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Santa Igreja

Superação da violência é o tema da Campanha da Fraternidade

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil pede superação da violência com base em uma cultura de paz, após dois anos com campanhas ambientais

Publicado em 14/02/2018, às 06h49

Campanha da CNBB 2018 / Foto: Reprodução
Campanha da CNBB 2018
Foto: Reprodução
Estadão Conteúdo

Após dois anos com temáticas ambientais, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aproveita a campanha que promove anualmente em todas as dioceses do País para discutir a superação da violência com base em uma cultura de paz. O tema foi escolhido para a Campanha da Fraternidade ainda em 2016, ano em que o Brasil teve recorde de mortes violentas intencionais, como homicídios e latrocínios: 61 619 vítimas, o equivalente a 168 por dia, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A preocupação da Igreja Católica com os problemas relacionados à violência também tem por base dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo os pesquisadores, com "3% da população do planeta, o Brasil responde por quase 13% dos assassinatos".

O mote deste ano vem amparado no lema "Vós sois todos irmãos" (Mt 23,8). O texto tem uma dimensão pessoal e familiar, mostrando que ações violentas podem começar em casa e, por isso, é necessário criar uma cultura de paz.

Mas para o secretário executivo da Campanha da Fraternidade (CF), padre Luís Fernando, a superação da violência também "exige comprometimento e ações envolvendo a sociedade civil organizada, a Igreja e os poderes constituídos para a formulação de políticas públicas emancipatórias que assegurem a vida e o direito das pessoas em uma sociedade". A cobrança por ações governamentais deve estar entre as chaves do debate, uma vez que o tema da CF 2019, já escolhido, é justamente "Fraternidade e Políticas Públicas".

O texto-base da Campanha destaca que "o Estado combate as consequências, mas não as causas" da violência. Ressalta ainda que a descrença na segurança pública e a certeza da impunidade levam a população a viver encarcerada. O lançamento da CF será na sede provisória da CNNB, em Brasília, e terá a presença da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).



Discussão

Entre as propostas de ação apresentadas pela CNBB tem destaque a Justiça restaurativa, que chegou ao País há dez anos e é incentivada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também presidido por Cármen Lúcia.

Na prática, o sistema escuta agressores e agredidos e busca soluções intermediárias que não só a punição. Há nesse sentido iniciativas em São Paulo e também no Rio Grande do Sul. Fortemente influenciado pela Pastoral Carcerária, o texto aponta que o sistema penal brasileiro não pode ser "mera expressão de vingança".

Entre outros indicativos de ação pública, aparecem a defesa da Lei Maria da Penha, do Estatuto do Desarmamento e das diversas legislações sobre direitos humanos, além da participação em conselhos paritários.

A CNBB ainda recomenda aos católicos a "vivenciarem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo


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