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Cuba

Raul Castro diz estar disposto a conversar com EUA

A única exigência feita pelo presidente cubano é de que os representantes dos dois Países consigam conversar como iguais

Publicado em 26/07/2012, às 13h23

AE

Raúl Castro está disposto a se sentar para discutir qualquer assunto com os americanos / Foto: Juan Pablo Carreras / AIN / AFP

Raúl Castro está disposto a se sentar para discutir qualquer assunto com os americanos

Foto: Juan Pablo Carreras / AIN / AFP

O presidente de Cuba, Raúl Castro, disse nesta quinta-feira (26) que seu governo está disposto a fazer as pazes com os Estados Unidos inimigo da época da Guerra Fria, e se sentar para discutir qualquer assunto, contanto que seja uma conversa entre iguais.

No final da cerimônia do Dia da Revolução, que marca o 59º aniversário da fracassada invasão do Quartel Moncada, Castro pegou o microfone para falar, aparentemente de improviso. Ele repetiu afirmações anteriores de que nenhum assunto será proibido, incluindo as preocupações norte-americanas sobre democracia, liberdade de imprensa e direitos humanos na ilha.

"Quando eles quiserem, a mesa está posta. Isso já foi dito por meio de canais diplomáticos", disse Castro. "Se eles quiserem conversar, nós iremos conversar." Mas Washington terá de se preparar para ouvir as reclamações de Cuba sobre a condução dessas mesmas questões nos Estados Unidos e em países europeus, aliados norte-americanos, acrescentou Castro.

"Não somos colônia ou fantoche de ninguém", afirmou o presidente cubano.

Washington e Havana não têm relações diplomáticas há cinco décadas. O embargo norte-americano de 50 anos proíbe praticamente todo o comércio e as viagens para a ilha. Washington insiste que Cuba deve instituir reformas democráticas e melhorar a situação dos direitos humanos antes do levantamento do embargo.

Dias depois de o importante dissidente Oswaldo Paya ter morrido num acidente de carro, Castro usou palavras duras contra a oposição na ilha, acusando-a de complô para derrubar o governo.

"Algumas pequenas facções fazem nada mais do que tentar estabelecer as bases e esperar que, um dia, o que aconteceu na Líbia aconteça aqui, o que estão tentando fazer na Síria", disse Castro.

O presidente também lembrou a revolução de 1959, prometeu que Cuba vai concluir a rodovia que corta toda a ilha - interrompida anos atrás por falta de recursos -, demonstrou empatia com as reclamações dos cubanos sobre os baixos salários e disse, mais uma vez, que o plano de cinco anos para reformular a economia socialista do país não será implementado às pressas.

O feriado nacional de 26 de julho era geralmente usado para importantes anúncios quando Fidel Castro era presidente, mas nesta quinta-feira nada foi anunciado.

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