Jornal do Commercio
Construção civil

Jovem estivador constrói empresa que fatura milhões

Três gerações da mesma família ergueram a Rio Ave

Publicado em 26/05/2011, às 00h48

Alberto Ferreira da Costa, criador da Rio Ave. / Divulgação

Alberto Ferreira da Costa, criador da Rio Ave.

Divulgação

Viviane Barros Lima

Três gerações da mesma família ajudam a mudar a cara do Recife. Os proprietários da Rio Ave fazem isso há cerca de 40 anos. Eles investiram em Boa Viagem quando o bairro ainda dava os primeiros passos na especulação imobiliária. Transformaram a Ilha do Leite num bairro de referência no tocante aos empresariais e hoje estão migrando para o ramo hoteleiro. A empresa não quer só saber de número. A inovação é o que a move.

Determinação também é outra característica dos Ferreira da Costa (não confunda com a família Ferreira Costa dos armazéns de construção. O “da” faz toda a diferença). O patriarca Alberto Ferreira da Costa, que hoje é provedor do Hospital Real Português, está há 51 anos no Brasil. Nascido na cidade Vila do Conde, em Portugal, ele chegou aqui aos 15 anos sozinho para trabalhar no negócio de um amigo conterrâneo.

Começou como estivador, depois montou um armazém de construção e por fim deu início a Rio Ave, que tem esse nome porque a foz do Rio Ave nasce na sua cidade natal. Ao longo dos anos, trouxe seus dois irmãos para trabalhar com ele na empresa. Enquanto montava a construtora, casou com a sobrinha daquele amigo que o ajudou no começo e teve três filhos, que hoje tocam a empresa. Os dois irmãos do Seu Alberto se distanciaram do negócio com o passar dos anos.

Alberto Ferreira da Costa Júnior, o filho caçula, é o diretor comercial. Álvaro José Ferreira da Costa é diretor administrativo e Claudia Ferreira da Costa, a diretora financeira. Ela é a única com terceiro grau completo. Formou-se em arquitetura. Os outros dois começaram cursos superiores, mas desistiram por causa do trabalho na empresa.
“Aprendemos quase tudo na prática. Nenhum dos três quis seguir uma carreira separada da empresa. Foi uma coisa natural”, explica Alberto Júnior. O neto mais velho de Seu Alberto já está começando a aprender o ofício da família.

A história da Rio Ave pode ser dividida em três partes. Há 35 anos, a empresa começou a erguer edifícios de luxo em Boa Viagem. Ela investiu muito no bairro e acompanhou a transformação do local. Os primeiros prédios erguidos tinham apenas três pavimentos e em nada lembram os espigões que hoje tiram o sol dos banhistas. “Depois os edifícios foram ficando cada vez mais altos. O primeiro prédio com mais de 20 pavimentos de Boa Viagem, o Edifício Ferreira da Costa, foi feito pela Rio Ave”, informa Alberto Júnior.

A segunda etapa da história da empresa começou há cerca de 15 anos quando foram adquiridos os terrenos da Ilha do Leite que hoje abrigam um complexo com cinco empresariais (Albert Einstein, Graham Bell, Isaac Newton, Alfred Nobel e Thomas Edison). A nova aposta é o Charles Darwin que será o empresarial mais alto do Norte e Nordeste, com 36 andares e 138 metros de altura. No topo, vai ser construído um restaurante cuja marca ainda não foi escolhida.

O novo desafio da empresa é o ramo hoteleiro. Ela vai construir três hotéis no Recife. Dois na Avenida Domingos Ferreira e outro na Avenida Boa Viagem. Apenas um deles já foi lançando oficialmente. É um dos que ficará na Domingos Ferreira, no cruzamento com a Rua Aluísio Pessoa de Araújo, próximo à delegacia do bairro. O hotel vai fazer parte de um projeto que conta com um edifício garagem e um empresarial. Ao todo serão investidos R$ 50 milhões nos três prédios.

O primeiro hotel vai ter nove andares, com 18 apartamentos por andar, cada um com 27 metros quadrados. A bandeira que vai administrar o empreendimento ainda não foi escolhida. O empresarial terá 15 andares, com sete ou seis salas por piso. “Já fomos procurados por vários empresas nacionais e internacionais do ramo de hotelaria, mas ainda estamos estudando as propostas. É um tarefa mais difícil porque não estamos acostumados com o tipo de negócio”, diz Alberto Júnior.

Segundo ele, a Rio Ave resolveu investir no segmento por achar que o Grande Recife tem uma enorme carência no ramo, sobretudo com a proximidade da Copa do Mundo de 2014. Fora isso ainda tem vários projetos na gaveta que a empresa ainda não pode divulgar. Mais informações estão disponíveis no site www.rioave.com.br. Os negócios juntos devem faturar R$ 110 milhões este ano, o dobro do ano passado. Nada mal para um empresa fundada por um jovem que chegou ao Brasil com 15 anos sozinho para trabalhar como estivador.

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