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Migração

Centenas de migrantes entram na Espanha forçando a cerca de Ceuta

O Marrocos manifestou seu mal-estar e ameaça relaxar a vigilância de suas fronteiras

Publicado em 17/02/2017, às 12h51

Marrocos estimou em 250 o número de pessoas que tentaram cruzar a fronteira / Antonio Sempere/AFP
Marrocos estimou em 250 o número de pessoas que tentaram cruzar a fronteira
Antonio Sempere/AFP
AFP

Quase 500 migrantes ultrapassaram nesta sexta-feira (17) a fronteira entre Espanha e Marrocos no enclave de Ceuta, num momento em que Rabat ameaça relaxar seu controle migratório caso as disputas agrícolas com a União Europeia não sejam solucionadas.

A delegação do governo em Ceuta contabilizou 498 migrantes que conseguiram saltar a cerca fronteiriça que separa este enclave espanhol no norte da África, de um total de 700 pessoas que tentaram.

Os recém-chegados estão agora no centro de retenção de migrantes desta cidade.

Por sua vez, o Marrocos estimou em 250 o número de pessoas que tentaram cruzar a fronteira, 100 das quais foram detidas, segundo os dados da prefeitura de M'Diq-Fnideq, que também informou sobre dez agentes e vinte migrantes feridos.

Em Ceuta, dois migrantes foram hospitalizados, segundo a delegação do governo, um por uma fratura da tíbia e fíbula e outro por um traumatismo. Onze guardas civis também ficaram feridos quando tentavam impedir a passagem.

As imagens divulgadas pelo serviço televisivo do jornal local El Faro de Ceuta mostram grupos de dezenas de migrantes andando eufóricos pelas ruas de Ceuta, às margens do Mediterrâneo.

"I love you mamma"

"I love you mamma, viva Espanha", gritava um jovem sem camisa e envolvido em uma bandeira europeia.

"Liberdade, liberdade!", gritava outro com a bandeira da Espanha amarrada no pescoço.

Uma vez em território espanhol, os migrantes têm o direito de apresentar um pedido de asilo e de se instalar na União Europeia se forem aceitos.

Esta entrada em massa, uma das mais importantes desde que a cerca fronteiriça foi reforçada, em 2005, ocorre em meio às disputas entre Marrocos e União Europeia pela interpretação de um acordo de livre comércio sobre os produtos agrícolas e a pesca.

No fim de 2016, o Tribunal de Justiça da UE estimou que no Saara Ocidental, antiga colônia espanhola controlada por Rabat, este acordo não era aplicável levando-se em conta o status separado e distinto deste território em relação ao Reino do Marrocos reconhecido pelas Nações Unidas.

Desde então, associações que apoiam a Frente Polisário, que pede a independência do Saara Ocidental, protestam contra as operações comerciais entre o Marrocos e os países europeus que atingem produtos provenientes do Saara.

O Marrocos manifestou seu mal-estar e ameaça relaxar a vigilância de suas fronteiras.

O ministério marroquino da Agricultura advertiu no dia 6 de fevereiro que a Europa corria "um verdadeiro risco de reativação dos fluxos migratórios que o Marrocos, com base em um esforço sustentado, conseguiu administrar e conter".

"Agora é preciso que as coisas sejam claras, sinceras, sobre o futuro que queremos desenvolver entre Marrocos e UE", declarou no início de fevereiro à AFP o ministro da Agricultura e Pesca marroquino, Aziz Akhannouch.

"Temos um acordo de livre comércio, uma cooperação benéfica para os dois (...) Infelizmente, há zonas de incerteza", lamentou.

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