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RORAIMA

'Soltei para evitar novo massacre', diz juiz que liberou detentos em Roraima

O juiz Marcelo Lima Autorizou a liberação de 160 presos do regime semiaberto em caráter emergência

Publicado em 12/01/2017, às 07h14

Roraima tem 2.621 presos - 900 dos quais pertenceriam a facções / Foto: ABr
Roraima tem 2.621 presos - 900 dos quais pertenceriam a facções
Foto: ABr
Estadão Conteúdo

Cinco meses após ser nomeado pelo Tribunal de Justiça de Roraima como juiz substituto, o juiz Marcelo Lima de Oliveira tomou uma das mais polêmicas decisões da história do judiciário no Estado. Autorizou a liberação de 160 presos do regime semiaberto em caráter emergência.

Alvo de críticas por conta da decisão, o juiz usou as redes sociais nesta quarta-feira (11), para fazer um desabafo e, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, contou que quis evitar um novo massacre. "Houve informe da inteligência do Estado dizendo que os presos seriam assassinados na porta da unidade. Não fui eu que tirei da cabeça que lá seria o local do próximo massacre. O que eu podia fazer? Fechar os olhos e ignorar? Se não tivéssemos dado a decisão e no dia seguinte tivesse acontecido outro ataque?".

O Centro de Progressão Penitenciária (CPP), onde estavam os presos, abriga de 160 a 200 detentos, a depender do período. Eles chegam juntos às 20h para entrar na unidade, já que têm permissão de trabalhar de dia. Mas, com apenas dois agentes penitenciários realizando a revista, os detentos ficam horas na frente da unidade, localizada em um bairro residencial da capital Boa Vista.

Balas vencidas

O CPP já registrou quatro homicídios de detentos, três deles agora em dezembro. "Os presos ficam amontoados do lado de fora da unidade esperando a vez de entrar. O diretor afirmou que não tinha condições de dar segurança por só ter quatro agentes penitenciários, sendo dois sem arma, além de afirmar que a maioria das armas está com balas vencidas. 

"Então qual a segurança que se dá, dentro de um bairro residencial nesse caso? E se uma dessas balas passa direto e atinge uma casa?" questionou Oliveira.

Pela decisão, assinada pelo juiz Marcelo Lima de Oliveira e pela juíza plantonista Suelen Márcia Silva Alves, os presos devem retornar para a unidade na próxima sexta-feira 13, visto que a prisão domiciliar no período noturno era temporária. "Antes da decisão, os presos podiam trabalhar durante o dia, mas deviam dormir no CPP. São presos que vieram do regime fechado, progrediram, estão com bom comportamento e têm trabalho. Era um sábado à tarde, não havia como requisitar PM e segurança para o presídio. Se mandasse retirar viaturas da rua para cuidar do presídio iam dizer que o juiz estava dando segurança para preso e tirando da sociedade", disse.

Os presos que não retornarem na sexta-feira, 13, vão perder o regime diferenciado e retornar para o regime fechado na Cadeia Pública. "Foi uma medida excepcional em situação de excepcionalidade. Se nada der errado, se não acontecer nada de mais grave, eles retornam na sexta para o presídio".

Os massacres

Um sangrento confronto entre facções no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, deixou 56 mortos entre a tarde de 1º de janeiro e a manhã do dia 2. A rebelião, que durou 17 horas, acabou com detentos esquartejados e decapitados no segundo maior massacre registrado em presídios no Brasil - em 1992, 111 morreram no Carandiru, em São Paulo.

Segundo o governo do Amazonas, o ataque foi coordenado pela facção Família do Norte (FDN) para eliminar integrantes do grupo rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC). 

Cinco dias depois, o PCC iniciou sua vingança e matou 31 detentos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), em Boa Vista, Roraima. A maioria das vítimas foi esquartejada, decapitada ou teve o coração arrancado, método usado pelo PCC em conflitos entre facções. 

Com 1.475 detentos, a PAMC é reduto do PCC, que está em guerra contra a facção carioca Comando Vermelho (CV) e seus aliados da FDN. Roraima tem 2.621 presos - 900 dos quais pertenceriam a facções, a maioria do PCC. No total, 27 facções disputam o controle do crime organizado nos Estados.

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Comentários

Por Zevalter,13/01/2017

O juiz, irresponsável, liberou os presos, para evitar um novo massacre...os bandidos, agora, VÃO MASSACRAR, as famílias dos homens de bem, uma vez que estão soltos e aterrorizando o povo...esse juiz é muito filho da pata!!

Por Fernando Brandão,13/01/2017

Soltou porque é frouxo e ineficaz. Se fosse um profissional competente não teria feito isso. É, mais se o PCC e CV andam comprando membros das quadrilhas de "Defesa de Direitos Humanos", que dirá promotores e magistrados!!???

Por Sávio,13/01/2017

O Juiz liberou os detentos para massacrar a população, cidadãos que traba-lham, é ser masoquista

Por Antonio Gomes,12/01/2017

Senhores Procuradores de Justiça, por tudo que é sagrado, prendam esse juiz, antes que a população fiquem aterrorizadas pela matança desenfreadas, por esses vermes, elementos de pior espécie, aos cidadãos de bem, e isso inclui também os policiais que estão sendo caçados por esses seres das trevas. Quantas baixas ocorreram nos últimos 13 anos, que doaram suas vidas em defesa do cidadão? Quantos morreram em tocaias? Quantos morreram na presença de suas esposas e filhos? Quantos morreram nas suas horas de folgas? Quantos morreram no enfrentamento? E agora aparece um Juiz, que comete equivocadamente um ato de tamanho despreparo, paras libertar esses criminosos. Não tem a menor dúvida, que esse jurista irresponsável, está ou estará sentenciando: licença para assaltar, licença para estuprar e a licença para matar. Será que é isso que ele quer que ocorra com os cidadãos de bem? Com a palavra o Poder Judiciário.

Por Antonio Gomes,12/01/2017

Se há um problema gravíssimo em segurança pública, nessas terras brasis, não é a população que deveria pagar por tamanha incompetência das instituições governamentais. Se essas Gangs encarceradas estão se matando, pelo poder do tráfico, isso é um problema deles e do estado. Os cidadãos que pagam seus impostos, que é um dos mais caros do mundo, não deveriam ser penalizados, por tamanha omissão dos poderes. Colocar bandidos de alta periculosidade nas ruas, não vai resolver o problema, pelo contrário esses vão pegar com mais facilidade o doce da criança, pois estamos desarmados. Com essa determinação desse Juiz irresponsável, ele acabou de sentenciar a matança de policiais em horário de descanso e de todas as pessoas do bem, ou seja, nós cidadãos. Colocar esses bandidos em liberdade, certamente estará ferindo a constituição, a dignidade, a honra, e a todos verdadeiros cidadãos.



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