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TÊNIS

Jovens improvisam quadra com banco de concreto para poder jogar tênis

Seis garotos, com idades entre 13 e 18 anos, praticam tênis no Squash Tennis Center, em Boa Viagem

Publicado em 16/03/2017, às 09h38

Banco é utilizado como rede para garotos jogarem tênis / Matheus Cunha/JC
Banco é utilizado como rede para garotos jogarem tênis
Matheus Cunha/JC
Matheus Cunha
mfazevedo@jc.com.br

Entre as quadras 10 e 11 do Squash Tennis Center, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, há uma área de cimento e com três bancos de concreto. Na lógica natural das coisas, o lugar não é adequado para o esporte. Mas isso fica apenas na lógica. Um grupo de seis jovens, com idades entre 13 e 18 anos, moradores da comunidade do Squash, que fica no entorno do centro, praticam ali o esporte considerado elitista. A rede é substituída por um dos bancos, enquanto que as demarcações da “quadra” se dá pelas listras naturais do cimento. 

Desde a segunda-feira e até amanhã, os garotos dividem o espaço com os atletas que estão participando do Mundial Escolar de Tênis, que tem o Squash como uma dos locais das partidas. Pessoas diferentes, que alteraram um pouco o cotidiano dos moradores. 

“Eu já falei com uma chilena. Mas nem eu entendi o que ela falou, nem ela entendeu o que eu falei. É um pouco complicado não saber falar outro idioma”, disse, aos risos, Claudeci José, de 13 anos.

O intercâmbio cultural deixa evidente as diferenças sociais entre os forasteiros e os nativos da comunidade. Enquanto que os “gringos” usam várias raquetes e bolinhas, os garotos do Squash utilizam os poucos objetos doados pelos usuários do centro esportivo. Alguns, inclusive, trabalham como boleiros – pessoas que apanham as bolas – para poder levar dinheiro para casa e comprar materiais novos. 

“Eu ganhei um par de raquetes de um cliente aqui. Mas tem outros meninos que trabalham como boleiros para poder conseguir o dinheiro. A gente ganha R$ 15 para cada hora trabalhada. Uma parte fica em casa e a outra a gente usa para comprar bolinhas ou raquetes”, afirmou Italo Barbosa, também de 13 anos.

PROJETO SOCIAL NÃO EXISTE MAIS

Além de Claudeci e Italo, outros quatro jovens frequentam o Squash. Vitor Emanoel, de 15 anos, Isaias Barbosa, de 14, e Vitor Alves, o mais velho de todos, com 18. Todos frequentam o espaço há cinco anos. Chegaram até lá graças a um projeto social do clube, mas que não existe mais. 

“O projeto acabou por conta de verba. Mas o governo do Estado lançou ano passado uma lei de incentivo ao esporte e a gente se inscreveu. Esse ano ainda a gente pode ter novidades sobre essa volta”, explicou Davi Barros, presidente do Squash Tennis Center. 

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