Jornal do Commercio
MINAS GERAIS

Doméstica de 68 anos é resgatada de casa onde trabalhava há 5 anos sem receber salário

Empregadora usava o dinheiro da pensão que a trabalhadora recebia pela morte do marido e chegou a fazer empréstimos no valor de R$ 9 mil

Publicado em 17/07/2017, às 13h05

Doméstica estava há 5 anos sem receber salário / Foto ilustrativa: Diego Nigro/JC Imagem
Doméstica estava há 5 anos sem receber salário
Foto ilustrativa: Diego Nigro/JC Imagem
JC Online

Uma empregada doméstica de 68 anos, analfabeta, foi resgatada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), no interior de Minas Gerais, por trabalhar em condições análogas às de trabalho escravo na cidade de Rubim. A empregadora, de 50 anos, além de não pagar o salário há 5 anos, fez empréstimos consignados no nome da vítima e recolhia o dinheiro da pensão recebida pela morte do marido da empregada.

De acordo com a procuradora do Trabalho, Juliane Mombelli, a doméstica trabalhava em situação análoga à de escravo há cerca de oito anos. Além de não receber o salário pelo trabalho doméstico, a empregadora ainda sacava o dinheiro do benefício da pensão para custear gastos feitos em uma venda de propriedade da sua família.

A doméstica cuidava da casa de três quartos, onde moravam a empregadora, dois filhos e uma neta. E morava em um quarto separado da casa, com um filho maior de idade.



Medidas

O resgate da trabalhadora, realizado no último dia 10, foi possível através de uma operação conjunta do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, composto por representantes do Ministério do Trabalho (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a partir de uma denúncia anônima.

Um auto de infração e determinado o pagamento das verbas trabalhistas pela empregadora, que terá que arcar com cerca de R$ 72 mil pelos últimos cinco anos não pagos e um processo será instaurado contra a empregadora, que não teve a identidade revelada. A Defensoria Pública da União fará um requerimento administrativo junto ao INSS para a suspensão dos empréstimos feitos de maneira fraudulenta


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Comentários

Por A Santos,23/07/2017

A empregada doméstica como conhecemos no Brasil e', nada mais nada menos que, um desdobramento, do trabalho escravo do regime colonial. Onde jovens introduzidos no trabalho doméstico com remuneração incompatível ou sem remuneracao, com a quantidade e a qualidade exigido do trabalho doméstico, que se acumula e se mistura ao trabalho de cuidar das crianças também. Casos em que 1. jovens trazidos da area rural com a promessa de estudar nas horas vagas e que acaba nao acontecendo devido a exaustiva demanda do trabalho doméstico e jovens não têm coragem de confrontar os "patrões" por medo e falta de suporte fora do ambiente do trabalho o que acaba sendo o ambiente onde eles moram. 2.Famílias que trazem parentes especialmente jovens ou criancas para morar com essas famílias por várias razões, as vezes morte na família dessas criancas e transformam-as, muitas dessas criancas, jovens ou idosos em "ajudantes", na verdade trabalhadores domésticos, com baixa remuneração ou nenhuma em troca de moradia e alimentação. Tantos sao os casos..., o melhor e' a pessoas denunciarem exploração doméstica ou trabalho escravo doméstico. Espero ver o dia em que essa profissao nao existir mais como conhecemos, que as criancas, jovens, mulheres e homens tenha educação de base e qualificação para serem donas de seus próprios negócios ou agronegócio ou tenham outras formas de se sustentarem e as suas famílias .A verdade que o trabalho doméstico como conhecemos nos Brasil, em outros paises nao existe mais, e se alguém trabalhar assim e' por escolha e nao falta de escolha e sao muito mais bem remunerados ate mesmo para atrair pessoas para um mercado doméstico que ninguem quer por ser qualificado a outras areas, um trabalhador domestico-(nao menor), recebe em media por hora $100.00 reais para trabalhar por hora/dia, em melhores condições e nao pra fazer todo trabalho doméstico sem acumular com trabalho de assistir crianças e idosos.

Por Vande,21/07/2017

Poderiam ter posto o nome da criminosa na matéria. Talvez devessem, mesmo, Diego. O que acha?

Por Pe. Carlos Ferreira da Silva,19/07/2017

Claro, não tenho palavras para dar conta de expressar a minha indignação. Pior é saber que esse caso não é isolado bem como que isso acontece desde que os lusos invadiram essas terras. A elite brasileira, rica, branca, patroa, católica ou protestante - mas não cristã - tresloucada por manter privilégios que ela julga ser direitos divinos portanto eternos adquiridos desde de Cabral como Carta foral, Sesmarias e Capitania Hereditária é fedida de fato. Lamentável e desolador é verificar que esse governo usurpador do chefe da quadrilha do Temer com seus pares brancos, ricos, patrões e por vezes ladrões, está trabalhando dia e noite para institucionalizar de forma legal esse tipo de comportamento e atitude descrito nesse artigo e muito mais.

Por Henry David Thoreau,18/07/2017

Não se trata de perfil falso mas de pseudônimo. Não seja tão obtuso e ridículo! "Deusdeith". A postura politicamente correta lhe afetou o juízo, o raciocínio inteligente?! Acaso não lhe passou pela cabeça alienada que há, na Republiqueta Fracassada das Bananas, acordos espúrios de trabalho em troca de uma sobrevivência minimamente digna?! Só alienados e gente politicamente correta, gente inútil, diga-se, adota esse pensamento. Em nenhum momento se considerou aqui a premissa do trabalho escravo. Como o exemplo da empregada doméstica, há centenas de milhares de outros Banânia afora. Seja como for, MPT continuará sendo mero palpiteiro de processo. PALPITEIRO! Quem decide são os Magistrados, após o devido processo legal, contraditório e ampla defesa, inclusive o da senhora que supostamente praticou trabalho escravo, como dito na reportagem. Quem dará a palavra final no trânsito em julgado será um MAGISTRADO. Sem palpites idiotas de gente politicamente correta e afetada em complexo de vitimismo e coitadismo. Não fala m..., cara! Vai estudar, vai ler, instrua-se!

Por DEUSDEDITH,18/07/2017

Só alguém que se esconde atrás de um perfil falso, com o nome de um pensador americano do XIX (Henry Thoreau), para fazer comentários idiotas sobre uma situação desta. A "escrava" não depende do MPT, ela tem renda e agora terá poder sobre sua renda pois sua "patroinha", com a qual vc deve concordar, não a roubará mais. A única coisa ridícula na notícia é que a Legislação brasileira não tenha provisão para prender a "patroinha" em flagrante, sem direito a relaxamento da prisão.



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