo conceito. O campeonato está muito parelho. Com três ou quatro pontos, se entra no G-4 ou se cai no Z-4. Não sei como vai ser a questão da torcida amanhã, mas claro que o Sport vem numa crescente no campeonato. Vai ser um jogo complicado.

COBRANÇA

O futebol é um mundo paralelo. O torcedor não quer saber se todo mondo morreu em novembro. Uma semana depois vão querer um time forte, que ganhe títulos. A comoção e a dor pela perda foram grandes, mas a cobrança efetiva de que é preciso conquistar alguma coisa. É a cultura do futebol.


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