Jornal do Commercio
Crise na Venezuela

Militares prometem 'lealdade' a Maduro antes de protesto opositor

Grande manifestação contra o ditador venezuelano está marcado para a próxima quarta-feira (19). Oposição afirma que Força Armada é o que sustenta Maduro no poder

Publicado em 17/04/2017, às 18h40

Militares prometem fidelidade a ditador venezuelano / Foto: AFP
Militares prometem fidelidade a ditador venezuelano
Foto: AFP
AFP

A dois dias de uma grande manifestação contra o governo, o presidente Nicolás Maduro recebeu nesta segunda-feira (17) a promessa de "lealdade incondicional" da Força Armada, a qual a oposição acusa de ser a única que sustenta o chavismo no poder.

"A Força Armada Nacional Bolivariana preserva sua unidade monolítica, granítica e ratifica sua lealdade incondicional ao senhor presidente", disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, em uma concentração militar liderada por Maduro nos arredores do Palácio de Miraflores, a sede do governo.

Usando quepe, Maduro agradeceu o apoio da cúpula castrense: "amor com amor se paga, lealdade com lealdade se paga", disse ao iniciar seu discurso, no ato que homenageia a milícia civil.

Cercado pelo alto comando militar, o presidente socialista chegou a Miraflores em um jipep, em meio a milhares de milicianos que o ovacionavam com o punho em riste.

Neste ato, Maduro anunciou a expansão do corpo da milícia, formado por civis armados, para 500.000 membros.

"Aprovei com o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, os planos para expandir a Milícia Nacional Bolivariana para 500.000 milicianos e milicianas com todos os seus equipamentos", declarou.

O presidente prometeu garantir por meio da Força Armada "uma arma para cada miliciano, uma arma para cada miliciana"

"Não é tempo de traidores, não é tempo de traição, não é tempo de vacilantes; que cada qual se defina: se estão com a pátria ou contra ela", advertiu Maduro ao se referir à crescente tensão que o país vive, principalmente pelos protestos da oposição que já acontecem há duas semanas.

Na noite de domingo, o presidente ordenou que os militares desfilassem e saíssem às ruas nesta segunda-feira para reafirmar a "união cívico-militar" com a qual governa a Venezuela e para homenagear a milícia, criada há sete anos por Chávez.

As demonstrações de força ocorrem na véspera da marcha que a oposição convocou para quarta-feira, quando é comemorado o primeiro grito independentista venezuelano, a fim de exigir eleições e respeito à autonomia do Parlamento.



A oposição promete que na quarta ocorrerá "o início do fim" e "a mãe de todas as marchas", mas o governo também assegura que neste dia encherá as ruas de Caracas.

Padrino López acusou nesta segunda-feira o comando opositor de executar, com apoio de grupos da "extrema direita" no exterior, uma "agenda criminosa" que inclui "atos terroristas, distúrbios, roubos, vandalismo e diferentes formas de violência".

Organização não governamentais denunciaram uma "forte repressão", com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e, inclusive, armas de fogo.

"A ação do Estado não pode ser chamada de repressiva se visa a restituição da ordem pública", respondeu Padrino López. 

A Força Armada tinha amplo poder durante o governo de Chávez, mas sua influência aumentou com Maduro.

"Chávez incorporou os militares à gestão do governo e a tendência foi se aprofundando com Maduro. Hoje temos mais do que um governo cívico-militar, [temos] um governo militar-cívico", declarou à AFP o analista Luis Vicente León.

A Força Armada - que também luta com os milicianos - conta com 165.000 efetivos e 25.000 na reserva. Ela controla a produção e distribuição de alimentos básicos em grave escassez, além da companhia petroleira, uma emissora, um banco, uma montadora de veículos e uma construtora.

Para o analista Benigno Alarcón, ao enfraquecer o apoio popular, o governo optou por manter o poder "pela força" e "comprou a lealdade" dos militares.


Palavras-chave

Recomendados para você




Comentar


Nome E-mail
Comentário
digite o código
Desejo ser notificado de comentários de outros internautas sobre este tópico.

OFERTAS

Especiais JC

Educação, emprego e futuro Educação, emprego e futuro
Investir em educação é um pressuposto para o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento da renda. Aos poucos, empresas dos mais variados setores entram numa engrenagem antes formada apenas pelo poder público.
Pernambuco Modernista Pernambuco Modernista
Conheça a intimidade de ateliês, no silêncio de casas, na ansiedade de pincéis sujos para mostrar como, quase nonagenária, a terceira grande geração da arte moderna de Pernambuco vai atravessando as primeiras décadas do século 21
A crise que adoece A crise que adoece
Além dos índices econômicos ruins, a recessão iniciada em 2014 no Brasil cria uma população mais doente, vítima do estresse causado pela falta de perspectivas. A pressão gera problemas psicológicos e físicos, que exigem atenção.

    LOCALIZAÇÃO

  • Rua da Fundição, 257 Santo Amaro, Recife - PE
    CEP: 50040-100
  • assinejc.com.br
  • (81) 3413-6100

    SIGA-NOS

Jornal do Commercio 2017 © Todos os direitos reservados

EXPEDIENTE

Sistema Jornal do Commercio Grupo JCPM