Jornal do Commercio
IGREJA

Padre excomungado vai abençoar casamento gay no Recife

"A moral sexual da igreja precisa ser revisada como um todo. A Igreja Católica ainda mantém sua postura absurda de condenar os gays ao celibato. Isso cria o ódio nas famílias", afirmou o Padre Beto

Publicado em 23/01/2017, às 22h56

O Padre Beto foi excomungado pela Diocese de Bauru, em São Paulo, após publicar vídeos na internet nos quais discutia abertamente a moral sexual cristã / Foto: Reprodução/Facebook
O Padre Beto foi excomungado pela Diocese de Bauru, em São Paulo, após publicar vídeos na internet nos quais discutia abertamente a moral sexual cristã
Foto: Reprodução/Facebook
JC Online

O lema de que o amor pode surgir entre todos os seres humanos acompanha o padre Roberto Francisco Daniel, 51, mais conhecido como Padre Beto, em todas as cerimônias que celebra. Excomungado da igreja em 2013, por criticar algumas estruturas da Igreja Católica, hoje o sacerdote viaja o Brasil inteiro para celebrar a união entre casais homoafetivos. A próxima será dia 29 deste mês, no Recife, entre Eliel Alves e Berg Goodman. Para ele, o amor pode surgir entre todos os seres humanos e quem ama não deve ter medo de celebrar esse sentimento.

"A moral sexual da igreja precisa ser revisada como um todo, pois enxerga a sexualidade como algo negativo. Sexo não é para procriar, é para dar prazer. Se fosse só para a procriação, as pessoas só transariam duas ou três vezes. O casamento como algo indissolúvel e a impossibilidade de questionar o divórcio também são coisas que precisam ser questionadas. Desse modo, uma pessoa que se divorcia com 30 anos deve passar o resto da vida solteira por ter se separado e sem fazer sexo porque não é casada? Isso é absurdo", declara o Padre Beto, em entrevista ao JC.

O sacerdote foi excomungado em abril de 2013, pela Diocese de Bauru (SP), após ter se recusado a pedir o perdão exigido por seu bispo, que fez o pedido após o padre discutir abertamente a moral sexual cristã, sob a acusação de "ferir a Igreja com suas declarações consideradas graves contra os dogmas da Fé Católica, contra a moral e pela deliberada recusa de obediência ao seu pastor". Na época, a Diocese estabeleceu um prazo para que ele se retratasse e fizesse uma “confissão humilde de que errou quanto a sua intepretação e exposição da doutrina, da moral e dos bons costumes ensinados pela igreja". Ele se negou e foi desligado sendo acusado de "gravíssimo delito de heresia e cisma".

Para o padre, a negação da igreja em aceitar a união homoafetiva só cria ódio entre as famílias e afasta os fiéis.

"Fico feliz em poder mostrar para a sociedade que os homossexuais são pessoas que têm o direito de se amarem e serem felizes. A Igreja Católica ainda mantém sua postura absurda de condenar os gays ao celibato. A igreja, ao mesmo tempo que prega o respeito e amor, rejeita e critica casais homoafetivos. A mesma coisa de dizer para um negro, eu aceito a sua cor, mas não a sua negritude. Não é algo santo e afasta as pessoas de Deus, criando o ódio nas famílias", afirma. 

Excomunhão 

A excomunhão não tira o título de padre, que continua sendo sacerdote, até mesmo perante a Igreja.

"Continuo a exercer as funções de sacerdote, mas não em nome da Igreja Católica. Sou um padre desligado, mas continuo sendo padre. O que ocorre é que sou proibido de entrar em igrejas", explica.

Em 2015, com o objetivo de propagar suas ideias e reflexões, o Padre Beto criou uma igreja em Bauru, interior de São Paulo, onde atualmente vive, chamada de ‘Humanidade Livre’. Segundo ele, a proposta é ser uma espaço onde possa se construir o amor, a fé, e a cidadania.

Formado em Radialismo, Direito, História e Teologia, atuou na Igreja Católica por 14 anos até ser excomungado em abril de 2013. Sua última graduação foi feita em uma universidade alemã, onde também concluiu doutorado em Ética.

Padre Beto também é escritor e lançou a obra "Coragem para Pensar Diferente’’, pela Editora Alto Astral. No livro ele fala sobre felicidade, sexualidade, consumismo e intimidade.

Palavras-chave

Recomendados para você


Comentários

Por Marcos Augusto,26/01/2017

A QUEM POSSA INTERESSAR Primeiro: a excomunhão não tira o padre. Banido, mas um sacerdote. Isso oficialmente, para Igreja Católica. Por enquanto ele é um padre, só que um padre excomungado. O pessoal usa o ex-padre talvez por não entender a excomunhão, o que ela é. Com a criação da "Humanidade Livre" ele é um padre da "Humanidade Livre”. Salvo melhor opinião. A redução ao estado laico, compulsiva ou solicitada, não implica extinção do sacramento. É do próprio conceito o carácter indelével. Doutrina tridentina.

Por Fernando,24/01/2017

Câmara Filho, é exatamente por conhecer e saber a história da bíblia que ele esta defendendo a união religiosa entre pessoas do mesmo sexo. Todos sabemos - e você também deve saber - que a bíblia foi toda elaborada por cânones da igreja católica. Que os concílios que ocorriam no passado, era exatamente para suprimir ou adicionar novos textos. E que de original ou de mão de apóstolos ou seja quem for, nunca existiu ou se existiu não existe mais.

Por klésio,24/01/2017

larga de ser idiota,se vc quer ser GAY,seja livre,faça de sua vida o que vc acha melhor para ela,pois vc tem livre arbítrio. Não diga que a Igreja condena pois ela não tem autoridade pra isso,pois nem próprio Deus condena,ela so não aceita abençoa uma pratica que para Deus é errado.

Por Fernando ,24/01/2017

Não entendi a matéria. O padre fala em fala que "isso cria o ódio nas famílias", mas não se refere a qual família, será a ex-esposa de quem tá casando ou serão os filhos dos envolvidos. Nunca ouvi sequer comentários maldosos de que a família de gay tenha desenvolvido ÓDIO pelo fato de ele não poder casar no religioso, até mesmo porque nos dias de hoje nem os héteros querem casar, imagine pessoas do mesmo sexo, quase sempre relações abertas e curtas. Se a igreja reconhecer e for cobrar pela cerimônia, em poucos meses vai dobrar o capital, visto que vão ter nubentes casando a cada 15 dias com parceiros diferentes. Vai ser festa!

Por Divaldo Henrique,24/01/2017

Qual a autoridade espiritual que este cara tem pra abençoar alguma coisa?



Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

A Casa da Bênção de Veronaldo A Casa da Bênção de Veronaldo
Solidariedade garante casa para torcedor que ficou tetraplégico durante jogo
JC recall de marcas 2017 JC recall de marcas 2017
Conheça o ranking das marcas que têm conseguido se manter no topo da preferência dos pernambucanos. O rol é resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Harrop, há duas décadas parceiro do Jornal do Commercio na realização da premiação
10 anos do IJCPM 10 anos do IJCPM
O Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM) comemora 10 anos de história, contribuindo para transformar a vida de jovens de comunidades com histórico de desigualdade social nas cidades de Recife, Salvador, Fortaleza e Aracaju

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM