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VITÓRIA

Vídeo revela tortura em presídio capixaba

As denúncias derrubaram toda a diretoria do presídio de Aracruz - três diretores e quatro agentes penitenciários foram afastados do cargo

Publicado em 24/02/2012, às 07h51

Do JC Online

Vídeos divulgados na última quinta-feira (23) pela Comissão de Prevenção e Enfrentamento à Tortura do Espírito Santo revelam agressões cometidas por agentes penitenciários dentro do Centro de Detenção Provisória de Aracruz, no norte do Estado. A gravação de mais de 40 minutos mostra que vários detentos são obrigados a tirar a roupa e ficar nus numa sala escura e, depois, têm de realizar exercícios físicos. Alguns presos ficam sentados do chão, de frente para uma parede, e são iluminados o tempo todo por uma lanterna. As denúncias derrubaram toda a diretoria do presídio de Aracruz - três diretores e quatro agentes penitenciários foram afastados do cargo.

As cenas gravadas revelam que os detentos são forçados a realizar uma série de agachamentos enquanto os agentes intimidam o grupo com xingamentos e palavras de ordem. Os vídeos foram feitos no mês passado por três agentes penitenciários que não concordavam com a atitude dos colegas e entregues um dia antes do Carnaval à Comissão de Enfrentamento à Tortura.

A comissão, criada no dia 28 de dezembro do ano passado pelo Tribunal de Justiça, é formada por representantes do Poder Judiciário, Ministério Público, governo do Estado, Ordem dos Advogados do Brasil, Defensoria Pública, Movimento Nacional dos Direitos Humanos e Conselho Estadual dos Direitos Humanos.

Para o presidente do TJES, desembargador Pedro Valls Feu Rosa, os presos foram expostos a situações vexatórias. “Isso é um tapa na cara do Poder Executivo, do Poder Judiciário, do Ministério Público, da sociedade civil organizada e de toda a população, que não merece assistir a isso em pleno século 21. Chegou a hora de o Estado e de toda a população se unir e reagir a esses feitos”, afirmou.

O Centro de Detenção Provisória de Aracruz tem capacidade para abrigar 178 presos, mas, atualmente, está com 210. O Ministério Público vai investigar a denúncia para depois encaminhar o caso à Justiça e tentar responsabilizar os envolvidos criminalmente.

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