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Artes Marciais Mistas

A difícil arte de ser mulher no MMA

Lutadora pernambucana precisa superar uma série de dificuldades para se manter no esporte

Publicado em 06/08/2017, às 08h00

Duas vezes por semana, Tatiana sai de Gravatá e vai para Vitória de Santo Antão treinar muai thay com o mestre Maciel  / Alexandre Gondim/JC Imagem
Duas vezes por semana, Tatiana sai de Gravatá e vai para Vitória de Santo Antão treinar muai thay com o mestre Maciel
Alexandre Gondim/JC Imagem
Luana Ponsoni
esportes@jc.com.br

As brasileiras Amanda Nunes e Cris Cyborg detém os dois únicos cinturões do Brasil no UFC, principal evento de MMA do mundo. Fato que acaba chamando atenção para a realidade do esporte, sobretudo entre as mulheres, dentro do País. Como todas as modalidades alheias às cifras do futebol, em solo brasileiro, as artes marciais mistas também carecem de investimento. O cenário fica ainda mais complicado quando analisado sob o prisma feminino. Os problemas vão desde a falta de patrocínio e estrutura para treinar até o número de competidoras.

Um dos talentos do Estado que sobrevive no esporte por puro amor é a lutadora de MMA e muai thay Tatiana Oliveira, de 24 anos. Desde que resolveu se tornar atleta, há dois anos, ela precisa se motivar para enfrentar rotinas diárias de treinos praticamente sozinha. A atleta mora em Gravatá, enquanto o técnico é de Vitória de Santo Antão. Três dias na semana são de trabalhos solitários em casa e dois com a equipe da arte marcial tailandesa Leões do Norte, de Vitória, comandada pelo professor Maciel Silva. “Em Gravatá, faço funcional, bato 30 minutos no saco e faço mais meia hora de sombra (golpes com oponente imaginário).

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Depois dou aula de Muay Thai, que é a minha fonte de renda. À tarde, corro. Isso quando estou em preparação para a competição. Só vou a Vitória duas vezes por semana. Tem dificuldade de tempo, financeira, não tenho apoio. Para lutar, preciso tirar do próprio bolso. O mestre (Maciel) também ajuda quando pode”, contou.

A lutadora compete na categoria até 48kg e, apesar do porte pequeno, impressiona pela violência dos golpes. Tendo o muai thay como base, ela coleciona diversas vitórias nessa luta. Também é faixa azul de jiu-jítsu e estreou em maio deste ano no MMA. Lutando em Toritama, Tatiana nocauteou a oponente em oito segundos. Em setembro, ela deve fazer a sua segunda luta de artes marciais mistas, em um evento de Pombos.



 

 

Por causa da falta de estrutura, Tatiana segue sem fazer muitos planos no esporte. “Preciso muito de um patrocínio. Tinha que ter nutricionista, fisioterapeuta. Quem me ajuda com as lesões é uma amiga. Não tenho ninguém para me treinar no boxe. As realizações são difíceis. Por isso, só deixo acontecer”, justificou.

Encontrar companheiras de treinos também é uma dificuldade. Quando está em Vitória, Tatiana costuma “trocar” com homens. “No jiu-jítsu ainda tem muitas meninas, porque não tem o risco de se levar um murro, ficar com o olho roxo. Também não há nada estimulando, então o esporte deixa de ser prioridade”, opinou o professor de muay thai Felipe Veras, que comanda a equipe Veras.

Mesmo com tantas dificuldades, o treinador da arte tailandesa de Tatiana não deixa de vislumbrar um futuro promissor para a pupila. “Tatiana é guerreira, dedicada, treina com menino e tem talento. Tenho alunos com mais tempo que ela e não vejo essa qualidade. Por isso, enxergo futuro para ela. Mais ainda há um longo caminho a percorrer”, analisou professor Maciel Silva.


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