Jornal do Commercio
Crise no sistema carcerário

Presídio do interior do RN tem rebelião em represália à transferência de presos

Um detento teria sido morto; polícia não confirma a informação

Publicado em 18/01/2017, às 22h23

Presídio fica a 250 quilômetros da capital Natal / Foto: Ascom/SEJUC
Presídio fica a 250 quilômetros da capital Natal
Foto: Ascom/SEJUC
Estadão Conteúdo

A onda de terror que foi instaurada nos presídios do Rio Grande do Norte parece longe de um final. Após uma tarde bastante aterrorizante, na qual ônibus foram incendiados e veículos do governo do estado atacados por bandidos, durante a noite, também em represália à transferência dos presos da Penitenciária de Alcaçuz, detentos da Penitenciária Estadual do Seridó, o Pereirão, localizado em Caicó, a cerca de 250 quilômetros de Natal, iniciaram mais uma rebelião.

Enquanto alguns presos atearam fogo em colchões, outros subiram no telhado do presídio. Segundo a imprensa local, haveria, pelo menos, um detento morto e um policial ferido por pedradas. A polícia, oficialmente, não confirma a informação.
 
De acordo com a Polícia Militar, o motim está diretamente ligado à transferência de presos ligados ao Sindicato do Crime do RN da Penitenciária de Alcaçuz durante a tarde. Presos estão depredando a estrutura dos pavilhões e queimando colchões. A corporação só deverá intervir quando amanhecer por condições de luminosidade.

Ao Estadão, o coronel Romualdo Borges, comandante da divisão de policiamento regional 2, que abrange Caicó, disse que a relação da confusão com a transferência de 220 homens mais cedo é clara. "Acredita-se que é uma represália, já que aqui só há detentos do Sindicato. Havia uns 90 e poucos do PCC, mas na última rebelião foram transferidos", disse. 

A decisão de aguardar pelo amanhecer, segundo ele, se dá pela falta de estrutura de iluminação do presídio. "Estamos com guarnições de prontidão, mas não é aconselhável entrar à noite. Vamos aguardar para entrar e, então fazer uma varredura." A unidade abriga 317 presidiários homens e 52 mulheres. A guerra entre o PCC e o Sindicato já havia levado a um motim na cadeia em agosto do ano passado, quando a estrutura do local foi afetada. A Justiça chegou a interditá-la, impedindo que o Estado enviasse novos detentos para lá cumprirem pena.

Atualmente, o presídio de Caicó tem capacidade para 265 internos homens, mas atualmente possui 297. Já na ala das mulheres, a ocupação é de 56, mas existem 53 no local.

Ataques de dia

Onze ônibus foram atacados nesta quarta-feira (18), em Natal, após a transferência de presos da Penitenciária de Alcaçuz para a Penitenciária Estadual de Parnamirim . Outro veículo do governo também foi atacado e há relatos de tiros contra duas delegacias da cidade. A Polícia Militar informou ao Estado que os crimes têm relação com a disputa entre as facções. Os ataques forçaram a empresa a recolher os veículos e a prefeitura determinou que táxis, vans escolares e carros credenciados façam o serviço de lotação para suprir a demanda.

Recomendados para você


Comentários

Por Henry David Thoreau ,19/01/2017

À bem da verdade, nenhum governo nos Estados da Federação, tampouco o Governo Federal, detém controle sobre as unidades prisionais. São décadas empurrando o problema com a barriga e não adotando medidas sérias e profiláticas corretas para que a situação não chegasse ao ponto que chegou. Não é prioridade aos governos o sistema penitenciário como um todo. Esquecem os governantes, todos eles sem exceção, que esses criminosos que cumprem pena serão LIBERTADOS no futuro. Na temos pena de morte nem prisão perpétua, a não ser em caso de guerra declarada (guerra externa, diga-se) e mediante crimes de guerra assim julgados por tribunais especializados no assunto. Parece haver um silêncio político-eleitoreiro proposital por parte dos governantes frente ao fato que o eleitor ignorante é analfabeto funcional, de uma maneira geral, nao aprecia quando políticos proporcionam vida mais digna dentro das prisões. Mas é dever do Estado manter o sujeito preso em condições dignas mínimas. Por isso o descaso com os sistemas penitenciários na Republiqueta Fracassada das Bananas. Em PE, mesmo com as mentiras que são contadas pelo Governo do Estado, segue-se com um dos piores sistemas penitenciários do país, senão o pior. Basta conversar com o pessoal penitenciário sobre sistema penitenciário em PE. Agora o Governo Federal adota medidas paliativas como colocar Forças Armadas dentro de unidades prisionais. O que um oficial da Força Aérea, por exemplo, vai fazer dentro de UP's?! Só se for bombardear com aviões de caça tipo AMX as unidades prisionais, jogando bombas napalm, bombas de fragmentação e bombas de fósforo os rebelados de tais unidades. Francamente!

Por frederico beltrao,19/01/2017

Tá tudo dominado não acham ? E agora o que fazer ? . Com essa Lei de Execuções arcaica de 1946 não se pode fazer muito ou nada . Senhores Congressistas , e aí ? Em um país onde a corrupção corre solta o dinherio não chega onde deveria , e ficam facções dominando tudo .......



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

O Hobbit - 80 anos O Hobbit - 80 anos
Como a maioria dos hobbits, Bilbo Bolseiro leva uma vida tranquila até o dia em que recebe uma missão do mago Gandalf. Acompanhado por um grupo de anões, ele parte numa jornada até a Montanha Solitária para libertar o Reino de Erebor do dragão Smaug
Marcas do medo Marcas do medo
Mais do que um saldo de 4,1 mil mortos até setembro de 2017, a violência em PE deixou uma população inteira refém do medo. Sentimento sem cara ou forma, que faz um número cada vez maior de vítimas no Estado. Medo de sair de casa, de andar nas ruas
Great Place to Work 2017 Great Place to Work 2017
Conheça agora as 30 melhores empresas para trabalhar em Pernambuco, resultado de uma pesquisa feita pela Grat Place to Work, instituição com credibilidade de 25 anos, em 57 países, envolvendo anualmente sete mil empresas e 12 milhões de colaboradores

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM