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ASTRONOMIA

Via Láctea se move ao ser empurrada e puxada ao mesmo tempo

Um dos responsáveis por esse movimento seria um imenso vazio no espaço profundo que a "empurra"

Publicado em 30/01/2017, às 19h33

Embora não percebamos, a Terra gira sobre seu eixo a 1.600 km/h, e em volta do Sol a 100.000 km/h / AFP PHOTO / INSTITUTE OF RESEARCH INTO THE FUNDAMENTAL LAWS OF THE UNIVERSE / DANIEL POMAREDE HANDOUT
Embora não percebamos, a Terra gira sobre seu eixo a 1.600 km/h, e em volta do Sol a 100.000 km/h
AFP PHOTO / INSTITUTE OF RESEARCH INTO THE FUNDAMENTAL LAWS OF THE UNIVERSE / DANIEL POMAREDE HANDOUT
AFP

Nossa galáxia se desloca a uma velocidade de mais de dois milhões de km/h, e um dos responsáveis por esse movimento seria um imenso vazio no espaço profundo que a "empurra" - revela um estudo publicado na segunda-feira (30) na revista Nature Astronomy.

Embora não percebamos, a Terra gira sobre seu eixo a 1.600 km/h, e em volta do Sol a 100.000 km/h. O astro orbita o centro da Via Láctea a 850.000 km/h. E nossa galáxia navega a quase 2,3 milhões de km/h, ou seja, 630 km por segundo.

Há 40 anos, os astrofísicos tentam compreender o que causa o deslocamento da Via Láctea e sua direção.

Nos anos 1980, os astrônomos descobriram que uma região de aglomerados de galáxias situada a cerca de 150 milhões de anos-luz da Terra atraía a Via Láctea sob o efeito da gravidade.

Posteriormente, perceberam que um grupo de mais de duas dúzias de galáxias chamado Concentração Shapley, situado a 600 milhões de anos-luz, exercia o mesmo efeito.

Ambos os fenômenos eram insuficientes, porém, para explicar o movimento da Via Láctea.

O novo estudo revela o papel de um "vazio" extragaláctico, quase totalmente desprovido de matéria visível e invisível.

"Se você cria um vácuo em uma região do universo, os elementos que se encontram na periferia se afastarão, porque eles vão ser atraídos por outras regiões sob o efeito da gravidade", explicou à AFP o engenheiro francês Daniel Pomarede, integrante da equipe internacional de astrofísicos que fez o estudo, dirigida por Yehuda Hoffman, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

"Cartografamos em 3D o fluxo das galáxias através do espaço e descobrimos que a Via Láctea estava se afastando a grande velocidade de uma vasta região muito pouco densa, até então não identificada", que foi chamada de Dipole Repeller, relatou Hoffman.

"Além de ser puxada em direção à conhecida Concentração Shapley, a Via Láctea também está sendo empurrada para longe do recém-descoberto Dipole Repeller", acrescentou.

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