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Emergência

Epidemia de cólera no Haiti mata mais de 130 pessoas em 2014

Desde o início da epidemia, em outubro de 2010, um número inaceitável de pessoas foi afetado, com cerca de 712.330 casos suspeitos e uma estimativa de 8.655 mortos

Publicado em 26/11/2014, às 22h59

Situação no Haiti é semelhante aos países com ebola (foto) / Foto: Tommy Trenchard / IRIN

Situação no Haiti é semelhante aos países com ebola (foto)

Foto: Tommy Trenchard / IRIN

Da AFP

A epidemia de cólera continua causando vítimas no Haiti, onde 132 pessoas morreram e cerca de 15.000 foram infectadas pela doença em 2014, revelou nesta quarta-feira um informe da Agência das Nações Unidas encarregada de situações de emergência (OCHA).

Desde o início da epidemia, em outubro de 2010, "um número inaceitável de pessoas foi afetado, com cerca de 712.330 casos suspeitos e uma estimativa de 8.655 mortos", segundo o informe da OCHA, que citou o ministério de Saúde Pública e População (MSPP) haitiano.

Em 2014, 14.869 casos suspeitos e 132 mortes foram registradas, indicou o documento, e a organização Médicos sem Fronteiras (MSF) se queixou da falta de leitos disponíveis para receber os doentes.

"Mais de 2.000 pessoas apresentando sintomas de cólera foram hospitalizadas em caráter de emergência desde meados de outubro em Porto Príncipe. A maioria da população haitiana continua exposta ao cólera por falta de acesso à água potável e a sanitários, (e) a capacidade para administrar os doentes ainda é insuficiente", destacou MSF.

A agência da ONU observou, por sua vez, um "aumento muito significativo na incidência do cólera nas regiões metropolitanas de Porto Príncipe e seus arredores desde o final de setembro, em um contexto de chuvas fortes e atrasadas".

"Os pacientes vêm a nós em um estado crítico porque não existe um dispositivo de atendimento de emergência apesar do Plano Nacional de Eliminação do cólera", lamentou Oliver Schulz, chefe da missão da MSF no Haiti, país mais pobre da região.

Os organismos internacionais que lutam contra o cólera esperam um "apoio suplementar a fim de manter e responder necessidades urgentes". A retirada prematura das missões "poderia comprometer os resultados obtidos até agora" e provocar um retorno da doença.

A MSF estima que "quatro anos depois do aparecimento do cólera, o sistema da saúde encara cada dia dificuldades em termos de financiamento, recursos humanos e medicamentos".

Em junho de 2011, um estudo publicado por autoridades sanitárias dos Estados Unidos (CDC) concluiu que o cólera, que tinha desaparecido 150 anos atrás na ilha, foi reintroduzida pelos capacetes azuis do Nepal enviados ao país durante o devastador terremoto de janeiro de 2010.

Sem reconhecer a responsabilidade da epidemia, a ONU afirmou que era impossível determinar formalmente a origem da doença.

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