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Superação

Classificado para Mundial Júnior, surfista do Estado precisa de ajuda

Deyvison Santos vive em condições difíceis e não tem como arcar com os custos da viagem ao Japão, em setembro

Publicado em 13/08/2017, às 08h19

Deyvison precisa de um patrocinador que o mantenha no esporte  / Guga Matos/JC Imagem
Deyvison precisa de um patrocinador que o mantenha no esporte
Guga Matos/JC Imagem
Luana Ponsoni

Ao ver a despensa de casa vazia novamente, Deyvison Santos, de 18 anos, achou que já estava na hora de abandonar as competições de surfe e buscar uma oportunidade para ter renda fixa. Desde que a mãe ficou desempregada, ele vem sendo o responsável pelo sustento da família, que mora de aluguel na praia do Xaréu, no Cabo de Santo Agostinho. No início de julho, porém, a fé em Deus - ele é evangélico - o fez dar um pouco mais de crédito ao esporte. Logo depois, acabou se credenciando ao Mundial Júnior da Associação Internacional de Surfe (ISA). Para se classificar, o pernambucano venceu a etapa do CBSurf Tour de Maracaípe e foi vice na de Ubatuba (SP). Uma reviravolta que o devolveu a capacidade de sonhar.


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“Eu nem sabia que a etapa de Maracaípe seria seletiva para o Mundial. Soube dois dias antes, por amigos. Eu não ia competir. Foi aí que Ricardo (Marroquim, que é seu shaper) me ligou e disse que era importante eu participar, era um Nacional dentro de casa. A federação deu R$ 50 para ajudar na inscrição de cada atleta e Ricardo me deu mais R$ 100. Quando entrei no mar, não pensava na vaga para o Mundial, porque em 2015 também me classifiquei quando era mirim e não puder ir por falta de apoio. Isso me fez mal por muito tempo. Ficou na minha cabeça. Competi em Maraca sem pressão, fui pelas pessoas que me ajudam”, contou Deyvison.

Depois que conquistou o título em Maracaípe, o surfista acabou expondo a situação difícil em que vem vivendo e conseguiu ajuda para garantir alimentos em casa até o fim deste ano. Também foi por meio de doações que ele pôde viajar a Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, onde foi vice-campeão da terceira etapa do CBSurf Tour.

Agora a luta imediata do surfista é não deixar escapar, pela segunda vez, o sonho de disputar um Mundial. Para ir ao Japão, Deyvison precisa de apoio para comprar as passagens aéreas e arcar ainda com a taxa de inscrição, hospedagem e refeições.



Apesar de todos os aspectos da viagem serem importantes, o que mais está pesando são os bilhetes aéreos. O investimento é de cerca de R$ 3 mil. A inscrição também tem um valor elevado. São US$ 250 (aproximadamente R$ 800). A Confederação Brasileira de Surfe (CBS) está trabalhando para conseguir um parceiro que custei a viagem dos atletas. Com o prazo apertado - o Mundial começa no dia 20 de setembro -, pessoas ligadas ao surfe pernambucano têm buscado ajuda em outras frentes para tentar garantir o embarque de Deyvison ao Japão.

“Estamos correndo contra o tempo. Tem essa possibilidade da Confederação dar as passagens, mas já conversei também com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Esportes do Cabo de Santo Agostinho, Paulo Moshe, e ele se mostrou inclinado a ajudar”, disse o organizador de eventos de surfe Geraldinho Cavalcante.

Dono de um estilo radical, com um surfe de borda onde prevalecem rasgadas e batidas, Deyvison está no esporte há apenas quatro anos. Assim que passou a residir em Xaréu, porém, preferia o futebol. “Prancha aqui é difícil. Até que meu irmão ganhou uma e a gente revezava. Bastou eu competir uma vez para não querer parar, eu evolui muito rápido”, reconheceu. “Se eu conseguir ir para o Mundial, vai ser como eu sempre quis. Eu sempre sonhei em colocar a lycra desse campeonato. Então vai ser bem divertido e disputado, porque vou surfar contra atletas que eu sempre sonhei em competir. Aquela água gelada... Vencer as baterias vai ser muito importante para mim”, vislumbrou.

Ao talento sobre a prancha, Deyvison só sente gratidão. Apesar de passar por momentos de necessidade, o jovem de 18 anos reconhece que, se não tivesse contato com o esporte, sua vida poderia ser pior. “O surfe me salvou. Poderia ser outra pessoa, estar envolvido em muita coisa errada. O surfe não te leva apenas a lugares perfeitos, mas te conduz a muitas outras coisas boas”, afirmou.


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