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FISCALIZAÇÃO

Justiça torna réus executivos da Gregory por uso de trabalho escravo

Os representantes legais da marca de roupas femininas são acusados de utilizarem trabalhadores bolivianos em condição análoga à de escravidão

Publicado em 30/08/2017, às 21h01

Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, os estabelecimentos e oficinas de costura, localizados na capital e RMSP, eram contratados por fornecedores diretos da Gregory  / Foto: EBC
Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, os estabelecimentos e oficinas de costura, localizados na capital e RMSP, eram contratados por fornecedores diretos da Gregory
Foto: EBC
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A Justiça Federal em São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus os representantes legais da confecção de roupas feminina Gregory, Antonio Matos Duca e Delmira Matos Duca Giovanelli, por utilizarem trabalhadores bolivianos em condição análoga à de escravo. Além deles, também são réus na ação mais quatro pessoas proprietárias das oficinas de costura usadas pela marca.

Segundo o Ministério Público Federal em São Paulo, os estabelecimentos e oficinas de costura, localizados na capital e Região Metropolitana de São Paulo, eram contratados por fornecedores diretos da Gregory para a confecção de suas peças de vestuário, em um sistema de quarteirização da produção (quando empresas terceirizadas contratam outra empresa para que esta última execute o serviço de novas contratações). Nos locais, trabalhadores bolivianos eram submetidos a condições degradantes, jornadas exaustivas e atividades forçadas.

“A fiscalização flagrou inclusive um bebê, com um mês de vida, que dormia entre os motores de duas máquinas de costura, em um berço improvisado com caixas de papelão. A mãe, que amamentava o filho durante a jornada de trabalho, nada recebeu durante o período que ficou no hospital após o parto e, ao retornar à oficina, voltou a trabalhar imediatamente”, disse o MPF em nota.



Alojamentos precários

De acordo com fiscalização realizada nas oficinas, além das péssimas condições dos alojamentos, que tinham sujeira, infiltrações, instalações sanitárias precárias e irregularidades na rede elétrica, os costureiros eram submetidos a jornadas que variavam de 14 a 17 horas por dia. Segundo o MPF, os patrões restringiam inclusive a locomoção dos trabalhadores, que só podiam deixar a oficina mediante autorização prévia.

Os seis réus vão responder pelo crime de utilizar os trabalhadores em condição análoga à de escravo. A pena prevista varia de dois a oito anos de prisão para cada vítima identificada, além do pagamento de multa.

A Gregory foi procurada, mas não se manifestou até o momento.


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