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PROJETO

Um "passe para o bem" dos jovens no vôlei e na vida

Uma iniciativa vem mudando a vida jovens carentes por meio do esporte

Publicado em 29/01/2017, às 08h33

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O "passe para o bem" vem encaminhando jovens atletas para escolas e faculdades
Guga Matos / JC Imagem
Leonardo Vasconcelos

Em meio ao silêncio do centro do Recife, típico dos dias de domingo, um som de bolas batendo no chão. Um ou outro que passa pela avenida Conde da Boa Vista, um dos principais corredores viários da cidade, nota o barulho estranho ecoando do Colégio de São José. A curiosidade leva até a quadra do local, onde é possível observar dezenas de jovens treinando vôlei. O nome do projeto “passe para o bem” resume bem o “toque” que o professor dá aos seus alunos.

Com o apito e o grupo na mão, o professor de Educação Física e policial civil Marcílio Gomes é quem passa os orientações para a garotada. Foi ele quem idealizou o projeto “passe para o bem” em 2006. Desde então, mais de 80 alunos de escolas públicas já foram formados. Alguns ganharam tanto destaque que seguiram carreira no esporte e hoje estão atuando fora de Pernambuco e até do Brasil.

A ideia nasceu quando Marcílio foi transferido para a Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente e convidado a elaborar um projeto que servisse como “vacina social” nas escolas públicas com maiores índices de violência. “O projeto foi concebido para atuar em três vertentes: formação, aprimoramento e treinamento. Nosso foco é formar atletas de rendimento, voltado para competições. Além de jogadores, queremos também cidadãos. Por isso, encaminhamos os jovens para as melhores escolas e faculdades com bolsas de estudo”, disse.

Porém o projeto só saiu do papel em 2009 e sem vinculação governamental. Marcílio teve que, como se diz, “colocar a pasta debaixo do braço” e buscar de forma independente parcerias. 

Foi com essa perseverança que Marcílio conseguiu com o colégio BJ, a cessão da quadra gratuitamente para começar a treinar a garotada. Depois o projeto se mudou para o Pio XII e desde março do ano passado está no São José, todos os domingos, das 8h às 19h. “É um projeto totalmente voluntário. Nós trabalhamos com adolescentes da rede pública de ensino que têm entre 11 e 15 anos. Eles só precisam ter um bom biotipo para o esporte, boas notas e não apresentar histórico de infrações”, explicou.

Um dos bons exemplos foi Flávia Araújo que passou pelo projeto “passe para o bem” em 2010 e defendeu o Sport e a Faculdade Maurício de Nassau. Ela se destacou tanto que ganhou uma bolsa para uma faculdade nos Estados Unidos, onde se formou em Educação Física e vive até hoje trabalhando como personal training. “Eu lembro do projeto como uma grande família. Foi lá onde pude abrir os olhos e aprender a importância do esporte aliado com a educação. Naquela época tive o incentivo e a oportunidade de estudar e hoje vejo como foi fundamental para o meu crescimento”, disse Flávia. 


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Exemplo de dedicação vem de Carpina

Os jovens atendidos pelo projeto “Passe para o bem” vêm de todas as regiões do Estado. Um dos mais promissores e esforçados é de Carpina, na Zona da Mata, a 53 quilômetros do Recife. João Miguel, de apenas 15 anos e “somente” 1,95 metros de altura. “Não vou negar que é uma grande dificuldade pra mim vir para os treinos. Pego ônibus e depois faço o resto do caminho a pé, mas pode perguntar aí que nunca faltei um dia. Faço esse esforço porque sei dos meus sonhos e onde quero chegar”, disse o adolescente, com determinação de adulto.

Já começando a se destacar entre a garotada, João diz que pretende fazer carreira. Dentro e fora das quadras. “Hoje eu vejo o vôlei como uma porta para o futuro. Aqui a gente não aprende só o esporte e sim a querer ser alguém na vida. Então através do esporte eu quero ter a chance de fazer uma faculdade e ajudar a minha família”, revelou. 


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