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Fogo

Dois incêndios em fábricas deixam mais de 300 mortos no Paquistão

Chamas aconteceram em uma indústria têxtil e outra de sapato

Publicado em 12/09/2012, às 11h42

AFP

Incêndios atingiram duas fábricas no Paquistão / Foto: AFP

Incêndios atingiram duas fábricas no Paquistão

Foto: AFP

Pelo menos 310 pessoas morreram em dois incêndios que destruíram uma fábrica têxtil e outra de sapatos nas duas maiores cidade do Paquistão, sinais da fragilidade do setor industrial local.

O primeiro incêndio, que teve início no início da noite de terça-feira (11) em uma unidade de produção de sandálias de plástico de Lahore (região leste do país, com 10 milhões de habitantes) provocou 21 mortes, segundo um último levantamento das autoridades locais.

O segundo atingiu uma fábrica têxtil de Karachi (sul do Paquistão), metrópole de 17 milhões de habitantes e pulmão do setor industrial do país. As autoridades haviam anunciado uma dezena de mortos terça-feira à noite, mas o número multiplicou-se rapidamente.

"O número de vítimas é agora de 289 mortos", declarou à AFP uma autoridade de Karachi, Roshan Shaikh, elevando para ao menos 310 o número total de mortes nos dois incidentes.

Os bombeiros tiveram dificuldade para chegar ao térreo e subsolo do prédio.

"Os bombeiros encontraram dezenas de cadáveres em uma grande área do subsolo da fábrica, informou à AFP Ehtesham Salim, chefe do corpo de bombeiros da cidade. "É por isso que o número de mortos não para de aumentar", explicou.

Este é o pior incêndio da história de Karachi, destacou uma fonte do ministério da Saúde da província de Sindh.

O subsolo ficou completamente queimado. Uma fumaça espessa e um forte calor ainda eram sentidos na manhã desta quarta-feira. As vítimas morreram intoxicadas antes que as chamas queimassem os corpos, destacou Salim.

Indústria local vulnerável

Segundo Tariq Zaman, funcionário do governo, o incêndio de Lahore foi provocado por uma falha do gerador elétrico.

As causas da castátrofe de Karachi ainda não foram esclarecidas. Mas, como regularmente acontece em casos parecidos no Paquistão, a falta de segurança e precariedade dos locais são comuns.

"A fábrica não foi construída de maneira sólida. Estava superlotada. Havia pouco espaço para ventilação e não tinha saídas de emergência", acrescentou Salim. "Infelizmente o proprietário da fábrica trancou todas as portas, menos a de entrada na frente do prédio", detalhou.

"Havia entre 600 e 700 pessoas na fábrica quando o incêndio começou... nós acreditamos que várias pessoas conseguiram escapar, mas achamos que o número de vítimas ainda vai aumentar", disse à AFP Irfan Moton, presidente da Associação das Indústrias da Província de Sindh.

O ministro da Indústria anunciou a abertura de uma investigação por negligência criminosa contra os proprietários dos locais que foram colocados em uma lista especial proibindo-os de deixar o país. As autoridades também ordenou que os proprietários paguem uma compensação financeira às famílias das vítimas.

Cerca de 60 trabalhadores escaparam das chamas pulando das janelas.

"Foi terrível. De repente, tudo foi envolvido por chamas e fumaça e o calor era tão intenso que corremos para as janelas, quebramos a porta de metal e vidro, e pulamos", relatou à AFP Mohammed Saleem, 32 anos, que quebrou a perna ao pular do segundo andar.

Mohammed Yaqoob, 40 anos, não sabe se pode se considerar sortudo. Terça-feira, ele se sentia febril e decidiu não ir trabalhar. "Mas quando vi imagens de nossa fábrica na TV, eu corri para o local, na esperança de encontrar meu irmão", contou.

Sem notícias de seu irmão, Mohammed foi para o hospital. "Eu vi muitos corpos, mas não consegui identificar nenhum deles de tão carbonizados", disse, enxugando as lágrimas.

O primeiro-ministro Raja Pervez Ashraf apresentou condolências às famílias das vítimas das duas tragédias, que evidenciam a vulnerabilidade do setor manufatureiro paquistanês, um dos pilares da economia do país de mais 180 milhões de habitantes e fortemente limitado por problemas de produção de energia.

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