SÃO PAULO – O Hospital A.C. Camargo, referência no tratamento contra o câncer, iniciou uma pesquisa para identificar padrões nas células tumorais de pacientes com câncer. O objetivo é desenvolver um marcador sanguíneo capaz de indicar, antes do início do tratamento, a melhor terapia para cada caso. Segundo o patologista Fernando Augusto Soares, quando se estabelece um tratamento mais precoce o resultado é melhor.
De acordo com o pesquisador, os estudos estão em fase inicial e devem levar pelo menos dois anos. Participarão dos testes, 230 pacientes com diferentes tipos de câncer: 100 com câncer colorretal, 100 com câncer de pulmão e 30 com câncer de pâncreas.
Entre os motivos que fizeram com que esses três tipos da doença fossem escolhidos, está a frequência elevada de ocorrência na população. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pulmão é o tipo que mais acomete a população mundial e a mais importante causa de morte por câncer no mundo. O colorretal é o terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens e o segundo mais frequente em mulheres. Já o câncer de pâncreas será pesquisado por ser de difícil detecção.
Outra razão que levou à escolha dos três tipos de cânceres, segundo Fernando, foi por se tratarem de tumores que, geralmente, encontram-se em estado mais avançado de propagação no corpo.
Ao analisar as células tumorais que circulam pelo organismo, os cientistas esperam estabelecer o significado clínico da presença de diferentes quantidades delas em um paciente. “Ainda vai levar um certo tempo para a gente ter uma perspectiva, mas, hoje, a gente já consegue isolar essas células e determinar a frequência delas”.
A pesquisa é inédita no país, mas estudos já foram feitos para identificar padrões nas células tumorais em outro tipo de câncer por pesquisadores norte-americanos e europeus nos últimos anos. O câncer de mama foi estudado e foram propostas algumas terapias para a doença. O que impede que a aplicação dos testes seja feita em larga escala, porém, é a ausência de uma metodologia. “Hoje, é possível fazer isso no laboratório, mas com poucos casos. Para abrir para a população, tem que ter maior capacidade”.
No Brasil, os estudos são financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investirá R$ 700 mil até maio de 2014. Além do coordenador Fernando Soares, que é diretor de Anatomia Patológica do A.C.Camargo, participam da pesquisa Marcello Fanelli, diretor de Oncologia do Hospital e a pesquisadora Ludmilla Domingos Chinen.
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