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PLANETA

Nasa descobriu 1.284 novos planetas fora do nosso sistema solar

O observatório espacial Kepler, que foi lançado em 2009, monitorou 150.000 estrelas em busca de sinais de corpos em órbita

Publicado em 10/05/2016, às 17h52

Este trabalho se faz através da observação de um escurecimento da luz da estrela / Foto: Nasa/ Divulgação
Este trabalho se faz através da observação de um escurecimento da luz da estrela
Foto: Nasa/ Divulgação
AFP

A Nasa anunciou nesta terça-feira (10) a descoberta, pelo telescópio espacial Kepler, de 1.284 novos planetas fora do nosso sistema solar.

"Este anúncio mais do que duplica o número de exoplanetas descobertos pelo telescópio Kepler", indicou Ellen Stofan, cientista-chefe da agência espacial americana.

"Isso nos dá esperança de que em algum lugar lá fora, em torno de uma estrela muito parecida com a nossa, poderemos, eventualmente, descobrir um planeta parecido com a Terra", acrescentou.

O observatório espacial Kepler, que foi lançado em 2009, monitorou 150.000 estrelas em busca de sinais de corpos em órbita, particularmente aqueles que poderiam ser capazes de sustentar a vida.

Este trabalho se faz através da observação de um escurecimento da luz da estrela, conhecido como trânsito, cada vez que um planeta passa orbitando diante dela.

"Dos cerca de 5.000 candidatos a planetas encontrados até agora, mais de 3.200 já foram verificados, e 2.325 deles foram descobertos pelo Kepler", indicou a Nasa em um comunicado.

A nova descoberta inclui cerca de 550 corpos que poderiam ser planetas rochosos como a Terra, com base em seu tamanho, segundo a agência espacial americana.

- Zona habitável -

"Nove destes corpos orbitam zonas habitáveis do seu sol, que é a distância de uma estrela onde podem registrar temperaturas que permitam a existência de água em forma líquida", prosseguiu.

Esses nove exoplanetas se somam a outros já descobertos, de modo que, no total, 21 exoplanetas são conhecidos por orbitarem a zona habitável de suas estrelas e por serem potencialmente capazes de sustentar a vida.

No entanto, cientistas da NASA afirmaram que o Kepler é uma "missão estatística" e que não foi concebido para investigar as condições do ambiente dos planetas existentes nas zonas habitáveis de suas estrelas.

Isso significa que até mesmo os telescópios espaciais mais avançados que estão sendo construídos podem ser incapazes de revelar informações sobre a natureza da vida nesses exoplanetas - caso ela exista.

"É provável que o planeta potencialmente habitável mais próximo esteja a uma distância de 11 anos-luz", disse Natalie Batalha, cientista da missão Kleper no NASA Ames Research Center.

Embora ela descreva essa distância como "astronomicamente falando... muito perto", um ano-luz equivale a cerca de 9,5 trilhões de quilômetros, e não existe nenhuma espaçonave nem tecnologia capaz de viajar tão longe.

O Kepler, no entanto, já revelou muito sobre a galáxia que nos rodeia.

"Antes do telescópio espacial Kepler, não sabíamos se exoplanetas eram comuns ou raros na galáxia. Graças ao Kepler e à comunidade de pesquisadores, agora sabemos que poderiam haver mais planetas do que estrelas", disse Paul Hertz, diretor do departamento de astrofísica da NASA.

"Esse conhecimento vai ajudar as futuras missões que serão necessárias para que fiquemos cada vez mais perto de descobrir se estamos sozinhos no universo", acrescentou.

Os novos planetas foram confirmados por um novo método estatístico, em vez do demorado processo de analisar um por um, que era usado anteriormente.

Esse método de análise estatística pode ser aplicado a muitos candidatos a planetas simultaneamente, de acordo com Timothy Morton, pesquisador da Universidade de Princeton University e principal autor do artigo que descreve as descobertas, publicado no periódico científico The Astrophysical Journal.

- Modo de emergência -

O Kepler sobreviveu a uma emergência no mês passado, quando algum tipo de "evento transitório... provocou uma enxurrada de alarmes falsos que eventualmente sobrecarregaram o sistema", disse a NASA.

Em 2013, o Kepler sofreu outra crise, relacionada a um problema com as rodas de reação, que mantém a nave estável.

Na ocasião, a NASA resolveu o problema e mandou a sonda espacial em uma nova missão chamada K2, para estudar supernovas, aglomerados estelares e galáxias distantes.

A última falha ocorreu no dia 8 de abril, quando a sonda entrou em modo de emergência - estado em que limita suas funções às necessárias para sobreviver. Em 22 de abril, engenheiros na Terra conseguiram resgatar a espaçonave e restaurar sua habilidade para coletar dados.

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