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SUPERANDO BARREIRAS

Remo faz pernambucano de 21 anos superar a morte da mãe

Melk Pereira perdeu a mãe aos dez anos, atropelada por um caminhão

Publicado em 16/07/2017, às 10h52

Melk foi campeão brasileiro em 2012 / Sérgio Bernardo/JC Imagem
Melk foi campeão brasileiro em 2012
Sérgio Bernardo/JC Imagem
Matheus Cunha
mfacunha@outlook.com

O remo surgiu no Brasil como produto de elite. Muito popular no início do século passado, o esporte foi primordial para a fundação de equipes que hoje tem o futebol como o seu carro chefe - a exemplo de Náutico e Sport. Contudo, esse passado elitista ficou lá trás. Hoje, pouco popular e com adeptos resquícios, o esporte teve que se abrir para as classes sociais mais baixas para buscar a sobrevida no cenário local. E foi aí que histórias de atletas que tomaram o rumo da vida no Rio Capibaribe - principal local de competições em Pernambuco - começaram a surgir.

Um fruto dessa abertura é o remador Melk Pereira, de 21 anos. Morando no centro do Recife, o jovem tem a superação como a grande marca da vida. Aos dez anos, perdeu a mãe, atropelada por um caminhão na BR 101, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife. Os tios não deixaram que ele fosse ao local do acidente, a fim de evitar um transtorno psicológico ainda maior. Mesmo assim a mente do garoto fraquejou. Se tornou um adolescente violento e teve problemas com bebidas alcoólicas.

E o remo foi o grande responsável pelo rumo que o jovem voltou a tomar na vida. Aos 14 anos, matriculou-se na escolinha do Náutico. Começou a competir e a ganhar visibilidade, mas acabou saindo do desporto algumas vezes. Foi para o Sport, onde deslanchou. Além dos vários títulos do Campeonato Pernambucano, conquistou também o Campeonato Brasileiro, Norte-Nordeste e o Sul-Americano (todos na categoria júnior) em 2012. De maneira acanhada e fala tímida, o remador exalta as barreiras superadas.

“Minha mãe sempre me apoiou em tudo, mesmo sem eu ser atleta. Sempre. Ela me faz muita falta, sentiria muito orgulho de mim. Você tem que manter a cabeça firme, porque têm momentos que traz isso para o treino e acaba se sentindo mal. Algumas vezes eu penso que não sou capaz de fazer aquilo, mas sempre tem a superação, tudo você precisa superar. Nunca podemos deixar com que os problemas sejam maiores do que o resultado que você almeja alcançar”, disse.

O fato do desporto ter se aberto para outras classes sociais é bastante comemorado pelo atleta. Para ele, caso isso não tivesse acontecido, o remo nunca teria entrado na sua rotina efetivamente. “Eu enxergo isso de uma forma muito boa, porque se fosse diferente eu não poderia praticar o esporte. Eu não venho de uma família rica. E não teria condições de ter conhecido o remo, não teria essa história que tenho hoje. O esporte ajuda muito. Tira os jovens da criminalidade, ocupa a cabeça dos adolescentes. Eu passei por essa fase. Na minha infância eu via isso como um quartel, é duro, mas é aquilo que tem que ser feito. É uma escola”.



Melk mora atualmente com os avós maternos. E se por um lado o avô é só felicidade e apoio à vida de atleta do remo, por outro a avó prefere que ele siga o caminho dos estudos. “Às vezes rola um pouco de atrito com a minha avó, porque ela queria que eu estudasse mais. Ela sempre fala: ‘esse ano vai ser o seu último no remo. Depois você vai estudar para poder fazer uma faculdade’. Mas isso é coisa de vó mesmo”, falou de maneira sorridente.

FUTURO

O remador prefere não pensar no futuro. Não sabe como será a sua vida daqui a uma década, por exemplo. Porém, garante que sonha em ser um dos grandes nomes do Brasil no esporte.

“Eu não posso dizer o que vai acontecer comigo. Mas a minha vontade e minha visão é de que eu possa chegar em um lugar grande no Brasil. Tem o ranking nacional e os atletas de elite, quase todos do Rio de Janeiro. Aqui no Sport temos uma estrutura legal, mas não é igual. Ser atleta de alto nível é o que eu quero. Chegar ao nível deles, mas aqui no Nordeste”, concluiu.

A última vitória conquistada pelo remo do Sport foi no início do mês, no Campeonato Potiguar - o Leão e o Náutico foram convidados.


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