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Para-atleta supera depressão para se tornar referência no esporte

Sandro Varelo levou um tiro e ficou paraplégico. Meses depois ele descobriu o esporte e se tornou um dos melhores para-atletas do Brasil

Publicado em 19/03/2017, às 09h06

Sandro levou um tiro durante um assalto e ficou paraplégico. Ele deu a volta por cima no para-atletismo / Diego Nigro/JC Imagem
Sandro levou um tiro durante um assalto e ficou paraplégico. Ele deu a volta por cima no para-atletismo
Diego Nigro/JC Imagem
Gabriela Máxima

“O para-atletismo significa minha nova casa. Quando pensei que não seria nada, eu conheci o esporte. Hoje, estabeleci uma nova meta, que é a busca frequente pela vida.” A declaração é do lançador pernambucano Sandro Varelo, que precisou se reinventar após levar um tiro quando voltava para casa do trabalho, em 2009. Ficou paraplégico e encarou momentos sombrios de depressão. Cerca de dois anos depois, o acaso pegou Sandro de surpresa novamente. Desta vez ele foi apresentado ao para-atletismo, redescobriu a vida e a vontade de vencer qualquer obstáculo que encontrasse pelo caminho. 

 

Hoje ele é um dos melhores lançadores do disco e do dardo do Brasil. Ostenta no currículo seis recordes parapan-americanos, seis títulos nacionais, estaduais e de Norte/Nordeste. Foi fácil chegar até aqui? Não foi. Mas ele garante que, a partir do esporte, conseguiu enxergar os propósitos dos acontecimentos de sua trajetória. “Meu maior lazer é o para-atletismo, que é o que eu faço com gosto e com o coração. O esporte toma conta de toda minha rotina”, observou.

Natural de Igarassu, Sandro foi abordado por dois homens em uma moto quando voltava para casa do trabalho, no dia 15 de julho de 2009. A data nunca será esquecida. Ele estava disposto a entregar todos os pertences, contanto que os assaltantes o deixassem vivo. Ele tentou avisar que tinha família, esposa e filhos, mas foi alvejado à bala entre as palavras que custaram para serem pronunciadas. O projétil perfurou rins, pulmão e baço. 

A sequela foi mais grave do que Sandro poderia imaginar e aceitar. Ele se recusou a usar a cadeira de rodas por longos 15 meses, tempo em que sofreu com depressão e tentou até o suicídio. “Não queria mais nada com a vida. Cheguei a pesar 135 quilos e não saía da cama. Meu filho me levava na cadeira, porque eu não queria nem manuseá-la. Nesse tempo, minha família escondeu ou retirou de casa todos os objetos que representavam ameaças, restando apenas a opção da overdose com o antidepressivo. Tomei 12 comprimidos de uma vez. Só acordei dois dias depois sem saber onde eu estava e o que tinha acontecido”, lembrou o para-atleta.

A redenção de Sandro aconteceu em um dia comum e foi concebida em pequenas doses. Um dos responsáveis foi o diretor do Núcleo de Educação Física e Desportos da Universidade Federal de Pernambuco (NEFD/UFPE), Luis Carlos de Araújo. Eles se conheceram em uma loja do Recife e o dirigente convidou Sandro para visitar o grupo de para-atletas da Federal. Sandro aceitou o chamado. No centro esportivo, ensaiou alguns lançamentos e foi organizando sua nova rotina com a ajuda esporte.

REFERÊNCIA

Sandro Varelo tem 34 anos e é uma das referências do para-atletismo no Brasil. Já bateu recordes, conquistou títulos e sonha ganhar o mundo defendendo a modalidade que passou a amar. O planejamento com o técnico Ismael Marques mira participações em campeonatos mundiais, Jogos Parapan-Americanos e os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020.

“Antes eu não pensava a longo prazo, mas meu treinador me fez enxergar essas questões no esporte. Quando eu comecei a treinar eu não tinha objetivo nenhum. Quem me trazia para cá era a ambulância do Samu. Com o treinamento, eu fui evoluindo até chegar ao estágio de agora. Hoje quero evoluir as marcas e alcançar os objetivos”, revelou. Quatro anos separam Sandro do maior sonho de sua carreira: os Jogos Olímpicos de Tóquio. Até lá, muitos lançamentos serão concretizados e outros sonhos serão responsáveis por reafirmar o potencial do pernambucano no para-atletismo internacional.

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