LONDRES - Para um país que teme ameaças externas como ataques terroristas, ver seu plano de segurança para um evento do porte dos Jogos Olímpicos ser chamado de "fiasco" é enfrentar, no mínimo, um escândalo internacional. E é justamente com este problema que a organização da Olimpíada de Londres se depara a apenas duas semanas do início da competição.
Contratada para fornecer mão de obra para a segurança, a empresa G4S não conseguiu cumprir os termos do contrato. Por isso, o governo britânico teve que convocar, às pressas, 3.500 soldados de seu exército para trabalhar durante os Jogos.
A G4S, maior empresa do mundo especializada em segurança privada, deveria contratar e treinar 10.400 civis para atuar na Olimpíada. Mas só conseguiu habilitar 4 mil pessoas. O governo britânico afirmou que percebeu apenas esta semana que a contratada não conseguiria cumprir seu compromisso. Em uma medida extrema, 3.500 soldados foram retirados de período de férias ou descanso para poder atuar na Olimpíada.
A mudança de última hora já causa especulações sobre suas consequências. O contingente extra, claro, não tinha acomodações previstas e os soldados poderão ter que dormir em abrigos temporários, como escolas, nas proximidades do Parque Olímpico. Além disso, oficiais que estão no Afeganistão terão que lá ficar por mais tempo, justamente para compensar a ausência daqueles que foram lotados nos Jogos.
Apesar do clima de desconfiança, o Comitê Organizador da Olimpíada afirma que o esquema de segurança não foi comprometido "Estamos trabalhando duro para resolver essa situação. A segurança não será prejudicada", disse Sebastian Coe, presidente do Comitê Organizador da Olimpíada.
Em entrevista à BBC, o dirigente e ex-atleta foi duro com a multinacional de origem dinamarquesa. "A explicação não poderia ser mais simples: a G4S esperava que pessoas iriam se materializar e quando isso não aconteceu tivemos que nos movimentar rapidamente para preencher as lacunas."
O principal executivo da G4S, Nick Buckles, fez um pronunciamento de desculpas, no qual admitiu ter "subestimado" a complexidade de organizar as forças de segurança para a Olimpíada. "Estamos muito arrependidos por isso." Ele afirmou que a empresa teve dificuldades para encontrar mão de obra qualificada. Nesta terça-feira (17/7), Buckles será ouvido por membros do governo.
Mas a G4S também sentirá, em seus cofres, o não cumprimento do contrato assinado há cinco anos. A empresa, que receberá 284 milhões de libras, pagará pelo menos 20 milhões de multa. Terá, também, que destinar 30 milhões para o Ministério da Defesa, para compensar o recrutamento de soldados extras.
Em meio ao debate sobre a segurança dos Jogos, Londres amanhecerá, nesta segunda-feira (16/7), conhecendo os primeiros efeitos da chegada do contingente olímpico. A Vila de Atletas abrirá nesta segunda e pelo menos mil atletas, de 30 países, devem desembarcar no país.
A primeira rota exclusiva para o transporte olímpico (imprensa e delegações) começa a funcionar e o governo já pede que os moradores da cidade evitem circular de carro no centro da capital inglesa.
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