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Síria

Trump condena ataque na Síria e promete destruir Estado Islâmico

Donald Trump denominou o ataque, que vitimou 86 pessoas na Síria, como uma ''afronta à humanidade''

Publicado em 05/04/2017, às 18h54

Declaração de Trump ocorreu durante encontro com o rei Abdullah II, do Jordão / NICHOLAS KAMM / AFP
Declaração de Trump ocorreu durante encontro com o rei Abdullah II, do Jordão
NICHOLAS KAMM / AFP
AFP

O presidente americano, Donald Trump, prometeu nesta quarta-feira destruir o grupo Estado Islâmico (EI) e proteger a civilização, e denominou de "afronta à humanidade" o suposto ataque químico na Síria que deixou 86 mortos, inclusive cerca de vinte crianças, advertindo: isto "não pode ser tolerado".

"Na minha opinião, ultrapassaram vários limites... Quando se mata crianças inocentes, bebês... Isto é ultrapassar muitos, muitos limites, muito além de apenas uma linha vermelha", disse Trump durante uma coletiva de imprensa conjunta com o rei Abdullah II, da Jordânia, em visita à Casa Branca.

"Sua morte é uma afronta à humanidade. Estes atos de ódio pelo regime de (Bashar al) Assad não podem ser tolerados", acrescentou o presidente, sem dar detalhes das ações que os Estados Unidos poderiam adotar após o ataque.

Em um claro alerta sobre a mudança de tom de seu governo, o presidente americano disse que sua "atitude com relação à Síria e a Assad mudou. Agora estamos falando de outro nível, completamente diferente".

Trump também reiterou a promessa de destruir o grupo extremista Estado Islâmico (EI) para "proteger a civilização".

"Destruiremos o EI e protegeremos a civilização. Não temos escolha. Protegeremos a civilização", destacou.

Ao seu lado, o rei Abdullah saudou "a coragem e a dedicação" do presidente americano para buscar uma solução de paz ao conflito israelense-palestino.

"Desde que iniciou (seu mandato), tenho visto a participação do presidente e sua equipe com todos nós na região em relação aos desafios que enfrentam israelenses e palestinos", disse Abdullah II.

A Jordânia integra a coalizão militar liderada por Washington que luta contra o EI na Síria e Iraque.

Ação unilateral?

Enquanto isso, no Congresso, um senador republicano e outro democrata exigiram que Trump acuse o regime de Assad, ao invés de colocar na conta do antecessor, Barack Obama, o ataque químico na Síria.

O senador republicano Marco Rubio e o democrata Ben Cardin introduziram uma resolução em que atacaram o presidente sírio e suas forças por aparentemente usar armas químicas no ataque desta terça-feira.

Nela, pediram uma posição firme do governo Trump, enquanto alguns altos funcionários sugeriram recentemente que retirar Assad do poder não era prioridade.

"Isso tem que virar uma prioridade", disse Rubio em coletiva de imprensa conjunta com Cardin, na qual os dois chamaram Assad de criminoso de guerra.

"Acho que não é segredo que estou em desacordo com muitas decisões tomadas pela administração Obama na política externa, mas essa presidência terminou. Agora, temos uma nova presidência", afirmou Rubio.

Nas Nações Unidas, a embaixadora americana afirmou que os Estados Unidos poderão conduzir uma ação unilateral caso a ONU não responda de forma adequada ao ataque químico.



"Quando as Nações Unidas fracassam consistentemente em sua tarefa de atuar de forma coletiva, há momentos na vida dos Estados em que nos vemos impulsionados a atuar por conta própria", declarou Nikki Haley.

Conselho de Segurança da ONU se reúne por suposto ataque químico na Síria

A fala de Nikki Haley ocorreu durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para falar sobre o suposto ataque com armas químicas na Síria, que deixou dezenas de mortos, incluindo crianças.

Grã-Bretanha, França e Estados Unidos apresentaram um rascunho de resolução pedindo uma investigação exaustiva do ataque em uma localidade rebelde na província de Idleb, mas a Rússia, firme aliada do governo de Assad, afirmou que o texto era "categoricamente inaceitável".

"Aqui estamos falando de crimes de guerra, crimes de guerra em grande escala, crimes de guerra com armas químicas", criticou o embaixador francês, François Delattre, em declarações a jornalistas ao entrar na reunião.

O projeto de resolução pede que um painel conjunto da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e da ONU investigue o ataque, realizado na manhã de terça-feira no povoado de Khan Sheikhun.

O texto, visto pela AFP, convoca a Síria a entregar os planos e registros de voo, além de outras informações, de suas operações militares no dia do ataque.

Além disso, pede que Damasco forneça os nomes de todos os comandantes de esquadrões de helicópteros aos investigadores da ONU e permita que se reúnam com generais e outros oficiais de alto escalão, indica o projeto de resolução.

Também prevê que a Síria permita que as equipes da ONU e da OPAQ visitem suas bases aéreas, das quais os ataques com armas químicas podem ter sido lançados.

As negociações em torno do rascunho continuam, mas em Moscou o chanceler antecipou que o "texto tal como foi apresentado é categoricamente inaceitável".

Por enquanto não foi convocada uma votação, mas os diplomatas de países ocidentais disseram que as negociações não se estenderão muito, sugerindo que a Rússia pode recorrer a um veto para bloquear a medida.

"Um veto russo significaria que eles gastam mais tempo defendendo o indefensável", afirmou o embaixador britânico, Matthew Rycroft.

Grã-Bretanha, França e Estados Unidos responsabilizam as forças de Assad pelo ataque, mas o Exército sírio negou estar envolvido.


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